Mauro, procurador do município Delta, foi questionado pelo S...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2346674 Direito Administrativo

Mauro, procurador do município Delta, foi questionado pelo Secretário Municipal da Saúde se estaria no âmbito de suas atribuições profissionais promover a defesa de autoridades competentes e servidores públicos que tenham cometido irregularidades no curso de procedimentos licitatórios, quando atuarem em consonância com o parecer do assessoramento jurídico elaborado ao final da fase preparatória.



Diante dessa situação hipotética, à luz do disposto na  Lei nº 14.133/2021, Mauro respondeu corretamente que, a critério do agente público, a advocacia pública municipal 

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: A Lei nº 14.133/2021, art. 10, § 1º, caput e inciso II, estabelece: “§ 1º Não se aplica o disposto no caput deste artigo quando: II - provas da prática de atos ilícitos dolosos constarem nos autos do processo administrativo ou judicial.” Assim, mesmo que os agentes tenham observado estritamente o parecer jurídico, a existência dessas provas nos autos afasta a representação prevista no art. 10, exatamente como afirma a alternativa E.

Tema central: Representação de agentes públicos
Análise das alternativas
A
Errada
A negativa absoluta contraria a regra de representação expressamente prevista na Lei nº 14.133/2021, art. 10, caput: “Art. 10. Se as autoridades competentes e os servidores públicos que tiverem participado dos procedimentos relacionados às licitações e aos contratos de que trata esta Lei precisarem defender-se nas esferas administrativa, controladora ou judicial em razão de ato praticado com estrita observância de orientação constante em parecer jurídico elaborado na forma do § 1º do art. 53 desta Lei, a advocacia pública promoverá, a critério do agente público, sua representação judicial ou extrajudicial.” Portanto, satisfeitos os requisitos legais e ausente a exceção examinada, a representação deve ser promovida a critério do agente público.
B
Errada
A expressão “em qualquer hipótese” ignora a exceção do art. 10, § 1º, II, relativa às provas de ilícitos dolosos nos autos. Além disso, permanecer no cargo, emprego ou função não é requisito: a Lei nº 14.133/2021, art. 10, § 2º, dispõe: “§ 2º Aplica-se o disposto no caput deste artigo inclusive na hipótese de o agente público não mais ocupar o cargo, emprego ou função em que foi praticado o ato questionado.”
C
Errada
A exclusão da esfera judicial contraria expressamente o art. 10, caput, que abrange a defesa nas esferas administrativa, controladora e judicial e prevê representação judicial ou extrajudicial.
D
Errada
A atuação em desacordo com o parecer não satisfaz o requisito do art. 10, caput: o ato questionado deve ter sido praticado com estrita observância da orientação constante no parecer jurídico indicado pelo dispositivo. Por isso, o artigo não assegura representação na hipótese descrita pela alternativa.
E
Certa
A alternativa E está correta porque identifica a exceção expressa do art. 10, § 1º, II: provas da prática de atos ilícitos dolosos constantes dos autos administrativos ou judiciais afastam a representação pela advocacia pública prevista nesse artigo. A observância do parecer jurídico não neutraliza essa exceção. O critério legal é a presença dessas provas nos autos, não a simples menção a irregularidades nem a existência de condenação definitiva.
Pegadinha da questão
Confundir a observância do parecer jurídico com garantia incondicional de defesa. A irregularidade genericamente mencionada não afasta automaticamente a representação, mas provas de atos ilícitos dolosos nos autos acionam a exceção legal, mesmo que o parecer tenha sido observado.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique o requisito de estrita observância da orientação constante do parecer jurídico e, separadamente, a existência de provas de ilícitos dolosos nos autos.
  • Não exclua a esfera judicial: o art. 10 abrange defesa administrativa, controladora e judicial.
  • Não exija permanência no cargo, emprego ou função: o § 2º estende a regra a quem já deixou a posição em que praticou o ato.
  • Limite a conclusão à representação prevista no art. 10; a exceção não permite afirmar uma proibição de toda assistência jurídica fundada em outras normas.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

GABARITO E - LEI 14133 (LICITAÇÕES)

"Art. 10. Se as autoridades competentes e os servidores públicos que tiverem participado dos procedimentos relacionados às licitações e aos contratos de que trata esta Lei precisarem defender-se nas esferas administrativa, controladora ou judicial em razão de ato praticado com estrita observância de orientação constante em parecer jurídico elaborado na forma do § 1º do art. 53 desta Lei, a advocacia pública promoverá, a critério do agente público, sua representação judicial ou extrajudicial. § 1º Não se aplica o disposto no caput deste artigo quando: II - provas da prática de atos ilícitos dolosos constarem nos autos do processo administrativo ou judicial. § 2º Aplica-se o disposto no caput deste artigo inclusive na hipótese de o agente público não mais ocupar o cargo, emprego ou função em que foi praticado o ato questionado."

Mauro, procurador do município Delta, foi questionado pelo Secretário Municipal da Saúde se estaria no âmbito de suas atribuições profissionais promover a defesa de autoridades competentes e servidores públicos que tenham cometido irregularidades no curso de procedimentos licitatórios, quando atuarem em consonância com o parecer do assessoramento jurídico elaborado ao final da fase preparatória. Diante dessa situação hipotética, à luz do disposto na Lei nº 14.133/2021, Mauro respondeu corretamente que, a critério do agente público, a advocacia pública municipal 

A não deve promover a defesa de tais agentes em nenhuma hipótese. 

B deve promover a defesa de tais agentes, em qualquer hipótese, se ainda estiverem em atividade, ocupando o cargo, emprego ou função em que foi praticado o ato questionado. 

Estando ou não em atividade o servidor será representado pela PGM desde que se haja fundado em parecer (art. 10, caput e § 2º).

C deve promover a defesa de tais agentes, exclusivamente, nas searas administrativa e controladora, mas não na esfera judicial. 

Inclusive na judicial.

D deve promover a defesa de tais agentes, ainda que tenham atuado em desacordo com o aludido parecer jurídico. 

E não deve promover a defesa de tais agentes quando provas da prática de atos ilícitos dolosos constarem dos autos de processo administrativo ou judicial. 

Gabarito. Mesmo em conformidade com parecer, o § 1º do art. 10 não admite defesa do servidor pela PGM quando provada ilicitude dolosa.

Art. 10, Lei nº 14.133/2021 - Se as autoridades competentes e os servidores públicos que tiverem participado dos procedimentos relacionados às licitações e aos contratos de que trata esta Lei precisarem defender-se nas esferas administrativa, controladora ou judicial em razão de ato praticado com estrita observância de orientação constante em parecer jurídico elaborado na forma do , a advocacia pública promoverá, a critério do agente público, sua representação judicial ou extrajudicial.

§ 1º Não se aplica o disposto no caput deste artigo quando:

II - provas da prática de atos ilícitos dolosos constarem nos autos do processo administrativo ou judicial.

§ 2º Aplica-se o disposto no caput deste artigo inclusive na hipótese de o agente público não mais ocupar o cargo, emprego ou função em que foi praticado o ato questionado.

LEI 14133

"Art. 10. Se as autoridades competentes e os servidores públicos que tiverem participado dos procedimentos relacionados às licitações e aos contratos de que trata esta Lei precisarem defender-se nas esferas administrativa, controladora ou judicial em razão de ato praticado com estrita observância de orientação constante em parecer jurídico elaborado na forma do § 1º do art. 53 desta Lei, a advocacia pública promoverá, a critério do agente público, sua representação judicial ou extrajudicial. 

§ 1º Não se aplica o disposto no caput deste artigo quando: II - provas da prática de atos ilícitos dolosos constarem nos autos do processo administrativo ou judicial.

§ 2º Aplica-se o disposto no caput deste artigo inclusive na hipótese de o agente público não mais ocupar o cargo, emprego ou função em que foi praticado o ato questionado."

Mauro, procurador 

Art. 10. Se as autoridades competentes e os servidores públicos que tiverem participado dos procedimentos relacionados às licitações e aos contratos de que trata esta Lei precisarem defender-se nas esferas administrativa, controladora ou judicial em razão de ato praticado com estrita observância de orientação constante em parecer jurídico elaborado na forma do , a advocacia pública promoverá, a critério do agente público, sua representação judicial ou extrajudicial.

§ 1º Não se aplica o disposto no caput deste artigo quando:

I - (VETADO);

II - provas da prática de atos ilícitos dolosos constarem nos autos do processo administrativo ou judicial.

§ 2º Aplica-se o disposto no caput deste artigo inclusive na hipótese de o agente público não mais ocupar o cargo, emprego ou função em que foi praticado o ato questionado.

Resumidamente, pensem no seguinte contexto:

O parecer jurídico fala que a compra que se objetiva no processo administrativo é caso de dispensa de licitação pelo inciso II do art. 75 da Lei nº 14.133/2021.

Por esse motivo, o agente de contratação dá prosseguimento ao procedimento e contrata a empresa que apresentou o menor preço dentre as propostas apresentadas.

Todavia, o valor, na verdade, não se encaixava na hipótese de dispensa pelo art. 75, inciso II, e isso só foi atestado em sede judicial, quando o MP entrou com uma ação.

Nesse caso, o agente público vai poder contar com a defesa da procuradoria municipal - se ele quiser, até se ele não ocupar mais o cargo que se encontrava anteriormente.

Agora, se o agente de contratação, dolosamente, quis favorecer alguma empresa no procedimento e fez isso sem que os procuradores ou qualquer outro servidor/órgão tivesse conhecimento, ele não poderá contar com a defesa da procuradoria para defende-lo nas esferas administrativa, controladora ou judicial!

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo