Homem de 77 anos, previamente funcional, é internado por ins...

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Ano: 2026 Banca: UERJ Órgão: UERJ Prova: UERJ - 2026 - UERJ - Médico - Psiquiatria |
Q4039914 Psiquiatria
Homem de 77 anos, previamente funcional, é internado por insuficiência cardíaca descompensada. No terceiro dia de internação, passa a apresentar redução acentuada da iniciativa, sonolência diurna, hipotenacidade, alentecimento do pensamento e períodos de confusão mental flutuante, sem agitação evidente. A equipe descreve o paciente como “quieto demais”. Está em uso de furosemida, digoxina, morfina em dose baixa e recebeu benzodiazepínico para insônia na noite anterior. Os exames mostram hiponatremia (129mEq/L) e função renal limítrofe. O diagnóstico e a conduta adequada, respectivamente, são:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O decisivo foi reconhecer, no terceiro dia de internação, um quadro agudo e flutuante de confusão mental, sonolência, hipoatividade e lentificação em idoso com hiponatremia, função renal limítrofe e exposição recente a benzodiazepínico e morfina. Esse padrão aponta para delirium hipoativo e conduz ao gabarito B.

Tema central: Delirium hipoativo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o quadro não se comporta como episódio depressivo maior como explicação principal: ele surgiu de forma aguda no contexto da internação e apresenta flutuação e confusão mental, achados que apontam para delirium. Além disso, manter benzodiazepínico é inadequado, porque esse medicamento figura entre os possíveis precipitantes ou agravantes do quadro.
B
Certa
A alternativa B está certa porque o quadro descrito corresponde ao padrão clínico de delirium hipoativo: instalação aguda durante a internação, curso flutuante, alteração do estado mental com sonolência, redução da iniciativa, lentificação do pensamento e confusão, tudo isso em contexto de múltiplos fatores precipitantes orgânicos e iatrogênicos. A conduta inicial adequada em delirium é causal e de suporte: rever e suspender fármacos potencialmente envolvidos, corrigir distúrbios metabólicos e adotar medidas ambientais de reorientação. A ausência de agitação não afasta delirium; aqui, ela favorece justamente a forma hipoativa.
C
Errada
Está errada porque demência não se diagnostica a partir de instalação aguda no terceiro dia de internação com flutuação importante do estado mental. O critério decisivo é o contraste entre curso crônico/progressivo esperado na demência e o padrão confusional agudo descrito; por isso, não há base para iniciar inibidor da acetilcolinesterase nesse evento.
D
Errada
Está errada porque o enunciado não sustenta priorizar pseudodemência ou depressão nem postergar intervenções clínicas. Diante de síndrome confusional aguda em paciente hospitalizado, com precipitantes médicos e medicamentosos identificáveis, a prioridade é corrigir as causas clínicas imediatamente, e não iniciar ISRS como medida principal.
Pegadinha da questão
A confusão real era tomar apatia, lentificação e ausência de agitação como depressão, quando o dado decisivo era a instalação aguda e flutuante em idoso internado, típica de delirium hipoativo.
Dica para questões semelhantes
  • Em idoso hospitalizado, início agudo e flutuação do estado mental pesam a favor de delirium, mesmo sem agitação.
  • Sonolência, apatia e lentificação não excluem delirium; podem indicar sua forma hipoativa.
  • Na presença de distúrbio metabólico e fármacos potencialmente precipitantes, a primeira conduta é revisar causas e corrigi-las.
  • Não priorize antidepressivo, benzodiazepínico ou investigação de demência quando o padrão clínico for de confusão aguda flutuante.

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