O assunto do texto está sintetizado em:

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q34793 Português
O heroísmo é um dos últimos enigmas do comportamento
humano. Quando se trata de entendê-lo por meio de
explicações racionais, é tão incompreensível quanto sua gêmea
maligna, a brutalidade.
Os psicopatas são mais transparentes do que os heróis.
Pelo menos já descobrimos o que os torna perigosos: sua
incapacidade de sentir qualquer empatia pelos outros. Já o
heroísmo extremo é de difícil explicação científica. Trata-se de
um impulso ilógico que desafia a biologia, a psicologia e o bom
senso. Charles Darwin tinha dificuldades em explicar a ideia de
se expor para salvar a vida de um estranho. "Aquele disposto a
sacrificar a sua vida, como muitos selvagens o fazem, em vez
de trair seus companheiros, frequentemente não deixa
descendentes para herdar sua nobre natureza", observou ele,
que consequentemente não conseguia encaixar o heroísmo na
teoria da sobrevivência do mais forte.
Morrer pelos próprios filhos? Perfeitamente lógico. De
acordo com Darwin, nossa única razão de existir é passar
nossos genes para a próxima geração. Mas, e morrer pelos
outros? Contraproducente. Afinal, não importa quantos heróis
fossem gerados, bastaria uma besta egoísta atleticamente
sexual para minar toda a linhagem heroica. Os filhos dos
egoístas se multiplicariam, enquanto os filhos dos super-heróis
que seguissem o exemplo do superpai se sacrificariam até à
extinção. Não é difícil de entender por que o comportamento
heroico é raro.
Então, se todas as forças evolutivas e consequências
desvantajosas conspiram contra o heroísmo, por que tal comportamento
existe? Segundo o biólogo Lee Dugatkin, o heroísmo,
uma forma de altruísmo, provavelmente data da época em
que vivíamos em tribos nômades, onde as pessoas tinham entre
si alguma conexão familiar. Ao praticar um ato heroico, elas
estariam salvando uma parte de seu material genético.
Estamos cercados de situações que banalizam o mal.
Segundo Hannah Arendt, teórica política alemã, a brutalidade é
disseminada. Gostamos de pensar que a linha entre o bem e o
mal é impermeável, que as pessoas que cometem atrocidades
estão no lado mau, nós no lado bom, e que jamais cruzaremos
a fronteira. Para banalizar o bem, entretanto, precisamos
construir circunstâncias contrárias àquelas que insidiosamente
nos corrompem: uma sociedade detentora de sistemas que
permitam a contestação, a crítica e a verdade. Quem sabe
assim não precisaremos de super-heróis para garantir direitos
básicos de cidadania.
(Andrea Kauffmann Zeh, O Estado de S. Paulo, Aliás, J7, 21 de
junho de 2009, com adaptações)
O assunto do texto está sintetizado em:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: Por se tratar de questão de síntese temática, o critério decisivo é recuperar a ideia nuclear explicitada logo na abertura — “O heroísmo é um dos últimos enigmas do comportamento humano. Quando se trata de entendê-lo por meio de explicações racionais, é tão incompreensível quanto sua gêmea maligna, a brutalidade.” —, que define o assunto global como a dificuldade de explicar racionalmente o heroísmo.

Tema central: heroísmo como enigma
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A acerta porque retoma a tese que organiza o texto inteiro: o heroísmo é apresentado como comportamento humano sem explicação lógica ou racional satisfatória. Essa ideia aparece já no primeiro parágrafo e é confirmada depois em formulações como “o heroísmo extremo é de difícil explicação científica” e “Trata-se de um impulso ilógico”. Mesmo sem reproduzir literalmente a redação do texto, a alternativa preserva o núcleo semântico exigido pela questão de síntese temática.
B
Errada
A alternativa distorce a comparação feita no texto. O enunciado inicial aproxima heroísmo e brutalidade apenas quanto à incompreensibilidade racional; não afirma que o heroísmo extremo seja confundido com a brutalidade de psicopatas. Troca-se uma relação de comparação por uma falsa ideia de confusão entre fenômenos.
C
Errada
A alternativa contradiz a oposição construída no texto. O texto afirma que “Os psicopatas são mais transparentes do que os heróis”, porque já se conhece a origem de sua periculosidade, enquanto o heroísmo permanece de difícil explicação. Portanto, não se pode dizer que heróis e psicopatas apresentem o mesmo tipo de comportamento.
D
Errada
A referência a Charles Darwin funciona como apoio argumentativo dentro de uma discussão mais ampla sobre o heroísmo. A alternativa erra ao reduzir o assunto do texto a esse ponto específico, convertendo um exemplo de desenvolvimento em tema central.
E
Errada
A alternativa introduz afirmação absoluta que o texto não sustenta e ainda inverte seu sentido. O texto diz que o heroísmo, sob lógica evolutiva, parece até desvantajoso e raro, e apresenta apenas uma hipótese para sua existência; não afirma que a sobrevivência da espécie humana só seja explicada pelo comportamento heroico.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tema central e elementos de apoio do texto: psicopatas, Darwin, altruísmo evolutivo e Hannah Arendt aparecem no desenvolvimento, mas o assunto global continua sendo o heroísmo como comportamento de difícil explicação racional.
Dica para questões semelhantes
  • Em perguntas de síntese, procure a tese que abre o texto e verifique se os parágrafos seguintes a desenvolvem.
  • Elimine alternativas que transformem exemplo, comparação ou autoridade citada em assunto principal.
  • Desconfie de opções mais categóricas do que o texto: se o texto problematiza ou hipótese, a síntese não pode virar certeza absoluta.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Heroísmo é atitude sem explicação lógica quando analisado sob a ótica dos impulsos do comportamento humano.

b) O heroísmo extremo é geralmente confundido com a brutalidade manifestada por psicopatas.

"heroísmo extremo é de difícil explicação científica. Trata-se de um impulso ilógico que desafia a biologia, a psicologia e o bom senso".

 

c) Heróis e psicopatas apresentam habitualmente o mesmo tipo de comportamento num mundo incompreensível.

Na verdade apresentam diferentes tipos de comportamento

"Os psicopatas são mais transparentes do que os heróis".

 

d) Charles Darwin falhou em suas explicações para o comportamento heroico apresentado por certas pessoas.

Na verdade Charles Darwin tinha dificuldades em explicar comportamento humano

"Charles Darwin tinha dificuldades em explicar a ideia de se expor para salvar a vida de um estranho".

 

e) A sobrevivência da espécie humana só é explicada pelo comportamento heroico de certos indivíduos.

Na verdade, a sobrevivência da espécie não é explicada pelo comportamento heroico de certos indivíduos nos caso os mais fortes

 "observou ele, que consequentemente não conseguia encaixar o heroísmo na teoria da sobrevivência do mais forte".

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo