Um paciente adulto comparece ao ambulatório odontológico co...
( ) O uso de ágar MacConkey é indicado, pois favorece o crescimento de anaeróbios Gram-negativos e inibe bactérias da microbiota comensal.
( ) Meios de transporte anaeróbios, cultivo em meio tioglicolato e incubação em atmosfera redutora (jarro anaeróbio) são estratégias adequadas para esse tipo de isolamento. ( )Infecções por bactérias anaeróbias orais são autolimitadas e, geralmente, não necessitam de confirmação laboratorial ou tratamento específico.
( )A microbiota oral saudável é composta predominantemente por bactérias aeróbias, sendo anaeróbios estritos considerados exclusivamente patogênicos.
Assinale a sequência CORRETA:
Gabarito comentado
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Tema central: Infecções odontogênicas profundas por anaeróbios estritos e as boas práticas laboratoriais para coleta, transporte e cultivo visando o isolamento e identificação do agente.
Gabarito: B – F | V | F | F
Justificativa da sequência
(1) Falso – Ágar MacConkey é um meio seletivo/diferencial para bacilos Gram-negativos entéricos (bile e violeta de cristal inibem Gram-positivos; lactose indica fermentação) e é incubado em aerobiose. Não favorece anaeróbios estritos da cavidade oral e não “inibe microbiota comensal” oral de forma direcionada. Referências: MacFaddin; CLSI.
(2) Verdadeiro – Para anaeróbios, recomenda-se: meio de transporte anaeróbio (aspirado em seringa ou tubo com redutor), caldo tioglicolato (contém agentes redutores como cisteína/tioglicolato que diminuem O2) e incubação em atmosfera redutora (jarro anaeróbio com gerador de H2/CO2 ou câmara). Idealmente, usar meios PRAS (prereduzidos), e semear rapidamente. Referências: CLSI M56 – Detection of Anaerobes; UpToDate: Anaerobic bacterial infections.
(3) Falso – Abscessos odontogênicos por anaeróbios não são autolimitados; podem evoluir para celulite, espaços faciais profundos e mediastinite. Exigem drenagem, controle do foco e, conforme gravidade, antimicrobianos dirigidos a anaeróbios (p.ex., amoxicilina/clavulanato ou combinação com metronidazol). A confirmação microbiológica é indicada em casos graves, recorrentes, falha terapêutica ou suspeita de flora incomum. Referências: AAE Guidance on Systemic Antibiotics; Sanford Guide; Harrison’s.
(4) Falso – A microbiota oral saudável é majoritariamente anaeróbia (estritos e facultativos). Prevotella, Porphyromonas, Fusobacterium e Peptostreptococcus são comensais que se tornam patogênicos em desequilíbrio (biofilme, hipoxia tecidual). Logo, anaeróbios estritos não são exclusivamente patogênicos. Referências: Marsh & Martin; UpToDate.
Estratégia para a prova
- Identifique palavras-chave: “anaeróbios estritos”, “transporte anaeróbio”, “jarro anaeróbio”. Isso aponta para técnicas específicas de cultivo.
- Desconfie de meios clássicos de aerobiose (MacConkey, Sangue sem redução) quando o alvo é anaeróbio.
- Cuidado com a pegadinha “autolimitada”: abscessos odontogênicos podem complicar e exigem conduta ativa.
- Lembre que a microbiota oral é dominada por anaeróbios; o caráter patogênico depende do contexto ecológico.
Pearls práticos de laboratório: prefira aspirado por seringa à zaragatoa; minimize exposição ao O2; semeie em meios prereduzidos; use indicador de anaerobiose (resazurina). Referência: CLSI M56.
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