... uma sociedade detentora de sistemas que permitam acontes...

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Q34796 Português
O heroísmo é um dos últimos enigmas do comportamento
humano. Quando se trata de entendê-lo por meio de
explicações racionais, é tão incompreensível quanto sua gêmea
maligna, a brutalidade.
Os psicopatas são mais transparentes do que os heróis.
Pelo menos já descobrimos o que os torna perigosos: sua
incapacidade de sentir qualquer empatia pelos outros. Já o
heroísmo extremo é de difícil explicação científica. Trata-se de
um impulso ilógico que desafia a biologia, a psicologia e o bom
senso. Charles Darwin tinha dificuldades em explicar a ideia de
se expor para salvar a vida de um estranho. "Aquele disposto a
sacrificar a sua vida, como muitos selvagens o fazem, em vez
de trair seus companheiros, frequentemente não deixa
descendentes para herdar sua nobre natureza", observou ele,
que consequentemente não conseguia encaixar o heroísmo na
teoria da sobrevivência do mais forte.
Morrer pelos próprios filhos? Perfeitamente lógico. De
acordo com Darwin, nossa única razão de existir é passar
nossos genes para a próxima geração. Mas, e morrer pelos
outros? Contraproducente. Afinal, não importa quantos heróis
fossem gerados, bastaria uma besta egoísta atleticamente
sexual para minar toda a linhagem heroica. Os filhos dos
egoístas se multiplicariam, enquanto os filhos dos super-heróis
que seguissem o exemplo do superpai se sacrificariam até à
extinção. Não é difícil de entender por que o comportamento
heroico é raro.
Então, se todas as forças evolutivas e consequências
desvantajosas conspiram contra o heroísmo, por que tal comportamento
existe? Segundo o biólogo Lee Dugatkin, o heroísmo,
uma forma de altruísmo, provavelmente data da época em
que vivíamos em tribos nômades, onde as pessoas tinham entre
si alguma conexão familiar. Ao praticar um ato heroico, elas
estariam salvando uma parte de seu material genético.
Estamos cercados de situações que banalizam o mal.
Segundo Hannah Arendt, teórica política alemã, a brutalidade é
disseminada. Gostamos de pensar que a linha entre o bem e o
mal é impermeável, que as pessoas que cometem atrocidades
estão no lado mau, nós no lado bom, e que jamais cruzaremos
a fronteira. Para banalizar o bem, entretanto, precisamos
construir circunstâncias contrárias àquelas que insidiosamente
nos corrompem: uma sociedade detentora de sistemas que
permitam a contestação, a crítica e a verdade. Quem sabe
assim não precisaremos de super-heróis para garantir direitos
básicos de cidadania.
(Andrea Kauffmann Zeh, O Estado de S. Paulo, Aliás, J7, 21 de
junho de 2009, com adaptações)
... uma sociedade detentora de sistemas que permitam a
contestação, a crítica e a verdade.
(último parágrafo)


O emprego da forma verbal grifada acima denota, no contexto,
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho "uma sociedade detentora de sistemas que permitam a contestação, a crítica e a verdade", o presente do subjuntivo em "permitam" tem valor modal de possibilidade/hipótese desejável: a oração apresenta uma condição não factualizada, projetada como algo a ser construído, e não como fato certo, realizado ou imediato. Isso conduz ao gabarito A.

Tema central: valor modal do subjuntivo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o trecho não descreve um fato já verificado, mas projeta o tipo de sociedade que se deseja construir. Nessa estrutura, "que permitam" caracteriza "sistemas" por sua aptidão ou possibilidade de viabilizar "a contestação, a crítica e a verdade". O valor semântico relevante, portanto, é o de possibilidade/hipótese desejável.
B
Errada
Está errada porque o texto não enuncia certeza imediata sobre uma ação real. A autora não afirma que já existam sistemas efetivamente funcionando dessa maneira; ela defende a construção de "uma sociedade detentora de sistemas que permitam...", o que mantém a referência no campo do desejável e do não factualizado.
C
Errada
Está errada porque o trecho não explicita dúvida do enunciador acerca da realização do fato. A confusão está em associar automaticamente o subjuntivo à dúvida. Aqui, o valor predominante não é hesitação subjetiva, mas possibilidade/condição desejável.
D
Errada
Está errada porque "permitam" não marca ação prevista em futuro imediato. O contexto não traz ideia de iminência temporal; traz projeção e eventualidade ligadas à organização de uma sociedade com certos sistemas.
E
Errada
Está errada porque o trecho não apresenta fato realizado em tempo indefinido. Pelo contrário, a construção "precisamos construir" e a formulação "que permitam" afastam a leitura de realização consumada e colocam o conteúdo no plano do possível.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar o subjuntivo como sinônimo automático de dúvida e ignorar que, no contexto, ele expressa possibilidade/condição desejável, não certeza nem fato realizado.
Dica para questões semelhantes
  • Não decida apenas pelo nome do modo verbal; verifique o valor semântico que ele assume no contexto.
  • Em orações como "que permitam...", observe se o texto descreve um fato existente ou projeta uma condição desejada.
  • Diferencie possibilidade modal de dúvida enunciativa: nem todo subjuntivo indica hesitação do autor.
  • Se o período trouxer verbos como "precisamos construir", a tendência é de leitura prospectiva e não factual.

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O maneira correta da questao:
... uma sociedade detentora de sistemas que permitam a contestação, a crítica e a verdade. (último parágrafo)
O emprego da forma verbal grifada acima denota, no contexto,
Trata-se do modo subjuntivo. E, como todos sabemos (se não sabemos, precisamos memorizar), o modo subjuntivo indica dúvida ou possibilidade. No caso, como trata-se do futuro do subjuntivo, então é uma dúvida ou possibilidade no futuro. Ok, até aí tudo bem, mas há uma alternativa falando sobre dúvida e outra sobre possibilidade, como proceder?

É nesse momento que se deve observar o contexto em que ocorre o verbo. A oração nos diz: "...... uma sociedade detentora de sistemas que permitam a
contestação, a crítica e a verdade"


Lendo calmamente percebe-se que se trata de uma possibilidade. Uma sociedade que possibilite a contestação, a crítica e a verdade. Não se está plantando uma dúvida no leitor, mas sim mostrando-lhe uma possibilidade.

Bons estudos a todos! ;-)

Talvez permitam = possibilidade

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