Há utilização de linguagem figurada neste comentário sobre o...
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
[Em busca da origem da desigualdade social]
A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.
Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.
No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?
No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)
Gabarito comentado
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: O comando pede identificar linguagem figurada no comentário sobre o texto. Em "Em busca da origem da desigualdade social", a alternativa B é a única que usa imagem concreta para tratar de tema abstrato: "escavar as raízes" metaforiza a investigação das origens da desigualdade social, atendendo ao critério decisivo e justificando o gabarito B.
- Leia primeiro o comando: se ele pede linguagem figurada, o critério decisivo não é a alternativa mais fiel ao conteúdo, mas a que usa sentido não literal.
- Procure transposição de vocabulário concreto para ideia abstrata; aqui, "escavar" e "raízes" são imagens materiais aplicadas a processo social.
- Não descarte a metáfora só porque o texto menciona arqueologia; o figurado pode estar no comentário da alternativa, não no texto-base em si.
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Comentários
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Letra B - Os pesquisadores buscaram escavar as raízes do processo de desigualdade social.
Nesse contexto, "escavar" e "raízes" não estão sendo usados em seu sentido literal (arqueologia ou botânica), mas sim como uma metáfora para indicar a origem ou a causa base da desigualdade social.
GAB B - Denotação vs. Conotação
- Denotação: É o sentido do "Dicionário" (literal). Ex: "As raízes da árvore são profundas".
- Conotação: É o sentido "Criativo" (figurado). Ex: "As raízes do problema são profundas".
BIZU CRISTÃO: “Eu sou a videira, vós, os ramos...” João 15:5
Jesus era o mestre em utilizar a linguagem figurada (parábolas e metáforas) para explicar verdades espirituais profundas. Ao se chamar de "videira", Ele não estava dizendo que era uma planta, mas usando a imagem da "raiz" e do "caule" para mostrar que a nossa vida e força dependem exclusivamente da nossa conexão com Ele. Assim como os pesquisadores da questão buscam as "raízes" da desigualdade, nós devemos buscar as nossas raízes nAquele que nos sustenta.
Famosa: "For Free..."
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