No atendimento de um lactente de 2 meses com histórico de a...
Gabarito comentado
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Tema central: bronquiolite aguda por vírus sincicial respiratório (VSR) em lactente de 2 meses com apneias, taquipneia, SpO₂ 90% e desconforto respiratório. Nessa faixa etária, o manejo é prioritariamente suporte e, com sinais de gravidade, internação para oxigenoterapia e hidratação.
Alternativa correta: B — O palivizumabe (anticorpo monoclonal) é profilático, indicado para prevenir VSR em grupos de alto risco (prematuros, displasia broncopulmonar, cardiopatia congênita significativa). Ele não trata o quadro estabelecido e não substitui as medidas de suporte: oxigênio para manter SpO₂ ≥ 90–92%, aspiração nasal suave, hidratação (VO fracionada; se má aceitação, sonda nasogástrica ou IV) e, se necessário, cateter nasal de alto fluxo ou CPAP. Referências: Diretriz de Bronquiolite AAP (2014, atualizações subsequentes), SBP/Manual de Condutas em Bronquiolite, UpToDate.
Por que é a resposta certa? A profilaxia (palivizumabe ou, mais recentemente, nirsevimabe) reduz hospitalizações por VSR, mas não tem papel terapêutico durante a infecção ativa. O tratamento permanece de suporte, conforme AAP/SBP.
Análise das incorretas
A) “Nebulização com broncodilatadores e epinefrina” como primeira linha: incorreto. AAP/SBP não recomendam uso rotineiro de broncodilatadores ou epinefrina na bronquiolite, pois não melhoram desfechos importantes (tempo de internação ou necessidade de O₂). Em alguns serviços, admite-se teste supervisionado em casos selecionados, mas não como conduta inicial padrão.
C) Ribavirina rotineira: incorreto. Não é recomendada de rotina; pode ser considerada apenas em imunodeprimidos ou casos muito graves, pesando custo, toxicidade e risco ocupacional (aerossol). Diretrizes AAP/SBP e UpToDate desencorajam seu uso amplo.
D) “Desnecessário observar hidratação”: incorreto. Lactentes com taquipneia, hipoxemia e secreção nasal alimentam-se mal e têm risco de desidratação. Monitorar diurese, hidratação e considerar SGA/IV é parte central do manejo.
Diagnóstico e conduta prática
• Diagnóstico é clínico (sibilos/estertores, tiragem, taquipneia), e testes virais podem confirmar sem mudar a conduta.
• Internar se apneias, SpO₂ ≤ 90–92%, cianose, fadiga, incapacidade de hidratar.
• Evitar rotineiramente antibióticos, corticóides, broncodilatadores e epinefrina.
• Considerar oxigênio suplementar e alto fluxo se desconforto moderado a grave.
Pegadinhas de prova: “nebulização resolve” e “ribavirina para todos” estão contra diretrizes. Lembre: suporte é a base; palivizumabe é profilaxia, não tratamento.
Referências: AAP Clinical Practice Guideline: Bronchiolitis; Sociedade Brasileira de Pediatria – Bronquiolite Aguda; UpToDate – Bronchiolitis in infants and children.
Gabarito: B
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