O trecho “como enchentes, queimadas e escassez de recursos ...
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Ano: 2026
Banca:
IBAM
Órgão:
Prefeitura de Casimiro de Abreu - RJ
Prova:
IBAM - 2026 - Prefeitura de Casimiro de Abreu - RJ - Agente de Combate às Endemias |
Q4351283
Português
Texto associado
Texto: ECOANSIEDADE COMO RESPOSTA À
CRISE AMBIENTAL
Vinícius de Avelar São Pedro e Danielle Gonzalez
“Temperatura média global é a maior
desde o início das medições”. “Perda de
biodiversidade se aproxima do ponto de não
retorno”. “Incêndios batem recorde no Pantanal e
na Amazônia”. “Temporada de tornados será a
mais devastadora em décadas”. Manchetes como
essas se tornaram cotidianas e, se por um lado,
deixam clara a gravidade e urgência da atual
crise ambiental, por outro, apontam para um
cenário apocalíptico e desesperançoso.
Por se tratar de uma crise global, cuja
solução demanda transformações profundas nos diferentes setores da sociedade, é de suma
importância que a população seja devidamente
esclarecida e sensibilizada sobre os problemas
ambientais.
No entanto, tão importante quanto
divulgar os dados científicos é possibilitar às
pessoas o devido preparo emocional e a força de
vontade para o enfrentamento da degradação
ambiental. Nesse sentido, a comunicação da crise
ecológica, seja ela feita pelos noticiários,
relatórios técnicos ou livros didáticos, tem se
mostrado eficiente como alerta, mas pouco
promissora em seu potencial de mobilização.
A atual crise ambiental já é um fator
reconhecidamente impactante sobre a saúde
mental das pessoas. A iminência de catástrofes
climáticas, a perda gradativa dos recursos
naturais e dos serviços ecossistêmicos e a
incerteza da manutenção da vida no planeta tal
como a conhecemos são alguns dos fatores que
geram emoções como medo, ansiedade e
desespero.
Esse mal-estar causado pela crise
ambiental se tornou um interesse específico da
psicologia há menos de duas décadas.
Classificada como um tipo de emoção
moral, decorrente do cuidado inspirado pela crise
ecológica, a ecoansiedade não se caracteriza
necessariamente como um quadro patológico e
sequer é considerada um transtorno mental. Na
verdade, ela pode até agir como força motivadora
de condutas pró-ambientais ou, contrariamente,
pode atuar como fator paralisante e
desmotivador.
Diversos fatores psicossociais podem
influenciar os efeitos da ecoansiedade sobre o
indivíduo, e compreendê-los pode ajudar a
minimizar seus impactos negativos e potencializar
os positivos. Como é de se esperar, a
ecoansiedade é mais frequente em pessoas que
vivem em maior contato com a natureza,
sobretudo aquelas afetadas diretamente por
problemas ambientais, como enchentes,
queimadas e escassez de recursos naturais.
Outro grupo particularmente propenso à
ecoansiedade é o de profissionais e militantes
que atuam na área ambiental. A proximidade
destes com os impactos ambientais, a frequência
e profundidade com que acessam os dados
científicos e uma tendência a maior sensibilidade
em relação à temática ambiental são vistos como
principais fatores de vulnerabilidade desse
público à ecoansiedade.
A faixa etária é outro importante fator de
propensão à ecoansiedade, sendo mais frequente
em crianças, adolescentes e jovens.
Vale lembrar que outros fatores, como
desigualdade intergeracional, precarização do
trabalho e efeitos colaterais das redes sociais,
agravam o quadro mental desse público, levando
a índices atuais de ansiedade e depressão sem
precedentes entre adolescentes e jovens adultos
mundo afora.
Por se tratar de um fenômeno
relativamente recente, com consequências gerais
ainda pouco compreendidas, ainda há pouca
informação na literatura sobre como lidar com a
ecoansiedade e, sobretudo, como evitar seu
potencial efeito desmotivador na luta contra a
crise ambiental.
Estudiosos da ecoansiedade afirmam que
o otimismo e a esperança realistas – isto é,
quando não baseados em negação da realidade –
estão entre os fatores que mais contribuem para
a prática de comportamentos pró-ambientais.
Nesse sentido, garantir que se mantenha uma
perspectiva positiva no horizonte de
possibilidades para o futuro é tarefa fundamental
na luta contra a degradação ambiental.
Adaptado de:
https://cienciahoje.org.br/artigo/ecoansiedade-comoresposta-a-crise-ambiental/
O trecho “como enchentes, queimadas e escassez
de recursos naturais.” (7º parágrafo) expressa,
com o termo anterior, uma relação coesiva de: