Eraldo cometeu infração no exercício de suas atribuições com...
Eraldo cometeu infração no exercício de suas atribuições como tabelião, passível de aplicação da pena de suspensão. Ocorre que tal fato ocorreu há mais de cinco anos, de modo que Eraldo acredita que a pretensão disciplinar está prescrita.
Considerando que a Lei nº 8.935/1994 não estabelece prazos prescricionais no âmbito do processo administrativo disciplinar, é correto afirmar, à luz da orientação do Superior Tribunal de Justiça, que:
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: A Lei nº 8.935/1994 disciplina as penalidades aplicáveis aos notários e oficiais de registro, inclusive a suspensão, mas é omissa quanto ao prazo prescricional da pretensão disciplinar. Nessa hipótese, prevalece a orientação do STJ no RMS 72.379: "Não havendo disciplina na Lei 8.935/1994 acerca do prazo prescricional aplicável às sanções administrativas imputáveis aos notários e oficiais de registro, aplicam-se os prazos fixados na legislação voltada aos servidores estaduais, e não as disposições contidas na Lei 8.112/1990." Assim, a alternativa B é a correta.
- Se a Lei nº 8.935/1994 tratar da infração e da pena, mas não trouxer prazo prescricional, procure a solução jurisprudencial para a lacuna, não um prazo genérico escolhido por intuição.
- Em matéria disciplinar de notários e registradores, a orientação da base é: aplicar a legislação estadual dos servidores públicos civis.
- Não conclua imprescritibilidade a partir de silêncio legal quando a base já indicar critério subsidiário definido pelo STJ.
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Comentários
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A alternativa correta é a letra B. A questão trata sobre infrações de tabeliões.
alternativa A está incorreta. No Direito brasileiro, não existe imprescritibilidade para pretensões punitivas disciplinares. A omissão legal não gera imprescritibilidade.
A alternativa B está correta. Conforme o precedente RMS n. 36.490/PR, aplica-se o estatuto dos servidores públicos estadual. Isso ocorre porque os delegatários exercem função pública e estão sujeitos à fiscalização do Poder Judiciário estadual. (RMS n. 36.490/PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 28/9/2017, DJe de 16/10/2017.)
A alternativa C está incorreta. A Lei de Improbidade Administrativa trata de ilícitos civis/administrativos graves, mas não se aplica automaticamente a qualquer infração disciplinar passível de suspensão.
A alternativa D está incorreta. O Decreto nº 20.910/1932 regula a prescrição contra a Fazenda Pública (ações de cobrança), não a prescrição disciplinar.
A alternativa E está incorreta. O Código Civil regula relações de direito privado, não sendo aplicável para definir prazos disciplinares no serviço público extrajudicial.
Fonte: Estratégia concursos.
A Lei nº 8.935/1994 não prevê prazos prescricionais para o processo administrativo disciplinar aplicável a notários e oficiais de registro. Diante dessa lacuna normativa, formaram-se dois entendimentos distintos:
(i) Conselho Nacional de Justiça (CNJ): defende a aplicação analógica dos prazos prescricionais previstos no art. 142 da Lei nº 8.112/1990, inclusive quanto à regra do §1º, que consagra o princípio da actio nata. Assim, o termo inicial da prescrição da pretensão punitiva disciplinar corresponde à data em que a autoridade competente toma conhecimento do fato.
(ii) Superior Tribunal de Justiça (STJ): entende que devem ser aplicados os prazos prescricionais previstos na legislação estadual pertinente aos servidores públicos, afastando a incidência da Lei nº 8.112/1990.
A Lei nº 8935/94 foi alterada pela Lei nº 15.509, de 2026.
Parágrafo único do artigo 34 agora prevê: A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei prescreverá em 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que tiver cessado a permanência.
Questão desatualizada > Em 21 de setembro de 2026, foi publicada a lei 15.509/2026, que pôs fim à histórica omissão legislativa sobre o tema, ao acrescentar um parágrafo único ao artigo 34 da Lei 8935/94. O dispositivo passou a prever expressamente: "A ação para a aplicação das sanções previstas nesta lei prescreverá em cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que tiver cessado a permanência."
Novo prazo de prescrição na esfera administrativa DISCIPLINAR (extrajudicial, fora do judiciário) para atos irregulares praticados por notários e registradores: 5 anos.
Prazo de prescrição na esfera administrativa SANCIONADORA pela lei de improbidade administrativa - LIA (punição na via judicial, processo ajuizado pelo MP face ao servidor público infrator): 8 anos.
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Para saber qual prazo aplicar em uma prova ou caso prático, você não deve olhar para a palavra "sanção" ou "disciplina", mas sim para onde o processo está correndo e qual é a lei de fundamentação daquela acusação.
Se o processo estiver baseado na lei de improbidade administrativa (LIA), o prazo será de 8 anos. Se for um processo administrativo fundamentado na lei dos cartórios, o prazo será de 5 anos.
O critério definitivo para separar as duas esferas baseia-se nos seguintes pontos:
1. Olhe para a "capitulação legal" (qual lei foi violada?)
• Esfera administrativa disciplinar (5 anos): O ato praticado viola diretamente um dever previsto no art. 30 da lei 8.935/94 (como não manter o livro em ordem, cobrar mais do que a tabela, atrasar repasses ao tribunal, ou faltar com urbanidade).
• Esfera sancionadora da LIA (8 anos): O ato se encaixa perfeitamente em um dos artigos de "tipos" de improbidade da lei 8.429/92:
• Art. 9º: Enriquecimento ilícito (receber propina, usar bens do cartório para fins particulares).
• Art. 10: Prejuízo ao erário (causar lesão financeira efetiva aos cofres públicos).
• Art. 11: Violação aos princípios da administração (fraudar concurso público, violar o dever de honestidade/imparcialidade).
2. Identifique o elemento essencial: O dolo dancionador (desonestidade)
A grande linha divisória que os tribunais usam hoje é a intenção de ser desonesto:
• Se o tabelião errou por desorganização, incompetência, cansaço ou negligência técnica, o ato é estritamente disciplinar (prescreve em 5 anos pela lei 15.509/2026). A LIA proíbe expressamente punir atos de mera incompetência ou "dolo genérico".
• Se o tabelião agiu com dolo específico de fraudar, corromper, desviar ou obter vantagem ilícita, o ato entra na esfera da LIA (prescreve em 8 anos) e tramitará perante um juiz de direito.
Exemplo:
• Caso A: Um tabelião atrasa sistematicamente a entrega de certidões e erra na aplicação de selos de fiscalização por pura desorganização da equipe.
O que é? Infração puramente disciplinar.
Prazo: O tribunal de justiça tem 5 anos para puni-lo.
• Caso B: O mesmo tabelião cobra um valor "por fora" para registrar uma escritura de imóvel que ele sabe ser falsificada, ajudando uma quadrilha de grileiros a lavar dinheiro.
O que é? É infração disciplinar (pois quebra o dever do cargo), mas também é ato de improbidade administrativa (pois há corrupção e desonestidade grave).
• Prazos independentes: A corregedoria do TJ tem 5 anos para demiti-lo pelo PAD. Paralelamente, o MP tem até 8 anos para processá-lo na Justiça com base na LIA para bloquear seus bens e suspender seus direitos políticos.
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