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Ano: 2026
Banca:
AMEOSC
Órgão:
Prefeitura de Guaraciaba - SC
Prova:
AMEOSC - 2026 - Prefeitura de Guaraciaba - SC - Assistente Social – PAIF (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família) |
Q4323095
Não definido
Texto associado
Leia o texto a seguir.
No poema "Pronominais", de 1925, Oswald de Andrade
registrava que o brasileiro tinha duas formas de pedir um
cigarro: os letrados dizem "dê-me um cigarro" e "o bom
negro e o bom branco" falam "me dá um cigarro". Em
sua pesquisa de pós-doutorado apresentada no
Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade
Federal do Paraná (UFPR), o pesquisador Marcelo
Limeira dos Anjos endossa a constatação de que as
regras de colocação pronominal do português brasileiro
têm raízes no uso da linguagem como critério de
diferenciação de classes. Mais: além da origem classista,
a história da norma sugere que outros fatores, como
questões políticas e até inimizades entre autores,
ajudam a explicar o porquê de o país ter regras tão
rígidas no posicionamento de pronomes oblíquos átonos
(me, te, se, o, a, lhe, nos, vos e seus eventuais plurais)
frente a verbos.
A pesquisa, que segue perspectiva linguística, destaca o
fato de, apesar da falta de consenso entre os teóricos
sobre essas normas, em geral a gramática brasileira
mais disseminada trazer obrigações quanto à colocação
de pronomes, o que não ocorre da mesma forma na
gramática portuguesa. "O tema não atormenta os
portugueses como aos brasileiros. Em tese, até mesmo a
proibição do pronome em início de oração só faz sentido
para nós", diz Anjos.
Entre esses impeditivos mencionados pelo pesquisador
está o uso do pronome antes do verbo (próclise) em
início de frase, que inspirou Oswald de Andrade. Outro é
a "atração" que certas palavras, como os advérbios ou
as de sentido negativo, exerceriam sobre o pronome, o
que forçaria a próclise, como em "nunca te vi", em
oposição a "nunca vi-te".
Anjos estudou a história das regras de colocação
pronominal e concluiu que a maioria delas foi inventada
e, depois de levantadas em discussões intelectuais,
acabou imposta pelo ensino formal. Na historiografia
levantada pela pesquisa, consta que as gramáticas do
século XVIII, por exemplo, apenas citavam a existência
da próclise e da ênclise.
Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colocação pronominal.
Ciência UFPR. Disponível em:
https://ciencia.ufpr.br/portal/colocacao-pronominal/
Leia o trecho: "A pesquisa, que segue perspectiva
linguística, destaca o fato de, apesar da falta de
consenso entre os teóricos sobre essas normas, em
geral a gramática brasileira mais disseminada trazer
obrigações quanto à colocação de pronomes, o que não
ocorre da mesma forma na gramática portuguesa."
Considerando o emprego da pontuação no período,
assinale a alternativa correta.