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Q1883738 Português

Texto para a questão a seguir:

Matemática Financeira no Ensino Fundamental

Por Cristiane Almeida, 2018. Trecho adaptado.


Desde muito jovem, eu acredito que saber lidar com recursos financeiros é uma habilidade fundamental para qualquer pessoa em nossa sociedade. Os conhecimentos da Matemática Financeira, nesse sentido, são certamente fundamentais para a formação de cidadãos críticos e conscientes de seus direitos e deveres. Saber lidar com dinheiro, em suma, é essencial.


Mesmo atualmente, me parece pouco comum vermos as crianças terem aulas de educação financeira na Educação Básica. Para mim, julgo necessário que os conteúdos de Matemática Financeira sejam iniciados desde as primeiras séries do Ensino Fundamental. Essa abordagem, é claro, deve ser iniciada explorando o lúdico, as simulações de compras e vendas, o preenchimento de cheques (uma tecnologia em decadência), as histórias em quadrinhos, as teatralizações etc.


Lembro-me de ter realizado uma grande quantidade de exercícios de Matemática no Ensino Fundamental e, na minha perspectiva, eles pareciam não ter uma aplicação real nos problemas do dia a dia. Na verdade, essa experiência apenas diminuía a minha motivação pelo estudo dessa disciplina, pois enfatizavam a repetição e a realização de cálculos desassociados de situações reais, do meu dia a dia.


Os cadernos com centenas de contas com frações, números decimais, expressões imensas e totalmente fora de qualquer contexto pareciam uma grande perda de tempo aos olhos de uma criança que queria se divertir, crescer e entender o mundo ao seu redor. Por que não atrelar esses cálculos às situações retiradas do cotidiano das pessoas? Por que não transformar uma conta do tipo 35,60 x 0,90 numa compra com um desconto de 10%? Por que não mostrar que uma multiplicação do tipo 46,80 x 1,10 pode ser o cálculo do pagamento de um restaurante com o acréscimo de 10% da gorjeta do garçom?


Recentemente, tive a oportunidade de ler “Educação Matemática Crítica: Uma Questão de Democracia” e percebi que tenho uma grande afinidade com as ideias de Ole Skovsmose. Esse autor defende a ideia de que a matemática é muito mais do que uma ciência exata, pois trata-se de um recurso para entender o mundo e lidar com problemas reais.


Dentro de sua obra, Skovsmose nos faz analisar as razões dos investimentos em sistemas educacionais e a essencialidade da Matemática nesses sistemas. Ele diz que o ensino da Matemática, a depender da forma como é abordado, pode agir para o bem, ajudando a formar cidadãos críticos; ou para o mal, excluindo as pessoas da sociedade e das situações nas quais os conhecimentos numéricos são relevantes para a tomada de decisões.


Skovsmose acha necessário que a educação matemática possibilite ao aluno pensar criticamente por meio da Matemática, já que a sociedade está cada vez mais matematizada. Ele fala da matemática “em ação”, afirmando que as pessoas que praticam a matemática têm atitudes dominantes e decisivas ao tomarem decisões.


Ao longo do seu livro, Skovsmose reforça a ideia de que o conhecimento matemático pode tornar o cidadão crítico e menos suscetível a diversas situações do seu cotidiano que podem prejudicar a sua vida. Toda a discussão desenvolvida por Skovsmose na sua obra ultrapassa as concepções matemáticas de muitos professores, conduzindo-nos a uma reflexão acerca de sua importância na sociedade moderna.


Esse importante autor dinamarquês defende a relevância de se perceber, por exemplo, que: [...] as questões econômicas por trás das fórmulas matemáticas e os problemas matemáticos devem ter significado para o aluno e estar relacionados a processos importantes da sociedade. Assim, o aluno tem um comprometimento social e político, pois identifica o que de fato é relevante no seu meio cultural”.  

Leia o texto 'Matemática Financeira no Ensino Fundamental' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. O texto apresenta ao leitor uma perspectiva dicotômica sobre o ensino da Matemática, ao argumentar que, a depender da forma como é abordado, ele pode ajudar a formar cidadãos críticos e pode, também, excluir as pessoas das situações nas quais os conhecimentos numéricos são relevantes para a tomada de decisões.

II. Aos olhos de uma criança, os cadernos com centenas de contas com frações e números decimais – totalmente fora de qualquer contexto – pareciam uma grande perda de tempo, afirma a autora do texto em análise.

III. Uma das ideias defendidas por Cristiane, no texto, é a de que os conhecimentos da Matemática Financeira contribuem para a formação de cidadãos críticos e conscientes de seus direitos e deveres. Para a autora, saber lidar com dinheiro é essencial.

Marque a alternativa CORRETA: 
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Gabarito: D – Todas as afirmativas estão corretas.

Tema central: A questão exige interpretação de texto, com foco em coerência e coesão textual, habilidades essenciais em provas para Professor - Matemática. O candidato deve identificar ideias centrais, argumentos do autor e a ligação lógica entre as informações.

Justificativa da alternativa correta:

Para afirmar a correção de cada item, aplicamos os princípios da Leitura Atenta, dos elementos coesos e da coerência lógica:

I. O texto apresenta sim uma perspectiva dicotômica: pode formar cidadãos críticos ou excluir socialmente, conforme abordagem. A autora cita Skovsmose, que ressalta justamente esses dois possíveis impactos do ensino da Matemática — interpretação direta do trecho “pode agir para o bem... ou para o mal...”.
II. A autora relata, explicitamente, que os cadernos repletos de exercícios descontextualizados pareciam uma grande perda de tempo para uma criança. Essa afirmação está fundamentada pelo trecho: “pareciam uma grande perda de tempo aos olhos de uma criança...”.
III. Defende-se, desde a introdução do texto, que a Matemática Financeira forma cidadãos críticos e que saber lidar com dinheiro é essencial. Essa ideia é repetida e aprofundada ao longo do texto.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Incorrecta porque todas as afirmativas estão alinhadas ao texto.
  • B) Incorrecta porque há mais de uma afirmativa correta.
  • C) Incorrecta porque as três afirmativas refletem fielmente o conteúdo do texto.

Estratégias para acertar questões desse tipo:

Leia cada assertiva buscando no texto as palavras-chave e os conectivos que as confirmem. Compare se o sentido foi preservado — cuidado com trocas de “alguns” por “todos” ou negações sutis. Se necessário, volte ao parágrafo base da ideia.

Referências: BECHARA, Evanildo; CUNHA & CINTRA. Foque em coesão e coerência, centrais para provas de interpretação, conforme indicam essas gramáticas.

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