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Q2607053 Medicina
        Paciente do sexo feminino, com 47 anos de idade, IMC de 32 kg/m², mãe de quatro filhos (três deles nascidos de parto normal e o outro, de operação cesariana), diagnosticada com colelitíase havia um ano, estava na fila de espera para colecistectomia em um hospital público quando, nas últimas 48 horas, apresentou dores fortes e em cólica no epigástrio e no hipocôndrio direito, náuseas e dois episódios de vômitos. A dor permaneceu nos mesmos lugares, tornou-se contínua, e a paciente apresentou febre de 38 °C. A paciente apresentava bom estado geral e o exame do abdome mostrou dor à palpação superficial e profunda no hipocôndrio direito e sinal de Murphy presente.

A partir desse caso clínico hipotético, julgue o item que se segue.  


A rotina radiológica para abdome agudo apresenta sensibilidade e especificidade altas para o diagnóstico do caso em questão.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O caso descreve uma paciente com quadro clínico sugestivo de colecistite aguda sobreposta à história de colelitíase. Os principais achados são: dor em hipocôndrio direito, febre, sinal de Murphy positivo e antecedentes compatíveis.

Justificativa para a alternativa “Errado” (letra E) – Gabarito correto: A rotina radiológica simples para abdome agudo (radiografia) NÃO apresenta alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de colecistite aguda. Segundo o Manual Acadêmico de Gastroenterologia, capítulo 17:

"A ultrassonografia abdominal é o teste de imagem de escolha para a detecção de cálculos de vesícula e apresenta sensibilidade e especificidade de 95% (cálculos maiores que 2 mm). [...] Cálculos radiopacos (menos que 15% dos casos) podem ser detectados por radiografia simples de abdome. No entanto, o diagnóstico de litíase biliar por este exame frequentemente acontece quando é realizado por outros motivos."

Portanto, a radiografia simples pode identificar cálculos biliares apenas quando são radiopacos (menoria dos casos) e praticamente nunca detecta sinais inflamatórios da vesícula. Não deve ser utilizada para esse fim, pois sua acurácia é baixa.

Análise das alternativas:

  • Alternativa E (“errado”): CORRETA. Reflete o atual entendimento científico, conforme as principais diretrizes e manuais de referência.
  • Alternativa C (“certo”): INCORRETA. Supõe que a rotina radiológica simples para abdome (radiografia) possui alta sensibilidade/especificidade, o que é um erro conceitual. A literatura médica e os protocolos clínicos não indicam o uso desse exame para diagnóstico de colecistite aguda.

Dicas e estratégias para questões semelhantes:

  • Identifique sempre qual o exame de imagem padrão-ouro para cada doença – pergunte-se se o método realmente detecta o alvo do diagnóstico.
  • Fique atento a frases absolutas ou genéricas sobre exames de imagem – grande parte dessas afirmações pode estar baseada em conceitos equivocados.

Evidência científica: Conforme o UpToDate e o manual citado, a ultrassonografia apresenta sensibilidade e especificidade superiores a 90% para colelitíase e colecistite aguda. Radiografias simples raramente contribuem.

Resumo prático: Para suspeita de colecistite aguda, ultrassonografia abdominal é o exame de escolha; a rotina radiológica simples é pouco útil, devendo ser reservada para outras hipóteses diagnósticas.

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