No contexto da Gestão de Riscos Corporativos, especificament...
No contexto da Gestão de Riscos Corporativos, especificamente aplicada a processos complexos como as Encomendas Tecnológicas (ETEC), a eficácia da governança pública depende da execução rigorosa do processo de gestão de riscos.
Com base nas orientações do Tribunal de Contas da União (TCU) e nos princípios de gestão de riscos, assinale a opção que descreve corretamente a relação entre as etapas de análise, de avaliação e de tratamento (resposta) dos riscos.
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
A avaliação de riscos é a etapa imediatamente posterior à análise.
Nela, o risco calculado (probabilidade × impacto) é comparado ao:
- apetite ao risco,
- tolerância,
- nível de exposição aceitável definido pela organização.
É exatamente isso que a alternativa descreve: “A avaliação de riscos compara o nível de risco identificado na análise com o limite de exposição ou tolerância ao risco da organização…”
E prossegue: “…sendo que riscos que excedem esse limite não são obrigatoriamente objeto de mitigação se as ações de tratamento não forem viáveis ou vantajosas.”
Isso também está correto, pois o TCU e a ISO 31000 afirmam:
- Riscos não tratáveis (demasiado caros, impossíveis de mitigar ou de custo maior que o benefício) podem ser aceitos conscientemente pela alta administração.
- O gestor não está obrigado a mitigar todos os riscos acima do nível de tolerância se o tratamento não for eficaz ou factível — mas deve fundamentar essa decisão.
Conclusão: alternativa D reflete com precisão as etapas e o processo decisório da gestão de riscos segundo TCU e ISO 31000.
❌ Por que as demais estão incorretas?
A — Incorreta: Inverte conceitos básicos.
- A análise NÃO é o momento de decidir tratamento.
- Essa decisão ocorre somente na etapa de resposta (tratamento).
- A análise envolve estimar probabilidade, impacto, causas e consequências — não escolher mitigação.
Além disso, o tratamento não é exclusivamente custo‑benefício: envolve apetite ao risco, capacidade de resposta, controles existentes e contexto institucional.
B — Incorreta: Define incorretamente “transferência de risco”.
Na transferência:
- a organização não reduz probabilidade a zero;
- o risco é transferido a terceiros (seguro, garantias, contratos, parcerias).
Quem reduz probabilidade é a estratégia de mitigação, não transferência.
E nunca existe risco zero — isso viola os princípios de incerteza e incontrolabilidade reconhecidos pelo TCU e pela ISO 31000.
C — Incorreta: A alternativa confunde dois instrumentos distintos:
- Mapa de riscos → ferramenta interna, usada no planejamento, não é contratual.
- Matriz de alocação de riscos → cláusula contratual, usada para distribuir ônus entre as partes.
O mapa não é negociado no contrato, muito menos “divide responsabilidades”.
E — Incorreta: A probabilidade não precisa ser estritamente quantitativa.
O TCU e a ISO 31000 admitem plenamente:
- estimativas qualitativas,
- escalas subjetivas estruturadas,
- julgamento profissional,
- métodos sem séries históricas.
Em contratos inovadores (como ETEC), a incerteza impede medições puramente estatísticas.
Logo, é totalmente falso exigir probabilidade exclusivamente numérica.
A) ERRADA. Conforme extraído da ISO 31000: "O propósito da análise de riscos é compreender a natureza do risco e suas características, incluindo o nível de risco, onde apropriado. A análise de riscos envolve a consideração detalhada de incertezas, fontes de risco, consequências, probabilidade, eventos, cenários, controles e sua eficácia."
B) ERRADA. Não existe reduzir risco a zero. Conforme extraído da ISO 31000: "As opções para tratar o risco podem envolver um ou mais dos seguintes: — evitar o risco ao decidir não iniciar ou continuar com a atividade que dá origem ao risco; — assumir ou aumentar o risco de maneira a perseguir uma oportunidade; — remover a fonte de risco; — mudar a probabilidade; — mudar as consequências; — compartilhar o risco (por exemplo, por meio de contratos, compra de seguros); — reter o risco por decisão fundamentada."
C) ERRADA. Essa é a definição da matriz de riscos, conforme consta na Lei de Licitações.
D) CORRETA. conceito extraído da ISO 31000: "O propósito da avaliação de riscos é apoiar decisões. A avaliação de riscos envolve a comparação dos resultados da análise de riscos com os critérios de risco estabelecidos para determinar onde é necessária ação adicional..."
E) ERRADA. Não é estritamente quantitativa, conforme extraído da ISO 31000: "Nota 1 de entrada: Na terminologia de gestão de riscos (3.2), a palavra “probabilidade” é utilizada para referir-se à chance de algo acontecer, não importando se definida, medida ou determinada, ainda que objetiva ou subjetivamente, qualitativa ou quantitativamente, e se descrita utilizando-se termos gerais ou matemáticos (como probabilidade ou frequência durante um determinado período de tempo)."
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo