Uma criança de 2 anos chega ao PS com cansaço, febre interm...
Gabarito comentado
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Tema central: fatores prognósticos na Leucemia Linfoide Aguda (LLA) infantil. Em crianças, o prognóstico é fortemente determinado por idade, leucócitos iniciais, resposta precoce à quimioterapia (incluindo doença residual mínima, DRM) e citogenética.
Alternativa correta: B – É o conjunto clássico de fatores favoráveis:
• Idade 1–10 anos (melhor resposta aos protocolos).
• Leucócitos iniciais mais baixos (tipicamente < 50.000/μL).
• Resposta rápida à quimioterapia (boa resposta ao corticoide no D8 e DRM negativa na indução).
• Hiperdiploidia no cariótipo (≈ 51–65 cromossomos).
Esses parâmetros se associam a maior taxa de remissão e sobrevida global nos protocolos COG/AEIOP-BFM e SOBOPE. Referências: UpToDate (Risk stratification of ALL in children), Harrison’s Principles of Internal Medicine, diretrizes SOBOPE/COG.
Por que isso é correto? Crianças de 1–10 anos com WBC baixo têm menor carga tumoral e melhor farmacodinâmica dos esquemas. DRM baixa (<0,01% ao fim da indução) indica erradicação eficaz de clones leucêmicos. Hiperdiploidia confere maior sensibilidade à quimioterapia. (Pui CH, Lancet; UpToDate).
Análise das incorretas
A) “Leucocitose muito alta” e “idade <1 ano” são desfavoráveis. Lactentes frequentemente têm rearranjos KMT2A/MLL, curso agressivo e piores desfechos. Leucócitos >50.000/μL correlacionam-se com maior massa tumoral e risco de recaída. (COG/SOBOPE; UpToDate).
C) “Resistência à indução indicando transplante precoce” não é fator favorável. Resistência e DRM persistente definem alto/altíssimo risco. Transplante alogênico pode ser indicado em refratariedade ou recaída de alto risco, mas não confere “prognóstico favorável” por si; é estratégia de resgate com morbimortalidade importante. (Harrison; diretrizes COG).
D) “Dificuldade em alcançar remissão completa na primeira quimioterapia” é marcador clássico de mau prognóstico (DRM positiva e menor sensibilidade à quimioterapia), exigindo intensificação terapêutica. (UpToDate; SOBOPE).
Dicas de prova: associe “1–10 anos, WBC baixo, resposta rápida, hiperdiploidia e ETV6-RUNX1” a bom prognóstico. Pense em mau prognóstico quando “<1 ano, WBC alto, DRM positiva, BCR-ABL1, hipodiploidia, doença no SNC/testicular”.
Contexto diagnóstico: clínica com palidez, febre e blastos periféricos sugere LLA. Confirmação: mielograma com ≥25% linfoblastos, imunofenotipagem (CD19/CD10 para LLA-B), citogenética/molecular para estratificação (hiperdiploidia, ETV6-RUNX1, BCR-ABL1) e DRM por citometria/PCR. (WHO/ICC 2022; UpToDate).
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