TEXTO 3 É por isso que eu denomino que a favela é o quarto ...
TEXTO 3
É por isso que eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos. [...] Eu classifico São Paulo assim: o Palácio é a sala de visita, a Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o seu jardim. A favela é o quintal onde jogam os lixos. [...] Quando estou na cidade, tenho a impressão que estou na sala de visita, com seus lustres de cristais, seus tapetes de veludo, almofadas de cetim. E quando estou na favela, tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo. [...] nós somos pobres, viemos para as margens do rio. As margens do rio são os lugares do lixo e dos marginais. Gente da favela é considerada marginal. Não mais se vê os corvos voando às margens dos rios, perto dos lixos. Os homens desempregados substituíram os corvos. [...] Os políticos sabem que eu sou poetisa. E que o poeta enfrenta a morte quando vê o seu povo oprimido. O Brasil devia ser dirigido por quem passou fome.
O texto 3 compõe-se de fragmentos de uma importante obra da Literatura Brasileira que alcançou sucesso de venda e crítica tanto no Brasil quanto no exterior. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o título dessa obra, sua autoria e contexto de publicação/produção:
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Gabarito: Alternativa A
➤ Tema central da questão: Interpretação de texto e reconhecimento de obras literárias. Exige atenção à identificação de autoria, título e contexto de publicação, aliando conhecimento literário ao domínio da norma-padrão.
➤ Justificativa da alternativa correta:
A alternativa A apresenta Quarto de despejo – diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus. Os excertos do texto, marcados por referências à “favela”, à sensação de exclusão e à vivência da pobreza, remetem diretamente ao diário da autora, que relata sua rotina na favela do Canindé, São Paulo. O sucesso internacional e o contexto descrito (século XX, tradução e vendas) confirmam a identificação correta.
Segundo Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e o Manual de Redação da Presidência da República, a clareza e a precisão são essenciais na compreensão e na associação de informações explícitas sobre autor, obra e contexto.
➤ Estratégia de resolução:
O uso de palavras-chave como “quarto de despejo”, “favela”, “favelada”, “pobreza” e críticas a políticos são pistas fundamentais para que o candidato reconheça a obra correta.
➤ Análise das alternativas incorretas:
- B: "O Cortiço" é de Aluísio Azevedo (Naturalismo, não Parnasianismo). Errado na escola literária.
- C: Triste fim de Policarpo Quaresma é de Lima Barreto, publicada no século XX e não no XVIII e não pertence ao Romantismo.
- D: Macunaíma é de Mário de Andrade, não Carlos Drummond de Andrade, e é de 1928, não lançada na Semana de Arte Moderna (1922).
- E: A paixão segundo G.H. é de Clarice Lispector, não Lygia Fagundes Telles, e integra a terceira geração modernista.
➤ Dica para provas: Cuidado com confusões de autor, título e época. Questões assim costumam trocar autores e detalhes históricos para induzir ao erro; leia com atenção e busque as palavras-chave do texto-base.
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GABARITO: LETRA A
O primeiro trecho já mata a questão:
[...] em 1948, quando começaram a demolir as casas térreas para construir os edifícios, nós, os pobres que residíamos nas habitações coletivas, fomos despejados e ficamos residindo debaixo das pontes. É por isso que eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos. [...] [...] Eu classifico São Paulo assim: o Palácio é a sala de visita, a Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o seu jardim. A favela é o quintal onde jogam os lixos. [...] Quando estou na cidade, tenho a impressão que estou na sala de visita, com seus lustres de cristais, seus tapetes de veludo, almofadas de cetim. E quando estou na favela, tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo.[...] nós somos pobres, viemos para as margens do rio. As margens do rio são os lugares do lixo e dos marginais. Gente da favela é considerada marginal. Não mais se vê os corvos voando às margens dos rios, perto dos lixos. Os homens desempregados substituíram os corvos. Os políticos sabem que eu sou poetisa. E que o poeta enfrenta a morte quando vê o seu povo oprimido. O Brasil devia ser dirigido por quem passou fome. Não digam que fui rebotalho, que vivi à margem da vida. Digam que eu procurava trabalho, mas fui sempre preterida. Digam ao povo brasileiro que meu sonho era ser escritora, mas eu não tinha dinheiro para pagar uma editora.
(trechos extraídos do livro Quarto de despejo, diário de uma favelada, 1960, de CAROLINA MARIA DE JESUS).
☛ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
Mesmo sem ler o livro, tem como associar. [GAB. A]
QUARTO DE DESPEJO: DIÁRIO DE UMA FAVELADA é um livro escrito por Carolina Maria de Jesus que narra o seu dia a dia nas comunidades pobres da cidade de São Paulo. Em seu relato, ela descreve a dor, o sofrimento, a fome e as angústias dos favelados e mudanças pelas quais passavam as favelas neste momento.
Além do que os colegas já disseram, atentem para este trecho:
"[...] Os políticos sabem que eu sou poetisa. E que o poeta enfrenta a morte quando vê o seu povo oprimido. O Brasil devia ser dirigido por quem passou fome."
Com base nisso, já se podia excluir as alternativas B, C e D, que tratam de autores masculinos.
O conhecimento de mundo favorece a resolução dessa questão. É preciso cotejar o fragmento textual com as opções de resposta:
"É por isso que eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos. [...] Eu classifico São Paulo assim: o Palácio é a sala de visita, a Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o seu jardim. A favela é o quintal onde jogam os lixos. [...] Quando estou na cidade, tenho a impressão que estou na sala de visita, com seus lustres de cristais, seus tapetes de veludo, almofadas de cetim. E quando estou na favela, tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo. [...]"
a) Quarto de despejo – diário de uma favelada; Carolina Maria de Jesus; escrita no século XX, traduzida para diversas línguas e vendida para diversos países, inclusive os Estados Unidos.
Correto. Neste livro, sensível e bem escrito, discorre-se sobre a dilacerante realidade em São Paulo da catadora de lixo Carolina Maria de Jesus, por quem Clarice Lispector, a título de curiosidade, tinha franca admiração literária;
b) O cortiço; Aluísio de Azevedo; publicada pela primeira vez em 1890 e considerada um dos melhores romances parnasianos.
Incorreto. Além do livro se passar no Rio de Janeiro, pertence ao movimento naturalista;
b) Triste fim de Policarpo Quaresma; Lima Barreto; publicada no século XVIII, é considerada o marco do Romantismo brasileiro pela sua exaltação ultranacionalista.
Incorreto. Assim como a obra anterior, também a cidade como pano de fundo é o Rio de Janeiro. Somado a isso, a obra pertence ao movimento pré-modernista e Lima Barreto foi um dos primeiros críticos declarados da República Velha, ou seja, desatou os laços com o ultranacionalismo vigorante;
c) Macunaíma; Carlos Drummond de Andrade; obra lançada na Semana da Arte Moderna em 1932.
Incorreto. Carlos Drummond era poeta e escreveu uns poucos contos e nenhum romance. A autoria da obra "Macunaína", um dos mais relevantes romances modernos, pertence a outro escritor: foi Mário de Andrade quem o produziu;
d) A paixão segundo GH; Lygia Fagundes Telles; principal obra da escritora da segunda geração modernista
Incorreto. A autora dessa obra foi Clarice Lispector, escritora da geração de 45, a terceira fase modernista.
Letra A
Chute certeiro pelo contexto
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