Um recém-nascido apresenta genitália ambígua, com cliterome...
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O tema central desta questão é a avaliação diagnóstica de genitália ambígua em recém-nascidos, algo que está intimamente relacionado à endocrinologia pediátrica e à diferenciação sexual. Quando um recém-nascido apresenta genitália ambígua, como no caso citado, é essencial considerar a hiperplasia adrenal congênita (HAC) como uma hipótese diagnóstica importante, especialmente na presença de um cariótipo 46,XX e órgãos reprodutivos internos femininos normais, como o útero e os ovários.
A hiperplasia adrenal congênita é uma condição genética que resulta na deficiência de enzimas necessárias para a síntese de cortisol nas glândulas adrenais, particularmente a 21-hidroxilase. Esta deficiência leva a um acúmulo de precursores esteroidais como a 17-hidroxiprogesterona, que é então desviada para a produção de andrógenos excessivos, causando a virilização em fetos do sexo feminino.
O exame complementar fundamental para confirmar a HAC é a dosagem de 17-hidroxiprogesterona, que estará elevada na maioria dos casos. Este teste é parte integrante do rastreamento neonatal em muitos países, incluindo o Brasil.
Agora, vamos analisar as alternativas incorretas:
B - Síndrome de insensibilidade androgênica completa: Esta condição afeta indivíduos com cariótipo 46,XY e resulta em resistência aos andrógenos devido à mutação no receptor de andrógenos. Pacientes apresentam fenótipo feminino, mas não têm útero nem ovários, o que não se encaixa no quadro clínico apresentado.
C - Disgenesia gonadal pura 46,XX: Também conhecida como síndrome de Swyer, ocorre em indivíduos 46,XY, não 46,XX. Pacientes apresentam gônadas funcionais (ovários ou testículos) subdesenvolvidas ou ausentes, o que não corresponde ao achado de útero e ovários normais na ultrassonografia.
D - Síndrome de Klinefelter: Caracteriza-se por um cariótipo 47,XXY e não está associada a genitália ambígua. Os indivíduos geralmente são fenotipicamente masculinos e apresentam gonadismo hipogonadotrófico e outras características que não se aplicam a este caso.
E - Deficiência de 5-alfa-redutase: Esta condição também afeta indivíduos 46,XY, levando a uma deficiência na conversão de testosterona em dihidrotestosterona (DHT). Resulta em genitália ambígua no nascimento, mas não é relevante em indivíduos 46,XX.
Em resumo, a alternativa correta é A - Hiperplasia adrenal congênita e a dosagem de 17-hidroxiprogesterona é o exame fundamental para confirmação do diagnóstico. É importante que os médicos ginecologistas e obstetras estejam familiarizados com esta condição para oferecer um diagnóstico precoce e manejo adequado.
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