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Q4071998 Português
“Falar corretamente não é sinal de arrogância; é demonstração de cuidado com a comunicação. A gramática não existe para humilhar ninguém, mas para tornar a linguagem mais clara e eficiente. Muitas pessoas dizem: ‘Para mim fazer a atividade’. Entretanto, segundo a norma-padrão da língua portuguesa, o correto é: ‘Para eu fazer a atividade’, pois o pro nome exerce função de sujeito do verbo no infinitivo.” CHAGAS, Cíntia. Sou péssimo em português. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2021. 
A partir do trecho e das concepções de linguagem e ensino da norma-padrão, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a tese explícita do texto sobre a função da norma-padrão e da gramática: “Falar corretamente não é sinal de arrogância; é demonstração de cuidado com a comunicação. A gramática não existe para humilhar ninguém, mas para tornar a linguagem mais clara e eficiente.” Como o fragmento associa correção linguística à clareza, à eficiência e ao cuidado comunicativo, a alternativa E é a que corresponde ao sentido global do trecho.

Tema central: norma-padrão e comunicação
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por extrapolação indevida. O texto valoriza a norma-padrão por sua função de clareza e eficiência, mas não restringe seu uso a textos literários nem menciona qualquer exclusividade ligada a gênero textual.
B
Errada
A alternativa contraria o modo como o próprio fragmento apresenta a regra. Não há ensino descontextualizado nem baseado apenas em memorização, porque o texto traz um caso concreto de uso e explica a escolha normativa pela função sintática do pronome.
C
Errada
A alternativa está em contradição direta com a tese do texto. A autora não considera dispensável o estudo das regras gramaticais; ao contrário, apresenta uma regra da norma-padrão e a relaciona à clareza e à eficiência da comunicação.
D
Errada
A alternativa é incompatível com o enunciado porque atribui ao texto uma postura pejorativa que ele rejeita expressamente. Ao afirmar que “A gramática não existe para humilhar ninguém”, o fragmento afasta a ideia de desprezo aos falantes e também não faz condenação total das variedades da oralidade.
E
Certa
A alternativa E está correta porque traduz com fidelidade a argumentação central do fragmento. A autora justifica o uso da norma-padrão por sua utilidade comunicativa: falar corretamente é apresentado como cuidado com a comunicação, e a gramática é definida como instrumento para tornar a linguagem mais clara e eficiente. Além disso, o exemplo “Para eu fazer a atividade” vem acompanhado de explicação funcional da regra, o que reforça uma noção de adequação de uso, e não de formalismo vazio.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre defender a utilidade da norma-padrão e defender exclusão, rigidez ou preconceito linguístico. O texto faz o contrário: associa a norma à eficiência comunicativa e recusa explicitamente a humilhação dos falantes.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro a tese explícita do fragmento antes de avaliar alternativas com palavras absolutas como “exclusivamente”, “apenas”, “dispensável” ou “completamente”.
  • Quando houver regra gramatical no texto, verifique se ela aparece isolada ou explicada em contexto de uso; aqui, a explicação sintática afasta a ideia de memorização mecânica.
  • Separe correção segundo a norma-padrão de julgamento pejorativo do falante; se o texto recusa humilhação, não cabe inferir desprezo linguístico.

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