Sobre os achados radiológicos nos tumores esofágicos, assina...
Gabarito comentado
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Tema central: interpretação dos principais achados de imagem nos tumores esofágicos (radiografia contrastada, TC, ultrassonografia endoscópica/EUS, PET/TC e cápsula). O objetivo é reconhecer quais métodos indicam estadiamento e quais sugerem malignidade.
Gabarito: D — Na ultrassonografia endoscópica (EUS), a invasão da muscular própria define pelo menos T2 no TNM, caracterizando doença além do “precoce” (T1a/mucosa; T1b/submucosa). A partir de T2, geralmente há indicação de tratamento multimodal (quimiorradioterapia neoadjuvante + cirurgia) e pior prognóstico, logo é um sinal de doença avançada. A EUS é o melhor método para avaliar profundidade de invasão (T) e linfonodos regionais (N). Referências: UpToDate; NCCN Esophageal and EGJ Cancers; AJCC 8ª ed.; Harrison’s.
Por que as demais estão incorretas?
A) O esofagograma com bário mostra alterações luminais (estreitamentos irregulares, “shouldering”, defeitos de enchimento) que sugerem neoplasia. Porém, ele não avalia diretamente “espessamento da parede”; isso é melhor caracterizado por TC. O enunciado mistura conceito correto (irregularidade sugere neoplasia) com um achado que não é próprio do método.
B) Na TC, infiltração do mediastino adjacente e adenomegalias são achados de doença avançada, não “precoces”. Lesões iniciais podem nem ser detectadas na TC. A TC é excelente para avaliação de extensão local avançada, linfonodos e metástases, mas pouco sensível para T precoce. (NCCN; UpToDate)
C) A cápsula endoscópica não é método de escolha para esôfago. E nódulo/úlcera não são patognomônicos de carcinoma: esofagite, úlcera por refluxo, infecções e lesões benignas podem simular. O diagnóstico é endoscópico com biópsia. “Patognomônico” é palavra-iscas de prova. (ESGE/ASGE)
E) Na PET/TC com 18F-FDG, tumores malignos tendem a ter maior captação e muitas vezes heterogênea (necrose, hipercelularidade), enquanto lesões benignas costumam ter captação baixa ou ausente, salvo inflamatórias. Portanto, heterogeneidade favorece malignidade, não benignidade. (ACR; UpToDate)
Estratégia de prova: desconfie de termos absolutos como “patognomônico” e de qualificações temporais inadequadas como “precoces” quando o achado é tipicamente tardio. Associe cada método ao seu ponto forte: EUS → profundidade (T) e linfonodos; TC → extensão local e metástases; PET/TC → doença metabólica/oculta; bário → morfologia luminal; biópsia endoscópica → confirmação.
Fontes úteis: UpToDate (Clinical staging of esophageal cancer); NCCN Guidelines Esophageal/EGJ Cancers; AJCC 8ª ed.; Harrison’s Principles of Internal Medicine; ESGE/ASGE sobre EUS.
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