Ao afirmar “ainda que eu falasse a língua dos homens e dos ...

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Q3917353 Português
Texto 1 - Monte Castelo


Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece
O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer
[...]
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder
É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor
Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade



Composição: Renato Russo. Coletada de
https://www.letras.mus.br/legiao-urbana/22490/, acesso em 13
de dezembro de 2025.
Ao afirmar “ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos”, a letra constrói um enunciado hipotético que relativiza o valor da palavra. Nesse contexto, a argumentação do eu lírico conduz o leitor à compreensão de que a linguagem 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O trecho decisivo é "Ainda que eu falasse / A língua dos homens / E falasse a língua dos anjos / Sem amor eu nada seria": a concessão apresenta uma hipótese extrema de domínio da linguagem, mas a conclusão a neutraliza ao afirmar que, sem amor, esse domínio não se sustenta.

Tema central: insuficiência da linguagem
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa introduz a ideia de "elevação espiritual", que não é a tese do trecho decisivo. A menção à "língua dos anjos" funciona como hipérbole da potência da linguagem, não como formulação sobre espiritualidade. O texto afirma a insuficiência da linguagem sem amor, e não sua função de elevar espiritualmente.
B
Errada
A alternativa troca o referente específico do texto, "amor", por uma categoria mais ampla e abstrata, "valores éticos". Além disso, fala em "plenitude expressiva", quando o trecho não trata da linguagem atingir seu melhor rendimento, mas de ela não bastar por si só. Há mudança indevida do eixo semântico do texto.
C
Certa
A alternativa C traduz com fidelidade o movimento argumentativo do trecho. O eu lírico formula uma hipótese extrema de domínio da linguagem — humana e angélica — e a subordina à afirmação decisiva "Sem amor eu nada seria". Assim, o texto não exalta a palavra como valor autônomo; mostra que, sem amor, ela perde valor bastante para constituir plenamente o ser ou o sentido afirmado pelo eu lírico.
D
Errada
A alternativa contradiz a hierarquia estabelecida no texto. Em vez de atribuir função primária à linguagem, o trecho a relativiza: mesmo no nível máximo de expressão, ela é anulada sem amor. A referência aos anjos não sustenta primazia da linguagem diante de experiência mística; sustenta justamente o contrário, isto é, que nem essa linguagem superior bastaria.
E
Errada
A alternativa desloca o sentido para a incapacidade humana de nomear o absoluto, tema que não está formulado no trecho. O problema enunciado não é cognitivo nem filosófico sobre o indizível; é afetivo-valorativo: a linguagem, sem amor, é insuficiente. Portanto, essa leitura é inferência não autorizada pelo texto-base.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler "língua dos anjos" como tema espiritual ou místico e, com isso, perder a conclusão que comanda o período: "Sem amor eu nada seria". O verso sobre os anjos intensifica a hipótese; não muda o centro argumentativo, que é a subordinação da linguagem ao amor.
Dica para questões semelhantes
  • Em períodos com "ainda que", localize a conclusão posterior: é ela que define o sentido do enunciado.
  • Quando o texto nomeia um elemento central, como "amor", não o substitua por abstrações mais amplas, como ética ou espiritualidade, sem apoio explícito.
  • Se houver hipérbole, verifique sua função argumentativa antes de tematizá-la literalmente.
  • Em questões interpretativas, distinga exaltação da linguagem de relativização da linguagem por um valor superior.

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