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Q3194740 Português
Texto para responder à questão.

O açúcar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.


Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar,
não foi feito por mim.


Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
dono da mercearia.
Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.


Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não crescem por acaso
no regaço do vale.
Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos vinte e sete anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.


Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.


(GULLAR, F. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-228.)
O poema apresenta uma reflexão crítica sobre:
Alternativas

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Comentário da Questão – Interpretação de Texto Poético

Tema Central: Esta questão explora interpretação de texto, com ênfase na leitura crítica e identificação do tema central em texto poético. Segundo a norma-padrão e autores como Bechara, a leitura de poemas exige captar tanto o explícito quanto o implícito: reconhecer críticas sociais sutis (ou nem tão sutis) e analisar seus elementos simbólicos.

Análise da Alternativa Correta (D): O poema conduz o leitor a refletir sobre a origem do açúcar usado para adoçar o café, detalhando etapas da cadeia produtiva e evidenciando as duras condições sociais dos trabalhadores (pessoas que “não sabem ler e morrem de fome aos vinte e sete anos”).

A resposta correta, D) “A cadeia produtiva e as condições sociais envolvidas na produção do açúcar”, é justificada porque o texto mostra o percurso do açúcar até a mesa e denuncia a exploração e precariedade da base produtiva, construindo uma reflexão crítica.

Estratégia de Interpretação: Identifique palavras e versos-chave (“homens de vida amarga”, “não sabem ler e morrem de fome”). Observe também o recurso da antítese, comum em poesia, para destacar o contraste entre o “açúcar puro” e a “vida amarga” de seus produtores.

Análise das Alternativas Incorretas:

  • A) O poema não discute valor nutritivo, mas sim o processo social da produção.
  • B) A importância do café é apenas o ponto de partida para a reflexão, não o objeto de crítica do texto.
  • C) O dono da mercearia aparece, mas o poema não centraliza sua função na distribuição de produtos, e sim nas origens do açúcar e nos seus produtores.

Dicas para Provas Futuras: Busque sempre o tema subjacente. Em poesias, raramente o assunto central está na superfície. Preste atenção a conotações sociais, expressões de contraste e ao percurso do objeto central no texto.

Conforme Cunha & Cintra, a coerência textual é fundamental: todas as informações do poema convergem para criticar as condições dos trabalhadores, não para descrever aspectos técnicos ou triviais do açúcar ou do café.

Conclusão: A melhor estratégia é não se prender ao sentido literal e sempre perguntar: Qual crítica ou reflexão o autor quer induzir? Assim, você terá mais segurança na escolha correta!

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