O uso recorrente de formas como “adifício”, “os homis”, “fu...

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Q3917366 Português
Texto 3

Saudosa Maloca


Se o senhor não está lembrado
Dá licença de contar
Que aqui onde agora está
Esse adifício alto
Era uma casa velha, um palacete abandonado
Foi aqui, seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímos nossa maloca
Mas um dia
Nem quero me lembrar
Veio os homis co as ferramentas
Que o dono mandou derrubar
Peguemo tudo a nossas coisas
E fumos pro meio da rua apreciar a demolição
Que tristeza que eu sentia
Cada táuba que caía, doía no coração
Mato Grosso quis gritar
Mas em cima eu falei
Os homis tá ca razão, nós arranja outro lugar
Só se conformemos
Quando o Joca falou
Deus dá o frio conforme o cobertor
E hoje nós pega paia nas grama do jardim
E pra esquecer, nós cantemos assim
Saudosa maloca, maloca querida
Dim, dim, donde nós passemo os dias feliz de nossas
vidas
Saudosa maloca, maloca querida
Dim, dim, donde nós passemo os dias feliz de nossas
vidas
[...]


Adoniran Barbosa. Disponível em
https://www.letras.mus.br/adoniran-barbosa/43969/, acesso
em 13 de dezembro de 2025.
O uso recorrente de formas como “adifício”, “os homis”, “fumos”,“nós cantemos” dentre outras semelhantes, ao longo do texto, contribui para
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A recorrência de “adifício”; “os homis”; “fumos”; “nós cantemos”; “nós pega paia nas grama do jardim” funciona como marca de variação social da língua, isto é, de variedade diastrática, e não como traço de humor, regionalismo ou mudança de meio de transmissão.

Tema central: variação diastrática
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca o fenômeno para variedade diageracional, ligada a idade ou geração, e isso não é marcado no texto. As formas recorrentes caracterizam pertencimento sociocultural e fala popular, não faixa etária das personagens.
B
Errada
Está errada por dois motivos específicos: o efeito principal não é humor voluntário, já que o texto assume tom de perda e melancolia em trechos como “Que tristeza que eu sentia” e “doía no coração”; além disso, a classificação decisiva não é diatópica, mas diastrática, porque a marcação cobrada é social, não geográfica.
C
Errada
Está errada porque não há no texto intenção de simplificar a linguagem para facilitar compreensão. O que há é estilização da fala popular. Também erra ao falar em variedade diamésica: esse tipo de variação diz respeito ao meio de transmissão, enquanto aqui o foco está no valor social das formas usadas.
D
Certa
Está correta porque as formas “adifício”, “os homis”, “fumos”, “nós cantemos”, “nós pega paia”, entre outras, constroem uma voz de fala popular urbana e socialmente marcada. Isso confere autenticidade ao narrador/eu lírico, em vez de reproduzir a norma-padrão.
E
Errada
Está errada porque não há oposição construída entre linguagem poética e linguagem cotidiana por alternância de registro. O texto mantém de forma estável a mesma fala popular ao longo da canção. Portanto, o critério não é diafásico, mas diastrático.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre oralidade representada na escrita e variedade diamésica, além da tendência de tomar formas fora da norma-padrão como humorísticas ou regionais; aqui, porém, o efeito central é a marcação social da fala popular urbana.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado destacar formas recorrentes, procure um efeito estrutural de construção da voz do texto, e não um efeito isolado.
  • Se as marcas linguísticas indicarem pertencimento sociocultural da fala, o eixo é diastrático, não diageracional nem diamésico.
  • Não trate automaticamente desvios da norma-padrão como humor: confirme o efeito pelo tom global do texto.
  • Se o texto mantém o mesmo modo de falar do início ao fim, isso aponta para caracterização estável da voz, não para mudança de registro.

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