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Crianças e adolescentes na Internet: a responsabilidade dos pais ou responsáveis

Muito se discute sobre os eventuais benefícios ou malefícios às crianças e adolescentes decorrentes do uso da Internet. No Brasil, a preocupação justifica-se pelo número crescente de acesso desses jovens à rede mundial de computadores. Embora não se tenham dados estatísticos sobre o acesso dessa camada da população brasileira, acredita-se que eles sejam responsáveis pela maioria dos acessos à rede mundial de computadores. Dados recentes demonstram que mais de 20 milhões de pessoas acessam diariamente a Internet com os mais variados interesses e necessidades, uma vez que ela acabou se tornando a intermediária de relações pessoais e comerciais. Quando a Internet é utilizada para obter-se informação com vista a pesquisas, estudos, conversas entre amigos, notadamente, concluir-se-ia que ela é um bem. Mas, ainda assim, teríamos que especular sobre a fonte de informação e com quem se relacionam esses jovens. Seria essa fonte segura? Seria essa fonte capaz de prover informações confiáveis para contribuir com o processo educacional? Seriam esses relacionamentos estabelecidos com pessoas confiáveis? [...]
Disponível em: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/criancas-adolescentes-na-internet-responsabilidade.html> Acesso em: 10 fev. 2017.
Dadas as afirmativas sobre o texto,
I. O elemento articulador destacado Embora atribui ao contexto uma relação semântica de concessão.
II. O vocábulo destacado que inicia uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
III. As palavras destacadas Internet, informação, pesquisas, estudos e conversas representam mecanismos de coesão semântica, já que exemplificam relação de hiperonímia e hiponímia.
verifica-se que está(ão) correta(s)
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: C é o gabarito oficial, mas sua sustentação exige ressalva quanto a III. No trecho “Quando a Internet é utilizada para obter-se informação com vista a pesquisas, estudos, conversas entre amigos, notadamente, concluir-se-ia que ela é um bem.”, há associação temática entre a Internet e seus usos. Hiperonímia e hiponímia, porém, exigem inclusão entre categoria geral e tipo específico, relação não demonstrada nesse trecho. Assim, a aceitação de III explica a escolha oficial de C, mas não tem fundamentação técnica suficiente.

Tema central: Concessão, sujeito oracional e hiponímia
Análise das alternativas
A
Errada
É rejeitada pelo gabarito oficial por excluir III. Contudo, a distinção entre A e C depende exclusivamente dessa afirmativa, cuja relação de hiperonímia e hiponímia não está demonstrada. Como I é sustentada e II é falsa na análise tradicional adotada, A apresenta sustentação técnica relevante. Base insuficiente para justificar esta alternativa sem extrapolação.
B
Errada
Inclui II, embora a oração introduzida por “que” funcione como sujeito de “acredita-se” na análise tradicional da passiva sintética, e não como objeto direto. Além disso, exclui I, apesar de “Embora” apresentar a ausência de dados como ressalva insuficiente para impedir a crença enunciada.
C
Certa
A alternativa C reúne I e III e exclui II. I está sustentada pelo valor concessivo de “Embora”: a falta de dados estatísticos constitui uma ressalva que não impede a crença sobre o predomínio dos acessos dos jovens. II é falsa na análise tradicional adotada: “acredita-se” constitui passiva sintética, e a oração introduzida por “que” exerce função de sujeito, sendo subordinada substantiva subjetiva, não objetiva direta. Quanto a III, sua aceitação pressupõe interpretar a organização temática como inclusão semântica. Essa leitura permite acompanhar o gabarito oficial, mas não comprova tecnicamente a existência de hiperonímia e hiponímia.
D
Errada
Inclui a classificação incorreta de II e exclui a concessão corretamente identificada em I. A oração ligada a “acredita-se” é subjetiva na análise adotada, e a falta de dados não impede a manifestação da crença. Esses dois pontos eliminam D independentemente da controvérsia sobre III.
E
Errada
Inclui II, que confunde sujeito oracional com objeto direto. A presença da conjunção integrante “que” não determina, por si só, a classificação: na passiva sintética “acredita-se”, a oração introduzida por ela exerce função de sujeito. Esse erro basta para excluir E.
Pegadinha da questão
A presença de “que” após o verbo pode levar à classificação automática como objetiva direta, ignorando o “se” de “acredita-se”. Também é necessário distinguir associação temática de inclusão lexical: relacionar Internet, informação e atividades não comprova hiperonímia e hiponímia, embora III tenha sido aceita no gabarito oficial.
Dica para questões semelhantes
  • Reconheça a concessão pela relação entre uma ressalva e uma afirmação que se mantém apesar dela.
  • Antes de classificar a oração introduzida por “que”, determine sua função na estrutura completa, considerando a presença de “se”.
  • Para reconhecer hiponímia, verifique se o termo específico designa um tipo da categoria geral; compartilhar um tema ou indicar uma finalidade não basta.

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Comentários

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ALTERNATIVA C

A hiperonímia indica uma relação hierárquica de significado que uma palavra superior estabelece com uma palavra inferior. O hiperônimo é uma palavra hierarquicamente superior porque apresenta um sentido mais abrangente que engloba o sentido do hipônimo, uma palavra hierarquicamente inferior, com sentido mais restrito.

A hiponímia indica, assim, essa mesma relação hierárquica de significado. Foca-se, no entanto, na perspectiva da palavra hierarquicamente inferior - hipônimo, que, a nível semântico, pode ser incluída numa classe superior que abrange o seu significado - hiperônimo.

Alguém sabe por que a II não é objetiva direta?

II) Errada


...acredita-se que eles sejam responsáveis pela maioria dos acessos à rede mundial de computadores.

...acredita-se [NISTO]



José Lucas, por que não é direta?

Porque toda vez que um verbo pedir preposição, será sempre indireta.

Por exemplo: verbo acreditar, quem acredita, acredita "em"

Macete: pra saber se a oração é substantiva direta / substitui por "isso"

Exemplo: é importante que tenhamos sonhos : é importante " isso", na indireta : nisto, disso.


Um abraço


O vocábulo destacado que inicia uma oração subordinada substantiva objetiva indireta. É preciso avaliar a transitividade do verbo ao qual o objeto oracional (seja ele direto ou indireto) está relacionado. Se for observar apenas a existência ou não de preposição, muitas vezes, como nesse caso, o candidato vai ser induzido ao erro. Vejamos:

 

"...acredita-se que eles sejam responsáveis pela maioria dos acessos ..."

        VTI (quem acredita, acredita em alguma coisa, ou seja, acredita "nisso"."

 

Se o verbo é VTI, o seu complemento, necessariamente, será um objeto indireto. Nesse caso, um objeto indireto oracional.

 

Quem escolheu a busca não pode recusar a travessia - Guimarães Rosa

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Gabarito: C

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