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Q3332088 Medicina
Um adolescente de 15 anos apresenta dor óssea persistente, especialmente em membros inferiores, associada a claudicação e aumento de volume local. Radiografia revela lesão lítica em metáfise de fêmur, com reação periostal em "raios de sol". Qual a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial recomendada?
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Tema central: dor óssea persistente em adolescente com achado radiográfico típico de tumor ósseo maligno. Em provas, a tríade idade (10–20 anos) + metáfise de ossos longos (fêmur/tíbia) + reação periostal em “raios de sol” aponta para osteossarcoma.

Gabarito: B — Osteossarcoma; biópsia e estadiamento.

Justificativa: O quadro de dor, aumento de volume e claudicação em adolescente, associado a lesão lítica metafisária com reação periostal em “raios de sol” (padrão de neoformação óssea perpendicular, típico), é clássico de osteossarcoma. Conduta inicial correta: encaminhar a serviço de referência para biópsia (preferencialmente core/incisional por equipe de sarcoma) e estadiamento. O estadiamento inclui RM do segmento acometido (extensão intramedular e partes moles), TC de tórax (pulmão é sítio metastático mais comum) e cintilografia/PET-CT para lesões ósseas à distância. Após confirmação, o padrão é quimioterapia neoadjuvante (ex.: MAP – metotrexato altas doses, doxorrubicina, cisplatina) seguida de cirurgia com preservação de membro quando possível e quimioterapia adjuvante (UpToDate; ESMO 2021/2023; Harrison’s).

Estratégia de prova: associe metáfise + “raios de sol” a osteossarcoma. Diferencie de Ewing: mais diáfise, reação em “casca de cebola”, sintomas sistêmicos mais proeminentes.

Por que as demais estão incorretas?

A) Osteomielite; antibioticoterapia empírica: pode causar dor e febre, mas a radiografia costuma mostrar lesões líticas com sequestro/involucro e não o padrão típico em “raios de sol”. Iniciar antibiótico sem excluir tumor pode atrasar diagnóstico e piorar prognóstico (Ministério da Saúde/INCA; UpToDate).

C) Doença de Legg-Calvé-Perthes; observação clínica: necrose avascular da cabeça femoral em meninos 4–8 anos, com limitação de abdução/rotação interna. Não cursa com lesão lítica metafisária nem reação periostal em “raios de sol”.

D) Leucemia mieloide aguda; mielograma e quimioterapia: dor óssea pode ocorrer, mas o quadro é sistêmico (pancitopenias, sangramentos) e a radiografia não mostra tumor ósseo focal com reação periostal típica.

E) Linfoma de Hodgkin; biópsia de linfonodo e estadiamento: apresenta linfonodomegalias e sintomas B; envolvimento ósseo primário é raro e não apresenta padrão clássico de “raios de sol”.

Pegadinhas: osteomielite x osteossarcoma — febre, marcadores inflamatórios altos e evolução aguda favorecem infecção; em tumores, dor progressiva, massa dura e sinais radiográficos agressivos (margens mal definidas, reação periostal exuberante como “raios de sol” ou triângulo de Codman) sugerem neoplasia.

Referências: UpToDate – Osteosarcoma of the extremity in children and adolescents; ESMO Clinical Practice Guidelines for Bone Sarcomas; Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.

Resposta final: B — Osteossarcoma; biópsia e estadiamento.

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