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Q3987906 Psicologia
Os pais de Joaquim se divorciaram há 4 anos e estão em nova disputa judicial por questões relativas à pensão e a pedido de revisão de tipo de guarda. Quando entrevistados separadamente, os pais confirmaram que, antes da separação, a criança falava mais. Joaquim, de 6 anos, chega à primeira sessão com a psicóloga perita sem a olhar nos olhos. Mesmo após aceitar alguns brinquedos, olha para o chão e parece muito tímido. A psicóloga sugere que ele desenhe, o que ele começa a fazer prontamente. Quando questionado, relata à psicóloga que o desenho de duas casas separadas por um traço grosso se trata de duas casas de gato, pois o gato tem duas casas, mas só dorme em uma e fica triste de não dormir na outra. Com base no caso, sobre a condução de entrevista lúdica no contexto forense, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O caso exige reconhecer os limites da entrevista lúdica forense: o enunciado mostra a criança produzindo material simbólico, e a consequência técnica é que isso pode ser considerado como dado de compreensão apenas de forma integrada a outros elementos, sem indução e sem divulgação indevida da sessão. Por comparação com as demais alternativas, só a E descreve esse manejo admissível.

Tema central: Entrevista lúdica forense
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque o pedido de um dos genitores não autoriza a perita a enviar a transcrição da sessão. O conteúdo técnico da entrevista tem destinação técnico-processual e não pode ser disponibilizado por interesse unilateral sob o argumento genérico de melhor interesse da criança.
B
Errada
Errada porque afirma que o brincar em sessão forense pode anular os dados obtidos. A base diz o contrário: a ludicidade é uma via legítima de expressão infantil, desde que o registro e a análise mantenham rigor técnico.
C
Errada
Errada porque insistir para que a criança diga que o desenho a representa é condução indutiva. Na entrevista infantil, o profissional não deve pressionar a criança a confirmar interpretação previamente formulada pelo examinador.
D
Errada
Errada porque gravar a sessão e mostrá-la aos responsáveis para sensibilizá-los desvia a finalidade pericial e expõe indevidamente o material da criança. A gravação ou transcrição não se destinam a sensibilização parental nem a exibição aos genitores fora dos limites técnico-processuais.
E
Certa
A alternativa E está certa porque trata o material lúdico como elemento clínico-pericial de compreensão, e não como prova isolada ou interpretação fechada. No contexto forense, a perita pode formular uma compreensão hipotética a partir da entrevista lúdica, desde que a articule com outros elementos da avaliação. Isso preserva o limite inferencial do material produzido pela criança e evita tanto a indução quanto conclusões categóricas indevidas.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tomar a produção lúdica da criança como algo que ou perde valor técnico por ser brincadeira, ou vira prova literal a ser mostrada aos pais; o manejo correto é usá-la com rigor, sem indução e integrada a outros elementos.
Dica para questões semelhantes
  • Em perícia com criança, trate o material lúdico como dado de compreensão integrado a outros elementos, não como prova isolada e conclusiva.
  • Não pressione a criança a confirmar a interpretação do perito; insistência interpretativa caracteriza indução indevida.
  • Transcrição e gravação da sessão não são materiais de entrega ao genitor por solicitação particular nem instrumentos de sensibilização parental.

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