A passagem em que, de acordo com a norma-padrão, o pronome ...
Leia trecho a seguir da crônica “Encouraçados de sol”, de Nelson Rodrigues, para responder à questão:
Amigos, ao contrário do que se pensa, o Brasil nem sempre foi um país tropical. No tempo de Machado de Assis, ou de Epitácio Pessoa, o sujeito andava de fraque, colete, colarinho duro, polainas, o diabo. As santas e abomináveis senhoras da época se cobriam até o pescoço. Em suma: – o brasileiro vestia-se como se isto aqui fosse a Sibéria, o Alasca, sei lá.
Hoje não. Procura-se um fraque e não se encontra um fraque. Os mais vestidos andam seminus. No passado, o sujeito que entrasse sem gravata num bonde – era de lá expulso a patadas. E, agora, anda-se de biquíni nos lotações. Um sol hediondo vai derretendo as catedrais e amolecendo os obeliscos. Não há dúvida: – somos finalmente tropicais.
Olhem as nossas praias. A nudez jorra aos borbotões. Em 1905, o turista que visse Machado de Assis havia de anotar no caderninho: – “Este é o povo mais vestido do mundo!”. Em nossos dias, o mesmo turista havia de escrever inversamente: – “Este é o mais despido dos povos!”.
(Nelson Rodrigues, À sombra das chuteiras imortais:
crônicas de futebol. Adaptado)
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Com verbos no pretérito imperfeito do indicativo (falava, corria, vestia, estudava), se não houver palavra atrativa, a próclise e a ênclise são possíveis:
RUMO A PMES ⏳
✅ Ele se vestia rapidamente. (próclise)
✅ Ele vestia-se rapidamente. (ênclise)
A- SÓ ACEITA PRÓCLISE POR CAUSA DO "QUE"
B- CORRETA
C- NÃO COMEÇA ORAÇÃO COM PRONOME ÁTONO POIS ELE NÃO TEM AUTONOMIA PARA ISSO
D- SÓ ACEITA PRÓCLISE PORQUE "NÃO" É PALAVRA ATRATIVA
Gabarito: B.
The trooper again
Na frase "... o brasileiro vestia-se...", o sujeito (o brasileiro) está explícito e é determinado.
Quando temos um sujeito explícito antes do verbo e não há nenhuma palavra atrativa (como negações, advérbios ou pronomes relativos), a colocação do pronome oblíquo é facultativa.
Sendo assim, as duas formas são perfeitamente aceitas pela norma-padrão:
- Próclise: "... o brasileiro se vestia..."
- Ênclise: "... o brasileiro vestia-se..." (como está na alternativa)
Nas outras opções, a posição do pronome é obrigatória (você não pode mudar o "se" de lugar). Veja o motivo:
- A) "... ao contrário do que se pensa..."
- Incorreta: A palavra "que" funciona aqui como um pronome relativo. Pronomes relativos são palavras atrativas magnéticas, o que torna a próclise obrigatória (o "se" tem que ficar antes do verbo). Não daria para falar "do que pensa-se".
- C) "Procura-se um fraque..."
- Incorreta: A frase está iniciando o período. Pela norma culta da língua portuguesa, nunca se inicia uma frase com pronome oblíquo. Portanto, a ênclise é obrigatória ("Procura-se"). Dizer "Se procura um fraque" é incorreto na gramática formal.
- D) "... e não se encontra um fraque."
- Incorreta: A palavra "não" é um advérbio de negação. Palavras de sentido negativo também são atrativos obrigatórios, exigindo a próclise. O correto é apenas "não se encontra". Dizer "não encontra-se" viola a norma-padrão.
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