O que se pode inferir do texto acerca da busca pelo sentido...
O sentido da vida (Luiz Fernando Emediato)
O sentido da vida é nascer, crescer, envelhecer e morrer, deixando sob a terra este antigo corpo constituído da solitária e silenciosa matéria de que foram feitas as estrelas e seus filhos, e os filhos de seus filhos.
Sim, é este o sentido da vida, ou não.
O sentido da vida é descobrir alegre ou amargamente a consciência das coisas, da alegria e da dor, da tristeza e do tédio, e então alegrar-se ou entristecer-se.
Sim, é este o sentido da vida, ou não.
Será porventura o sentido da vida caminhar juntos sobre a mesma velha e generosa e solitária terra, dividir angústias e dor, enredar-se no cipoal das palavras?
Sim, o sentido da vida é este, ou não.
Será o sentido da vida buscar luz nas sombras ou sombras na luz, consumir dias e noites a trilhar o áspero caminho imperfeito, buscar o caminho torto, a estrada estreita e, no fim da estrada, apenas neblina, mistério?
Sim, o sentido da vida é bem este, ou não.
Será, meu Deus, o sentido da vida acreditar em Deus, ou alguma coisa superior à capacidade de entender, cair de joelhos e em prantos pedir caridade ou outro vago sentimento qualquer, e nada ouvir em resposta, ou, sim, ouvir uma voz silenciosa, e, então, chorar, dormir, sonhar?
Sim, o sentido da vida é bem este – ou não.
Será o sentido da vida crer na dourada utopia, descobrir então a insustentável fragilidade dos seres, o poder, a miséria?
Sim, é bem este, ou não, o sentido da vida.?
Estará o sentido da vida em sonhar o sonho impossível, alcançar a estrela inatingível, vencer o inimigo imbatível, tocar a realidade intangível, e encontrar nada mais que pesadelo, o nada, a fantasia, as miragens?
Sim, é bem este o sentido da vida, ou não.
Será o sentido da vida entregar-se apaixonadamente às ideias de grande extensão, consumirse como o fogo e ver apagar-se a chama?
Será, criaturas, o sentido da vida consumir o sangue das veias, esgotar a serenidade, despentear os cabelos, perseguir a ilusão?
Sim, é bem este o sentido da vida, ou não.
Mas, se há perguntas demais e respostas de menos, sempre haverá a busca, a esperança, a vida, a luz no fim da escuridão.
Porque é isto – buscar – o sentido da vida.
(Texto adaptado – O Estado de S. Paulo)
Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de texto por inferência. A habilidade cobrada é compreender ideias subentendidas – ou seja, é exigido que o candidato interprete além do que está literalmente expresso, captando o sentido geral das reflexões do autor sobre a busca pelo sentido da vida.
Justificativa da alternativa correta (D): “A busca é um processo contínuo e incerto, mas essencial.”
O texto apresenta várias possibilidades para o sentido da vida, mas, ao final de cada hipótese, o autor usa expressões como “ou não”, enfatizando incerteza e eliminando respostas definitivas. A conclusão ressalta: "se há perguntas demais e respostas de menos, sempre haverá a busca, a esperança (...). Porque é isto – buscar – o sentido da vida." Assim, a essência está no próprio ato de buscar – uma busca permanente, cheia de dúvidas, mas central à experiência humana. Isso se alinha ao conceito de coerência textual (ver Koch & Travaglia), pois o texto constrói um sentido unitário exatamente na incerteza e na valorização da busca.
Análise das alternativas incorretas:
A) “A busca é uma jornada individual e solitária.” – Errada: O texto também fala da caminhada coletiva: “caminhar juntos sobre a mesma velha terra, dividir angústias e dor...”, mostrando o aspecto coletivo e compartilhado da busca.
B) “A busca é marcada por certezas e respostas definitivas.” – Errada: Todo o texto é marcado por dúvidas, negativas e alternativas, enfatizadas pela repetição de “ou não”, mostrando ausência de certeza.
C) “A busca é um caminho fácil e sem obstáculos.” – Errada: O autor descreve o caminho como “áspero”, fala em “angústias e dor”, “estrada estreita”, “neblina”, ilustrando um percurso repleto de desafios.
Estratégias de interpretação: Preste atenção a palavras de dúvida (ex.: “ou não”, “será ...?”) e aos elementos repetidos (como a incerteza e a busca). Para questões semelhantes, destaque sempre o ponto de convergência das ideias do texto.
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Comentários
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um belo texto , todos os seres humanos tem essas perguntas
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