A construção textual “E, aliás, gosto dos epitáfios; eles sã...

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Ano: 2019 Banca: IDECAN Órgão: IF-PB Prova: IDECAN - 2019 - IF-PB - Professor - Física |
Q2006268 Português
TEXTO PARA AS QUESTÃO
FILOSOFIA DOS EPITÁFIOS

          Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum (*); parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos. 


(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
A construção textual “E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo (...)”(linhas 2 e 3) constrói-se por meio de recurso de ironia, o que gera, no contexto apresentado, uma crítica  
Alternativas

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Comentário da questão – Interpretação de Texto / Figuras de Linguagem / Crítica Filosófica

1. Tema central: A questão aborda interpretação de texto, com foco em figura de linguagem (ironia) e identificação do tipo de crítica presente no trecho selecionado.

2. Justificativa da alternativa correta (C):

A alternativa C) predominantemente filosófica acerca da função dos epitáfios está correta porque o autor, Machado de Assis, faz uso de ironia (expediente em que se afirma o contrário do que realmente se pensa), afirmando “gosto dos epitáfios”, mas logo em seguida revela que tais inscrições funerárias são expressão de um “pio e secreto egoísmo”. Esse comentário não é um ataque social direto nem dogmático; trata-se de uma reflexão sobre a natureza humana diante da morte e da memória, ou seja, um questionamento sobre o sentido e a “função” dos epitáfios – que são, do ponto de vista filosófico, mais uma forma de lidar com a própria existência e a consciência finita.

Pelos parâmetros da gramática normativa (Cunha & Cintra, Bechara), a ironia é classificada como figura de linguagem que veicula crítica, julgamento ou desconstrução de conceito aparentemente aceito. O trecho analisa motivações humanas e, conforme Severino (2007), isso é típico da crítica filosófica – reflexão sobre valores e sentidos, e não apenas um juízo social.

3. Análise das alternativas incorretas:

  • A) “exclusivamente social acerca da inutilidade dos epitáfios” – Incorreta. O texto não classifica os epitáfios como inúteis, nem restringe a crítica ao campo social.
  • B) “predominantemente dogmática acerca da inexistência dos epitáfios” – Incorreta. Não há discussão religiosa nem negação da existência dos epitáfios.
  • D) “exclusivamente epistemológica acerca da inutilidade dos epitáfios” – Incorreta. Epistemologia consiste na teoria do conhecimento, o que não está presente no texto. Além disso, o foco nunca é a “inutilidade”.
  • E) “exclusivamente social acerca da função dos epitáfios” – Incorreta. Embora haja dimensão social, o teor filosófico da reflexão é mais marcante.

4. Estratégias de interpretação:

Observe sempre se o texto propõe uma reflexão existencial (filosófica) ou apenas social. Atenção a palavras como “egoísmo”, “sombra”, “ expressão”, pois são chaves interpretativas. Cuidado com alternativas que restringem indevidamente o foco da crítica (exemplo: “exclusivamente social”).

Dica: Em provas, leia além da superfície: identifique se o texto propõe reflexão profunda sobre o ser, sentido ou valores – o que caracteriza a abordagem filosófica.

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Comentários

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GAB; C

Machado de Assis usa os epitáfios para revelar uma crítica filosófica ao comportamento humano diante da morte. Ao dizer que são “uma expressão daquele pio e secreto egoísmo”, ele nos provoca a pensar sobre o desejo humano de permanecer na memória, mesmo depois de partir. Não se trata apenas de um comentário social — é um mergulho existencial sobre como lidamos com a finitude.

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