A literatura sociolinguística costuma descrever a variação ...
A partir dos trechos a seguir e de acordo com os seus conhecimentos sobre variação linguística e ensino de língua, responda à questão.
“Partimos do pensamento de que o fenômeno “variação linguística” esteve presente em todo o momento da formação e estruturação de nossa língua. A linguística atual revela que uma língua não é homogênea e deve ser entendida justamente pelo que caracteriza o homem – a diversidade, a possibilidade de mudanças. É preciso compreender que tais mudanças, como se pensava no início, não se encerram somente no tempo, mas também se manifestam no espaço, nas camadas sociais e nas representações estilísticas.”
Disponível em:
<https://monografias.brasilescola.uol.com.br/educacao/variacaolinguistica-uma-realidade-nossa-lingua.htm
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Tema central: A questão exige o reconhecimento dos tipos de variação linguística segundo a Sociolinguística, especialmente as noções de variação regional, social, histórica, estilística e contextual.
Explicação didática: Em Sociolinguística, sabemos que a língua é heterogênea e apresenta diferentes formas de uso, dependendo de fatores como região, grupo social, época histórica, contexto comunicativo e grau de formalidade. Cada um destes fatores representa uma variação linguística:
- Diatópica (regional): Diferença conforme a região;
- Diastrática (social): Diferença por classe, idade, sexo, profissão;
- Diacrônica (histórica): Mudanças ao longo do tempo;
- Diafásica (estilística/contextual): Mudanças conforme a situação (formal/informal).
Justificativa da alternativa correta (D): A alternativa D está INCORRETA porque confunde variação estilística com prescrição de regras e exclusividade da norma culta. Variação estilística refere-se à adaptação da linguagem conforme o contexto, não à imposição da norma padrão ou à ideia de certo/errado, mas à capacidade do falante de adequar sua fala ao ambiente (formal ou informal). Autores como Marcos Bagno e Socorro Ribeiro confirmam essa abordagem.
Análise das alternativas incorretas:
- A (Diatópica): Correta – trata da diferença regional/geográfica, como “tangerina” vs. “bergamota”.
- B (Diastrática): Correta – envolve fatores sociais, como escolaridade, profissão, classe social.
- C (Diacrônica): Correta – diz respeito à mudança da língua no tempo, como o português arcaico vs. atual.
- E (Diafásica/Contextual): Correta – refere-se ao uso da língua de acordo com a situação, alternando entre registros formal e informal.
Estratégia para provas: Fique atento a palavras que generalizam (“somente”, “apenas”, “correta pela escola”) e a confusões conceituais: estilística/registro ≠ norma prescrita. Se uma alternativa restringe a variação à norma culta, provavelmente está errada.
Resumo: A única alternativa incompatível com a teoria sociolinguística é D, por limitar a variação ao prescritivismo escolar, ao contrário da diversidade real da língua descrita pela área.
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Segundo Bagno, 2007 (livro Nada na língua é por acaso, grifos no original):
Variação diatópica: é aquela que se verifica na comparação entre os modos de falar de lugares diferentes, como as grandes regiões, os estados, as zonas rural e urbana, as áreas socialmente demarcadas nas grandes cidades etc. O adjetivo DIATÓPICO provém do grego DIÁ-, que significa "através de", e de TÓPOS, "lugar".
Variação diastrática: é a que se verifica na comparação entre os modos de falar das diferentes classes sociais. O adjetivo provém de DIÁ- e do latim STRATUM, "camada, estrato".
Variação diamésica: é a que se verifica na comparação entre a língua falada e a língua escrita. Na análise dessa variação, é fundamental o conceito de gênero textual. O adjetivo provém de DIÁ- e do greto MÉSOS, "meio", no sentido de "meio de comunicação".
Variação diafásica: é a variação estilística que vimos mais acima, isto é, o uso diferenciado que cada indivíduo faz da língua de acordo com o grau de monitoramento que ele confere ao seu comportamento verbal. O adjetivo provém de DIÁ- e do grego PHÁSIS, "expressão, modo de falar".
Variação diacrônica: é a que se verifica na comparação entre diferentes etapas da história de uma língua. As línguas mudam com o tempo (...) e o estudo das diferentes etapas da mudança é de grande interesse para os linguistas. O adjetivo provém de DIÁ- e do grego KHRÓNOS, "tempo".
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