Um lactente de 6 meses apresenta otite média aguda recorren...
Gabarito comentado
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Tema central: Imunodeficiência Combinada Grave (SCID) em lactentes com infecções recorrentes, falha de crescimento e linfopenia profunda. Trata-se de emergência pediátrica que exige diagnóstico e encaminhamento rápidos para transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) ou terapia gênica.
Alternativa correta (B) – Justificativa: Diante de suspeita de SCID, a conduta inicial apropriada é confirmar a imunodeficiência e encaminhar imediatamente para centro de referência. Exames essenciais: dosagem de imunoglobulinas (geralmente baixas), imunofenotipagem por citometria (subpopulações T, B e NK: CD3, CD4/CD8, CD19/20, CD16/56), e, quando possível, testes genéticos. Confirmado o diagnóstico, indica-se TCTH precoce (melhores desfechos quando feito antes de infecções graves) ou terapia gênica em subtipos específicos (ex.: ADA-SCID). Condutas de suporte incluem evitar vacinas vivas, iniciar imunoglobulina endovenosa, profilaxia antimicrobiana (ex.: TMP-SMX para Pneumocystis) e medidas de proteção ambiental. Referências: SBP/PNI (vacinas), UpToDate e PIDTC/NIH (manejo e TCTH).
Como reconhecer na prova: Trio clássico: infecções bacterianas/virais fúngicas de repetição, falha de crescimento e linfopenia (em lactentes, ALC < 3000/mm³ é sugestivo; “profunda” reforça SCID). Atenção a pistas como ausência de tonsilas, candidíase persistente e pneumonias recorrentes.
Por que as outras alternativas estão erradas?
A – Contraindicado aplicar vacinas vivas (BCG, rotavírus, tríplice viral, varicela) em imunodeficiência celular grave: risco de doença disseminada por vacina. Diretrizes SBP/PNI e OMS são claras quanto a isso.
C – Não esperar agravar. SCID tem alta mortalidade no primeiro ano sem tratamento. É condição tempo-dependente; atrasar reduz chance de sucesso do TCTH. UpToDate e PIDTC enfatizam intervenção precoce.
D – Apenas antibioticoprofilaxia sem investigação é insuficiente e perigoso. O pilar terapêutico é restaurar a imunidade (TCTH/terapia gênica) e instituir imunoglobulina e profilaxias específicas; ignorar a etiologia perpetua risco elevado.
Dicas práticas: Em suspeita de SCID: isolar, não administrar sangue não irradiado (usar irradiado/CMV-negativo), suspender vacinas vivas, solicitar Ig séricas e citometria, e encaminhar rapidamente a imunologia/hematologia. Lembre da triagem neonatal por TREC (quando disponível).
Referências úteis: SBP – Manual de Imunizações; PNI/MS – Contraindicações de vacinas; UpToDate: Severe combined immunodeficiency: clinical manifestations, diagnosis and management; PIDTC/NIH – Outcomes of early HSCT in SCID.
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