Leia o texto 'O ensino da probabilidade e da estatística'...
Texto para a questão a seguir:
O ensino da probabilidade e da estatística
Por Celi Espasandin, 2008. Trecho adaptado.
O desenvolvimento da estatística e da probabilidade, nas escolas da Educação Básica, tem sido alvo de pesquisas em algumas partes do mundo. Atualmente, observa-se publicações de muitos pesquisadores a respeito do ensino dessas disciplinas, procurando justificar a relevância do assunto dentro do currículo escolar.
De acordo com Shaughnessy (1992, 2007), a pesquisa em estatística tem sido verdadeiramente interdisciplinar. Educadores matemáticos e estatísticos contribuíram amplamente para esse tema nos últimos anos, e o estágio de pesquisa apresenta-se demais eclético para que seja possível uma síntese.
No início dos anos de 1980, Mendoza e Swift (1981) destacaram que a estatística e a probabilidade deveriam ser ensinadas para que todos os indivíduos pudessem ter habilidades úteis para atuarem na sociedade. Atualmente, as propostas curriculares de matemática, em todo mundo, dedicam atenção especial a esses temas, enfatizando que o estudo deles é imprescindível para que as pessoas possam analisar índices de custo de vida, realizar sondagens, escolher amostras e tomar decisões em várias situações do cotidiano.
A competência nos assuntos de estatística e probabilidade permite aos alunos uma sólida base para desenvolverem estudos futuros e atuarem em áreas científicas como a biologia e as ciências sociais, por exemplo. Além disso, ao considerarmos o mundo em rápida mudança como o que estamos vivendo, é imprescindível o conhecimento da probabilidade de ocorrência de acontecimentos para agilizarmos a tomada de decisão e fazermos previsões.
As situações de pesquisa e orientação de professores no que se refere ao ensino da estatística e da probabilidade na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio contribuem para o desenvolvimento da capacidade de crítica e a autonomia dos alunos para que eles exerçam plenamente sua cidadania, ampliando suas possibilidades de êxito na vida pessoal e profissional. É claro que apenas o estudo desses temas não é suficiente, mas sem dúvida permite ao estudante desenvolver habilidades essenciais, como a análise crítica e a argumentação. Tais assuntos são tão importantes no currículo de matemática da Educação Básica quanto o estudo da geometria, da álgebra ou da aritmética que, trabalhadas significativamente, também contribuem para essa formação.
Não basta ao cidadão entender as porcentagens expostas
em índices estatísticos, como o crescimento populacional,
taxas de inflação, desemprego... É preciso analisar e
relacionar criticamente os dados apresentados,
questionando e ponderando até mesmo sua veracidade.
Assim como não é suficiente ao aluno desenvolver a
capacidade de organizar e representar uma coleção de
dados, faz-se necessário interpretar e comparar esses dados
para tirar conclusões. Dessa forma, é possível termos
cidadãos mais atuantes e interessados com os temas
críticos da nossa sociedade.
I. As situações de pesquisa e orientação de professores no que se refere ao ensino da estatística e da probabilidade na Educação Básica contribuem para o desenvolvimento da capacidade de crítica e a autonomia dos alunos, de acordo com o texto.
II. A proposta central do texto é a de que o ensino da probabilidade e da estatística é tão importante no currículo da Educação Básica que se sobrepõe ao estudo da geometria, da álgebra e até mesmo da aritmética.
III. A autora do texto defende a ideia de que a capacidade de analisar e de relacionar criticamente os dados apresentados, fazer questionamentos e, até mesmo, ponderar sua veracidade, são habilidades relevantes que podem ser desenvolvidas com o correto ensino e aprendizagem da probabilidade e da estatística.
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Comentário da Questão – Interpretação de Textos
Tema central: A questão avalia interpretação de texto, exigindo a capacidade de identificar ideias centrais, distinguir opiniões do autor e analisar relações de sentido (coerência e coesão).
Estratégia de resolução: Ao ler enunciados e afirmativas, busque palavras-chave e termos modais (como “mais importante”, “imprescindível”, “tão relevante quanto”) que alteram o sentido das frases. Análise se as afirmativas correspondem literalmente ao conteúdo do texto ou se extrapolam ideias, promovendo generalizações ou distorções.
Análise das afirmativas:
I. Correta. O texto afirma expressamente que pesquisas e orientação no ensino de estatística e probabilidade “contribuem para o desenvolvimento da capacidade de crítica e a autonomia dos alunos”. Portanto, há coerência entre o enunciado da afirmativa e a ideia original.
II. Incorreta. Atenção estratégica: o texto não afirma que probabilidade e estatística se sobrepõem à geometria, álgebra ou aritmética. Pelo contrário, enfatiza que esses conteúdos são igualmente importantes (“tais assuntos são tão importantes […] quanto o estudo da geometria, da álgebra ou da aritmética”). Neste ponto, cai uma pegadinha de supervalorização.
III. Correta. A autora defende, sim, que a capacidade de analisar criticamente dados e ponderar veracidade são habilidades desenvolvidas com o ensino adequado de probabilidade e estatística, fundamentando-se no trecho: “é preciso analisar e relacionar criticamente os dados apresentados, questionando e ponderando até mesmo sua veracidade”. Há fidelidade ao texto.
Resposta correta: C) Apenas duas afirmativas estão corretas.
Dica para provas: Sempre confronte cada afirmativa com trechos explícitos do texto. Evite deixar que inferências vagas ou exageros conduzam sua resposta — atente a absolutos e comparativos!
Referência: Koch & Travaglia, A Coerência Textual — textos coesos e coerentes exigem leitura atenta às relações lógicas e semânticas entre ideias.
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