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As críticas do autor aos arquitetos franceses

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Q4067961 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



   Os franceses sabem restaurar, mas não construir. Com isso, quero dizer que eles têm a habilidade e o gosto para restaurar seus edifícios de uma era anterior, mas perderam, desde 1945, nos anos de sua maior prosperidade, a capacidade de construir algo novo que não seja medonho.


   No entanto, não é da incapacidade dos arquitetos franceses modernos que desejo falar, embora a absoluta feiura do que eles criaram não seja totalmente irrelevante para o meu tema, como logo se verá.


   O fato é que uma quantidade enorme de paredes e outras superfícies ao longo da estrada que leva a Paris está coberta de grafitos ou pichações. Este é um fenôeno social — talvez antissocial — tanto de relativo interesse quanto de importância.


   Há, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação, que, quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca.


   Mas o que está por trás dessa epidemia de pichação? Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador: não vejo nenhum deles “trabalhando” e não conheço nenhum socialmente. Portanto, resta-me apenas conjecturar sobre seu estado de espírito — mas, mesmo que eu conseguisse falar com eles, não é certo que me diriam sua motivação, ou mesmo que a conhecessem por completo.


   Numa sociedade em que tantos almejam ser “alguém”, ou seja, alguém que as pessoas conhecem ou que as afeta, e na qual o mero fato de se misturar à multidão representa uma humilhação, pichar é um meio pelo qual uma pessoa, de outra forma sem importância nela, pode impor algo de si a essa sociedade.


   O eu deve se expressar, mesmo que não tenha nada a expressar. Mas não para por aí. Percebi que os pichadores desfiguram principalmente superfícies muito feias, em vez das bonitas. Tomo isso como uma evidência de uma faculdade subconsciente de discriminação estética por parte dos pichadores, embora admita que outras explicações sejam possíveis.


(Theodore Dalrymple, “A expressão da feiura”.

Disponível em: https://revistaoeste.com/revista/edicao-280. Adaptado.)

As críticas do autor aos arquitetos franceses
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é localizar, nos dois primeiros parágrafos, o alvo da avaliação negativa: o autor diz que os franceses “têm a habilidade e o gosto para restaurar seus edifícios de uma era anterior, mas perderam, desde 1945, nos anos de sua maior prosperidade, a capacidade de construir algo novo que não seja medonho” e acrescenta que “a absoluta feiura do que eles criaram” é relevante para seu tema. Assim, a crítica recai sobre as construções novas dos arquitetos franceses modernos, o que confirma a alternativa B.

Tema central: crítica à arquitetura moderna
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca a crítica para as restaurações, quando o texto afirma o contrário: os franceses “têm a habilidade e o gosto para restaurar”. Além disso, a alternativa fala em restaurações “feitas antes de 1945”, mas o texto não diz isso; ele menciona edifícios “de uma era anterior”. O juízo negativo recai sobre “construir algo novo”, não sobre restaurar.
B
Certa
A alternativa B está correta porque corresponde ao conteúdo explícito do texto: o autor contrapõe a capacidade de restaurar edifícios antigos à incapacidade, desde 1945, de construir algo novo que não seja “medonho”, além de mencionar “a absoluta feiura do que eles criaram”. Portanto, o ponto criticado é a feiura das construções atuais.
C
Errada
Está errada por inserir uma relação inexistente no texto. O autor não atribui aos arquitetos franceses qualquer “revolta” diante dos pichadores, nem chama a pichação de “obra revolucionária”. Isso é extrapolação: o texto apenas trata, em momentos diferentes, da feiura das construções modernas e da pichação, sem estabelecer essa reação dos arquitetos.
D
Errada
Está errada por dois motivos objetivos. Primeiro, as críticas não são genéricas: elas são específicas e recaem sobre a feiura das construções novas, marcada por “medonho” e “absoluta feiura”. Segundo, o texto não sugere que pichadores substituam arquitetos; essa ideia não aparece e ainda contraria o tom crítico com que a pichação é tratada.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre os dois verbos contrapostos no texto: “restaurar” e “construir”. O autor elogia o primeiro e critica o segundo; quem mistura esses alvos erra a questão.
Dica para questões semelhantes
  • Localize os adjetivos de valor do texto e confirme a que referente eles se ligam.
  • Observe contrastes explícitos, como “restaurar” versus “construir algo novo”, porque eles delimitam o alvo da crítica.
  • Use marcadores temporais, como “desde 1945”, para evitar atribuir a crítica ao período errado.

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