Rita Terezinha Schmidt, em texto que integra o volume organi...
Rita Terezinha Schmidt, em texto que integra o volume organizado por Heloisa Buarque de Hollanda sobre o pensamento feminista brasileiro, ataca a invisibilidade da autoria feminina no século XIX, período da formatação da identidade nacional e da institucionalização da literatura. Para a autora, na construção da genealogia brasileira, não houve espaço para a alteridade, de modo que a produção literária local traduziu a intenção programática de construção de uma literatura nacional, perspectivada a partir de um nacionalismo romântico abstrato e conservador, e atravessada pela contradição entre o desejo de autonomia e a dependência cultural. Ou seja, a nação se consolidou nas bases de uma ordem social simbólica pautada na imagem de um sujeito nacional universal – dentro do paradigma do colonizador –, cuja identidade se impôs de forma abstrata.
Ao questionar essa matriz ideológica do paradigma universalista, Schmidt
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Tema central: Interpretação de texto. A questão avalia a capacidade de identificar informações explícitas no texto-base, relacionando-as ao foco do argumento analítico da autora sobre a invisibilidade da autoria feminina na literatura brasileira do século XIX, especialmente dentro do processo de formação do imaginário nacional.
Estratégia resolutiva: O candidato deve buscar nos enunciados das alternativas aquele que, à luz do texto, relacione-se direta e explicitamente com a proposta de questionamento da matriz ideológica universalista e com a denúncia da invisibilidade das mulheres escritoras. Aqui é fundamental atenção a associações indevidas de nomes, obras e períodos históricos.
Justificativa da alternativa correta (A):
A alternativa A é a correta porque evidencia justamente a intenção de Schmidt: "traz à baila autoras como Ana Cesar, poeta e ficcionista, mulher de atuação marcante na imprensa do país nas primeiras décadas do século XX". Essa opção compreende a ação de visibilizar nomes femininos esquecidos pela crítica e pela historiografia – movimento alinhado à crítica à matriz universalista da identidade nacional. Isso corresponde, pela interpretação textual, à proposta da autora de denunciar e reparar o apagamento de vozes femininas.
Segundo autores como Celso Cunha & Lindley Cintra, interpretar textos exige confronto das alternativas com a argumentação do trecho; aqui, o destaque está na revisão historiográfica da participação das mulheres.
Análise das alternativas incorretas:
B) Fala em Carolina Maria de Jesus. Esta autora se destaca na segunda metade do século XX e não está diretamente vinculada ao período e contexto mencionados no comando e nem abordada por Schmidt para a crítica ao paradigma romântico do XIX.
C) Menciona "Fragmentos", de Julia Lopes de Almeida, mas não há correlação textual com o que Schmidt destaca; a alternativa induz à confusão com o resgate de autoras do XIX, mas sem respaldo textual.
D) Generaliza, sugerindo mera síntese de discussões do século XX, o que foge ao foco do texto apresentado, que é o de questionar ideologicamente a matriz universalista do XIX pela ótica feminina.
Dica: Ao interpretar textos em concursos, busque sempre a alternativa mais aderente ao que efetivamente está no texto e fuja de deduções não amparadas explicitamente.
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