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Q3293603 Medicina
Em neonato com quadro clínico e laboratorial sugestivo de sepse bacteriana aguda (febre, taquicardia, hipotensão, leucocitose com desvio à esquerda), há alta probabilidade de Streptococcus do grupo B ou E. coli, especialmente em partos de risco. Assinale a conduta empírica mais apropriada.
Alternativas

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Gabarito: B

Tema central: Sepse neonatal de início precoce, geralmente por Streptococcus do grupo B e E. coli, exige início imediato de antibiótico empírico após coleta de culturas, devido à alta mortalidade e apresentação inespecífica.

Justificativa da alternativa B: A conduta recomendada é coletar hemocultura (ideal ≥1 mL) e iniciar ampicilina + aminoglicosídeo (ex.: gentamicina). A ampicilina cobre GBS (e Listeria, quando relevante) e o aminoglicosídeo cobre bacilos Gram-negativos, especialmente E. coli, com efeito sinérgico. Se houver suspeita de meningite ou instabilidade para punção lombar, pode-se associar cefotaxima (evitar ceftriaxona em neonatos). Oferecer suporte hemodinâmico (cristaloide 10 mL/kg, repetir conforme resposta; vasopressor se choque) e suporte ventilatório conforme necessidade. Conduta alinhada a AAP/CDC, SBP e OMS (UpToDate; AAP 2018/2023; Manual SBP; WHO Pocket Book).

Como interpretar o enunciado: “Febre/taquicardia/hipotensão/leucocitose com desvio” + “parto de risco” apontam para sepse de início precoce. Em neonatos, não se deve aguardar deterioração para tratar. O passo-chave é não atrasar antibiótico após colher culturas.

Análise das alternativas incorretas:

A – Esperar cultura definitiva para “antibioticoterapia dirigida” atrasaria o tratamento, aumentando mortalidade e falência orgânica. Diretrizes recomendam terapia empírica imediata em suspeita forte.

C – “Antivirais de amplo espectro” não são conduta de rotina. Antiviral (aciclovir) só se houver forte suspeita de HSV (lesões vesiculares, convulsões, LCR compatível, mãe com herpes ativo). No caso, quadro é típico de bacteremia/sepse bacteriana.

D – Aguardar “manifestações mais claras” contraria o princípio de que neonatos têm sinais inespecíficos e evoluem rapidamente para choque. O tratamento precoce reduz mortalidade e sequelas.

Diagnóstico e exames úteis: hemocultura antes do antibiótico; hemograma (desvio à esquerda), PCR/procalcitonina seriadas; gasometria e lactato; RX de tórax se desconforto respiratório; punção lombar se estável e sem choque. Em início precoce, urocultura é menos prioritária.

Pegadinhas de prova: neonatos podem ter hipotermia (não só febre); não use ceftriaxona; não adie antibiótico para realizar todos os exames.

Referências: AAP/CDC Early-Onset Sepsis Guidelines (2018/2023); Sociedade Brasileira de Pediatria – Manual de Infectologia Neonatal; WHO Pocket Book of Hospital Care for Children; UpToDate – Management of suspected early-onset sepsis in the neonate.

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