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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Grupo 001 |
Q1673018 Medicina
Um paciente de 45 anos de idade, previamente hígido, passa a apresentar, de caráter progressivo, disfagia para sólidos e líquidos. Eventualmente, manifesta alguns episódios de dor torácica, motivo que o levou à investigação cardiológica, que afastou causa cardíaca da dor. A endoscopia digestiva alta mostra-se normal. Em exame radiológico contrastado, constata-se esôfago distal afunilado, com configuração de ̃ “bico de pássaro”, dilatação proximal do órgao, algumas vezes, com nı́veis hidroaéreos e ausência da bolha gástrica. 

Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.


Esse paciente deve ser submetido à esofagectomia com reconstrução.

Alternativas

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Gabarito: E (Errado)

Tema central: O caso clínico descreve um distúrbio motor do esôfago, mais precisamente a acalasia. Trata-se de uma afecção caracterizada principalmente por disfagia progressiva para sólidos e líquidos, dor torácica eventual e exames com achados típicos, como o “bico de pássaro” no esofagograma.

Fundamentação da alternativa correta: A alternativa afirma que este paciente deve ser submetido à esofagectomia com reconstrução. Isso está incorreto segundo o consenso das diretrizes clínicas e a boa prática médica.

A conduta de escolha nos casos iniciais ou intermediários de acalasia consiste em procedimentos menos invasivos, como:

  • Dilatação pneumática
  • Miotomia de Heller com fundoplicatura
  • Miotomia endoscópica peroral (POEM)

Segundo o Livro Texto de Gastroenterologia Clínica da Federação Brasileira de Gastroenterologia (3ª ed., p. 230) e revisões do UpToDate, a esofagectomia deve ser reservada para casos muito avançados, como o megaesôfago grau IV, ou falha comprovada/manifesta das alternativas menos invasivas.

Ponto-chave: A endoscopia digestiva alta normal e o resto da história não sugerem megaesôfago extremo ou falha prévia dos tratamentos de primeira escolha.

Análise crítica das alternativas:

  • C (Certo): Incorreta, pois indica conduta cirúrgica radical, não respaldada nos protocolos atuais para o caso descrito.
  • E (Errado): Correta, pois o manejo de primeira linha para acalasia não é a esofagectomia; essa cirurgia só é indicada em situações extremas.

Estratégia para questões: Atenção com termos como “deve ser submetido” a procedimentos extremos. Sempre questione se o caso apresentado realmente preenche os critérios para terapias mais agressivas.

Segundo a SBG: “A esofagectomia é indicada em pacientes com megaesôfago avançado, refratários à dilatação e à miotomia.” (Manual de Orientação – Doenças do Esôfago, SBG, p. 24).

Resumo: O caso clássico de acalasia exige abordagem inicial com procedimentos menos invasivos. A esofagectomia está reservada para exceções.

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Comentários

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A resposta correta é que a afirmação está errada. O paciente descrito na questão apresenta sintomas que são característicos de acalásia, uma doença do esôfago que impede a passagem normal de alimentos e líquidos para o estômago. O tratamento de primeira linha para a acalásia não é a esofagectomia com reconstrução, mas sim procedimentos menos invasivos como dilatação pneumática do esôfago ou miotomia do esfíncter esofágico inferior. A esofagectomia é considerada apenas em casos refratários ou em situações onde o risco de câncer esofágico é alto, o que não se aplica necessariamente ao caso descrito. Portanto, a afirmação de que o paciente deve ser submetido à esofagectomia com reconstrução está errada.

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