Sobre o termo “cousas” usado no texto, é CORRETO afirmar que 

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Q3060691 Português
Leia, com atenção, o texto e, a seguir, responda à questão.


De gramática e de linguagem
Mário Quintana

E havia uma gramática que dizia assim:
“Substantivo (concreto) é tudo quanto indica
Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta”.
Eu gosto das cousas. As cousas sim!...
As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. Multiplicam-se em excesso.
As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém.
Uma pedra. Um armário. Um ovo. (ovo, nem sempre,
Ovo pode estar choco: é inquietante...)
As cousas vivem metidas com as suas cousas.
E não exigem nada.
Apenas que não as tirem do lugar onde estão.
E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa porta.
Para quê? Não importa: João vem!
E há de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão,
Amigo ou adverso... João só será definitivo
Quando esticar a canela. Morre, João...
Mas o bom mesmo, são os adjetivos,
Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto.
Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. Luminoso.
Sonoro. Lento. Eu sonho
Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos
Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais.
Ainda mais:
Eu sonho com um poema
Cujas palavras sumarentas escorram
Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,
Um poema que te mate de amor
Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto...

Disponível em: http://www.pensador.com/frase/. Acesso em: 21 jan. 2024.
Sobre o termo “cousas” usado no texto, é CORRETO afirmar que 
Alternativas

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Tema central da questão: Esta questão aborda o reconhecimento de variação lexical e interpretação do emprego de termos arcaicos em um texto literário, focando em morfologia e evolução da língua.

Análise da alternativa correta (C): “cousa” trata-se de uma variação de uso da palavra “coisa”.

De acordo com a norma-padrão e autores como Evanildo Bechara e Cunha & Cintra, palavras como “cousa” aparecem na literatura e registros antigos da língua portuguesa, sendo uma variante arcaica de “coisa”. Ambas descendem do latim “causa” e compartilham significado. No entanto, “coisa” é a forma predominante atualmente, enquanto “cousa” sobrevive em textos literários e regionais. A alternativa (C) está correta porque evidencia esse fenômeno de variação morfológica, perfeitamente aceito em situações literárias ou poéticas.

Análise das alternativas incorretas:

A) “É usada com mais frequência que a palavra ‘coisa’.”
Errada. “Coisa” é a forma amplamente utilizada nas variedades do português contemporâneo. “Cousa” é rara e seu uso está praticamente restrito a contextos específicos.

B) “Constitui uma palavra nova criada pelo autor do texto.”
Errada. Não se trata de invenção do autor. “Cousa” já existia nos primórdios do idioma e é documentada em dicionários históricos (Caldas Aulete).

D) “Faz parte do registro informal do português brasileiro.”
Errada. Sua presença não se dá no coloquial contemporâneo, mas na linguagem arcaica/literária.

E) “Tem significado diferente em relação à palavra ‘coisa’.”
Errada. Ambas são sinônimas; não ocorre mudança de sentido.

Pontos de atenção para concursos: O conhecimento de formas arcaicas e variações do léxico pode ser exigido principalmente em textos literários. Lembre-se: Nem todo termo pouco usual é uma invenção do autor ou informalidade – pode ser apenas um resquício da evolução da língua!

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