“Se eu disse: ‘lembro-me de ter escrito uma carta a Fulano, ...

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Q2720471 História

“Se eu disse: ‘lembro-me de ter escrito uma carta a Fulano, na semana passada’ – temos uma afirmação da memória, mas não uma afirmação histórica. Todavia, se eu acrescentar: ‘e a minha memória não está a atraiçoar-me, pois tenho aqui a resposta dele’ – então estou a basear, numa prova, uma afirmação acerca do passado. Estou a falar historicamente.”

(Collingwood, 1981:311. Disponível em: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/revista/edicoes/36/art17_36.pdf.)


Sobre a escrita da história e a memória, tendo em vista não apenas a visão do autor em destaque, é correto afirmar que:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a distinção entre memória/testemunho e afirmação histórica baseada em prova: o enunciado contrapõe lembrança subjetiva e conhecimento do passado sustentado por evidência, o que torna correta a alternativa B, por admitir a prevalência de documentação comprovada na crítica historiográfica das fontes.

Tema central: Memória e prova histórica
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por duas razões objetivas. Primeiro, generaliza de modo absoluto ao dizer que todos os fatos históricos são sustentados inequivocamente por provas. Segundo, incorre em contradição ao admitir “provas históricas” mesmo que “não sejam verdadeiras”. Pela base, prova histórica não equivale a verdade automática e exige crítica interna e externa; a simples existência de fonte não demonstra o fato de modo incontestável.
B
Certa
A alternativa B é a única compatível com a ideia de que a história não se confunde com lembrança ou testemunho isolado. O enunciado afirma que se fala historicamente quando a afirmação sobre o passado está apoiada em prova. Disso decorre que o testemunho é fonte possível, mas não absoluta: ele deve ser criticado e confrontado com outras evidências. Assim, quando a documentação é mais robusta e, após crítica e confronto das fontes, prevalece probatoriamente, o testemunho pode deixar de ocupar a posição principal. A redação de B não é a mais técnica possível, mas, entre as opções dadas, é a única que preserva a hierarquização crítica das fontes e o gabarito oficial.
C
Errada
A alternativa torna a cronologia uma condição exclusiva de validade da história, o que é incompatível com a base. A organização cronológica pode existir, mas não é o critério que valida o conhecimento histórico. A historiografia não depende de narrativa apenas linear e cronológica para ser válida; o que decide é a construção crítica baseada em evidências.
D
Errada
A alternativa está errada porque reduz o método histórico a fontes que provam o fato e, além disso, restringe essas fontes às escritas. A base afirma expressamente que a pesquisa histórica trabalha com múltiplas tipologias documentais e vestígios, não apenas textos escritos. Portanto, a exclusividade atribuída às fontes escritas elimina indevidamente fontes orais, visuais, materiais, iconográficas e outras.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre memória/testemunho como fonte possível e memória/testemunho como prova final, além de usar termos absolutos para induzir erro, como se a história dependesse apenas de cronologia ou somente de fontes escritas.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado opuser memória e história, procure a alternativa que introduz prova, crítica e confronto de fontes.
  • Desconfie de palavras absolutas como “todos”, “sempre”, “só”, “somente” e “inequivocamente”, especialmente em teoria da história.
  • Não trate testemunho como fonte inválida nem como prova definitiva: o critério é seu valor probatório após crítica e comparação com outras evidências.

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