Um paciente de 65 anos de idade, com neuralgia pós‑herp...

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Q3125495 Medicina
    Um paciente de 65 anos de idade, com neuralgia pós‑herpética crônica, que não respondeu adequadamente a tratamentos com antidepressivos tricíclicos e anticonvulsivantes, foi avaliado na clínica de dor. O paciente relatou dor intensa em queimação, localizada no lado direito do tórax, que era exacerbada pelo toque leve. Após ter considerado as opções de tratamento adicionais, o médico decidiu iniciar terapia com um adesivo de capsaicina a 8%.

Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o uso recomendado da capsaicina para o tratamento de dor neuropática nesse paciente.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: manejo da neuralgia pós-herpética (NPH) em idoso refratário a TCA e anticonvulsivantes, com foco no uso do adesivo de capsaicina 8% (terapia tópica para dor neuropática).

Gabarito: C — A capsaicina é um agonista do receptor TRPV1 em nociceptores cutâneos. A exposição em alta concentração provoca ativação intensa seguida de “defuncionalização” das fibras C (perda reversível de função) com depleção de substância P e redução da densidade de terminações epidérmicas. O alívio é gradual (dias) e pode durar até 12 semanas após uma aplicação. Evidências e recomendações: UpToDate; diretrizes NICE para dor neuropática; bula do Qutenza; revisões IASP.

Como interpretar a questão: NPH cursa com alodinia (“dor ao toque leve”), e após falha de fármacos sistêmicos, considera-se terapia tópica. A menção ao adesivo 8% remete ao mecanismo via TRPV1 e efeito não imediato.

Protocolo prático (conduta recomendada):

  • Aplicar em pele íntegra, não inflamada, após limpeza; pode-se usar anestésico tópico prévio para tolerabilidade.
  • Tempo: em NPH, geralmente 60 minutos de aplicação por área afetada, em ambiente clínico.
  • Repetição: conforme resposta, a cada ≈ 90 dias (não semanal).
  • Efeitos locais comuns: queimação transiente, eritema; monitorar PA durante o procedimento em idosos.

Análise das alternativas:

A) Incorreta. A capsaicina não “bloqueia” nociceptores nem dá alívio imediato. É agonista TRPV1 com ativação inicial (ardor) seguida de dessensibilização e analgesia progressiva (UpToDate, IASP).

B) Incorreta. O adesivo não deve ser aplicado em pele lesada ou inflamada. A eficácia e segurança pressupõem pele íntegra (bula Qutenza; NICE).

C) Correta. Desativação funcional de TRPV1 e depleção de substância P levam a alívio gradual da dor, coerente com NPH e com evidência de benefício por semanas a meses.

D) Incorreta. Não é contraindicada na NPH; pode causar ardor transitório, mas não aumenta risco de úlceras cutâneas quando usada corretamente. Úlceras são raras e ligadas a uso inadequado. Cautela apenas em pele não íntegra e controle de PA.

E) Incorreta. O regime não é semanal. A reaplicação típica é trimestral ou conforme retorno da dor (bula e diretrizes).

Pegadinhas da prova:alívio imediato” (falso), “aplicar em pele inflamada” (contra indicado) e “semanal” (errado). Guarde: TRPV1, alívio gradual, pele íntegra, 60 min, reaplicar ~90 dias.

Fontes úteis: UpToDate (Neuropathic pain; Postherpetic neuralgia), NICE Neuropathic Pain Guideline, IASP, Bula do Qutenza (capsaicina 8%).

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