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No 4o parágrafo, ao afirmar que há “uma certa etiqueta” p...

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Q4067962 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



   Os franceses sabem restaurar, mas não construir. Com isso, quero dizer que eles têm a habilidade e o gosto para restaurar seus edifícios de uma era anterior, mas perderam, desde 1945, nos anos de sua maior prosperidade, a capacidade de construir algo novo que não seja medonho.


   No entanto, não é da incapacidade dos arquitetos franceses modernos que desejo falar, embora a absoluta feiura do que eles criaram não seja totalmente irrelevante para o meu tema, como logo se verá.


   O fato é que uma quantidade enorme de paredes e outras superfícies ao longo da estrada que leva a Paris está coberta de grafitos ou pichações. Este é um fenôeno social — talvez antissocial — tanto de relativo interesse quanto de importância.


   Há, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação, que, quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca.


   Mas o que está por trás dessa epidemia de pichação? Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador: não vejo nenhum deles “trabalhando” e não conheço nenhum socialmente. Portanto, resta-me apenas conjecturar sobre seu estado de espírito — mas, mesmo que eu conseguisse falar com eles, não é certo que me diriam sua motivação, ou mesmo que a conhecessem por completo.


   Numa sociedade em que tantos almejam ser “alguém”, ou seja, alguém que as pessoas conhecem ou que as afeta, e na qual o mero fato de se misturar à multidão representa uma humilhação, pichar é um meio pelo qual uma pessoa, de outra forma sem importância nela, pode impor algo de si a essa sociedade.


   O eu deve se expressar, mesmo que não tenha nada a expressar. Mas não para por aí. Percebi que os pichadores desfiguram principalmente superfícies muito feias, em vez das bonitas. Tomo isso como uma evidência de uma faculdade subconsciente de discriminação estética por parte dos pichadores, embora admita que outras explicações sejam possíveis.


(Theodore Dalrymple, “A expressão da feiura”.

Disponível em: https://revistaoeste.com/revista/edicao-280. Adaptado.)

No 4o parágrafo, ao afirmar que há “uma certa etiqueta” para a pichação, o autor está se referindo
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O sentido de “etiqueta” é definido pelo próprio contexto do 4º parágrafo: “Há, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação, que, quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca.” O trecho esclarece que se trata de um código informal de exclusividade entre pichadores, o que sustenta a alternativa A.

Tema central: sentido contextual de etiqueta
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A corresponde ao que o autor explica no 4º parágrafo. Ao falar em “uma certa etiqueta”, o texto mostra que, quando um pichador toma uma área, ela passa a ser considerada sua “propriedade”, com “direito exclusivo” de nela deixar sua marca. Assim, “etiqueta” remete a uma regra informal de conduta entre pichadores, ligada à exclusividade da área.
B
Errada
A alternativa acrescenta ideias que não estão no texto, como “comportamento respeitoso com a comunidade” e “proibição de local para pichar”. O trecho trata apenas de um código informal entre pichadores, e não de relação com a comunidade ou de proibição externa.
C
Errada
Está incorreta porque transforma em ato oficial aquilo que o texto apresenta como apropriação figurada. A expressão “por assim dizer” afasta o sentido jurídico de propriedade, e não há referência a autoridade pública conferindo título ao pichador.
D
Errada
A alternativa entende “etiqueta” como rótulo físico, mas esse não é o sentido da palavra no contexto. Aqui, ela designa uma norma de ocupação e exclusividade da área, não uma identificação material da parede.
Pegadinha da questão
A questão explora a polissemia de “etiqueta”: fora do contexto, a palavra pode sugerir boas maneiras, rótulo ou formalidade, mas o texto a redefine como código informal de conduta entre pichadores. Também pode induzir à leitura literal de “propriedade”, relativizada por “por assim dizer”.
Dica para questões semelhantes
  • Em palavras polissêmicas, o sentido correto costuma ser o que o próprio texto esclarece logo em seguida.
  • Observe expressões como “por assim dizer”, que indicam uso figurado e impedem leitura literal.
  • Desconfie de alternativas que acrescentem elementos não mencionados no trecho, como autoridade pública, comunidade ou regra legal externa.

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Comentários

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Há, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação, que, quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca.

A- à existência de uma regra de conduta entre os pichadores quanto à exclusividade da área de pichação.

✅ A) A palavra "etiqueta" foi empregada no sentido de regra de convivência. O próprio texto explica esse código entre os pichadores:

'' Quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca."

Ou seja, quem picha primeiro passa a ter uma espécie de exclusividade sobre aquele espaço.

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