Esse será, certamente, um dia inesquecível. (final do texto)...

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Q34797 Português
A memória ajuda a definir quem somos. Na verdade, nada
é mais essencial para a identidade de uma pessoa do que o
conjunto de experiências armazenadas em sua mente. E a
facilidade com que ela acessa esse arquivo é vital para que
possa interpretar o que está à sua volta e tomar decisões. Cada
vez que a memória decai, e conforme a idade isso ocorre em
maior ou menor grau, perde-se um pouco da interação com o
mundo. Mas a ciência vem avançando no conhecimento dos
mecanismos da memória e de como fazer para preservá-la.
Pesquisas recentes permitem vislumbrar o dia em que
será uma realidade a manipulação da mente humana. Isso já
está sendo feito em animais. Cientistas brasileiros e americanos
demonstraram ser possível apagar, em laboratório, certas
lembranças adquiridas por cobaias. Tudo indica que as mesmas
técnicas podem ser usadas também para conseguir o efeito
inverso: ampliar a capacidade de reter fatos e experiências na
mente. Há pouco tempo pesquisadores da Universidade da
Califórnia detalharam como as proteínas estão relacionadas ao
surgimento de novas lembranças nos neurônios e à modificação
das já existentes.
Como ocorreu com o DNA no século passado, os códigos
fisiológicos que regulam a memória estão sendo decifrados.
A neurociência é um campo tão promissor que, nos Estados
Unidos, nada menos que um quinto do financiamento em pesquisas
médicas do governo federal vai para as tentativas de
compreender os mecanismos do cérebro. Os estudos sobre a
memória têm um lugar destacado nesse esforço científico.
Afinal de contas, mantê-la em perfeito funcionamento tornou-se
uma preocupação central nas sociedades modernas, em que
dois fenômenos a desafiam: o primeiro é a exposição a uma
carga excessiva de informações, que o cérebro precisa processar,
selecionar e, se relevantes, reter para uso futuro; o segundo
é o aumento da expectativa de vida, que se traduz numa
população mais vulnerável a distúrbios associados à perda de
memória.
Um dos caminhos investigados pelos cientistas para
deter as degenerações que resultam em perda mnemônica é
induzir a produção de novos neurônios - a neurogênese. Até
pouco tempo atrás, acreditava-se que as células do cérebro não
se regeneravam. Esse mito foi derrubado e hoje se sabe que
em algumas estruturas cerebrais o nascimento de células
nervosas é um fenômeno comum. O experimento indica que,
se os cientistas conseguirem estimular de maneira controlada a
neurogênese, poderão aplicar essa técnica tanto para
compensar a morte de células causada por uma doença
degenerativa como, em tese, para melhorar a capacidade de
memorização de uma pessoa saudável. Esse será, certamente,
um dia inesquecível.
(Diogo Schelp. Veja. 13 de janeiro de 2010, pp. 79-87, com
adaptações)


Esse será, certamente, um dia inesquecível. (final do texto)

Pressupõe-se corretamente da afirmativa acima
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: "Esse será, certamente, um dia inesquecível." O ponto decisivo é a escolha lexical do adjetivo "inesquecível" no fecho do texto, em articulação com o tema da memória; o comando pede o pressuposto dessa afirmativa, e a inferência segura é que há uso intencional dessa palavra como encerramento expressivo, o que sustenta a alternativa B.

Tema central: memória e lembranças
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não há contradição intencional entre a frase final e o desenvolvimento do texto. O fechamento reforça o tema da memória por meio de uma palavra do mesmo campo semântico, em vez de contrariá-lo. Ler "inesquecível" como contradição confunde jogo semântico coerente com ironia ou oposição, que o texto não constrói.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica que a frase final foi construída com intenção expressiva, a partir de uma palavra semanticamente ligada ao assunto desenvolvido. O texto mantém ao longo da progressão referências a memória, retenção, lembranças e memorização, e o fecho retoma esse universo temático sem contradição. Assim, a resposta adequada é a que reconhece essa correlação de sentido entre a escolha do adjetivo e o tema central.
C
Errada
Está errada porque o texto não apresenta crítica velada aos procedimentos científicos. Ao contrário, a progressão textual valoriza os avanços da ciência, com passagens como a possibilidade de ampliar a capacidade de reter fatos e de aplicar técnicas para compensar perdas e melhorar a memorização. Não há marcas discursivas de reprovação que sustentem essa leitura.
D
Errada
Está errada porque a conclusão do texto não é pessimista. O texto caracteriza a neurociência como campo "promissor", afirma que os cientistas "poderão aplicar essa técnica" e encerra com "certamente", marcador de expectativa afirmativa. A menção a doenças degenerativas e perda de memória integra o problema investigado, mas não define um fecho negativo.
E
Errada
Está errada porque contradiz a literalidade do texto. O texto afirma que "a ciência vem avançando" e que "os códigos fisiológicos que regulam a memória estão sendo decifrados". Portanto, não se sustenta a ideia de aceitação de que está cada vez mais difícil descobrir as razões da perda de memória; o sentido apresentado é o oposto.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler "inesquecível" apenas como adjetivo avaliativo genérico ou até como ironia; o ponto decisivo era perceber que a palavra foi escolhida por sua ligação semântica direta com o tema da memória.
Dica para questões semelhantes
  • No fechamento do texto, verifique se uma palavra retoma o campo semântico do tema central; isso costuma decidir questões de efeito de sentido.
  • Quando o comando pedir pressuposição, escolha apenas o que o texto autoriza inferir com segurança, sem projetar crítica ou ironia não marcadas.
  • Antes de aceitar alternativas com tom negativo, confira se o texto realmente constrói pessimismo ou se a progressão é de valorização e expectativa positiva.

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Comentários

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Acredito que a letra b esta correta, mas para mim a primeia também está. Vejam que o texto fala sobre a perda da memória, e estudos sendo realizados para a melhor memorizaçao, e assim ter uma memória maior e mais eficiente. Quando fala em dia inesquecivel esta sendo usado humor para descrever o contrario do texto: o esquecimento.

To viajando tanto asssim?
Eu acredito que o erro do item "a" esteja na afirmativa de que trata-se de uma contradição. Contradição, na realidade, seria a última frase afirmar algo contrário ao que foi afirmado ao longo de todo o texto.

Seria, em termos simples, uma forma de negar, em uma frase, tudo o que foi dito. E o autor não nega o que já expôs. Não há contradição.

O que há é o jogo linguístico, o uso de um adjetivo ("inesquecível") contrastando com informações que foram dadas (de que estão tentando melhorar nossa memória para que não nos esqueçamos, com facilidade, das informações que retemos ao longo da vida), mas para realçar a idéia total do texto, de que a ciência tem trabalhado em prol de uma melhoria ou recuperação da memória.

Bons estudos a todos! :-)

a) uma contradição intencional com o assunto que foi desenvolvido em todo o texto

ERRADO. Não há contradição, contradição, na realidade, seria a última frase afirmar algo contrário ao que foi afirmado ao longo de todo o texto.

 

  c) uma crítica velada a procedimentos científicos, de certa forma invasivos, de manipulação da memória de pessoas.

ERRADO. O texto não traz critica a procedimentos científicos

 

  d) a conclusão pessimista das dificuldades apontadas em relação às pesquisas sobre a memória humana.

ERRADO. "Mas a ciência vem avançando no conhecimento dos mecanismos da memória e de como fazer para preservá-la".

 

  e) a aceitação total de que é cada vez mais difícil descobrir as razões que levam à perda de memória.

ERRADO. "o segundo é o aumento da expectativa de vida, que se traduz numa população mais vulnerável a distúrbios associados à perda de memória".

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