Se o verbo da oração: “Pense nisso!” for conjugado na se...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2235859 Português
A TOMADA DA LIBERDADE EM TERMOS GRAMATICAIS

(1º§) Na correspondência dos jesuítas eram frequentes as referências à dificuldade que certos padres tinham com a gramática no seu trabalho de catequese, nas Missões. Frequentes e obscuras: não se sabia se a dificuldade tão citada era com a gramática que os próprios padres ensinavam ou se era com a gramática dos nativos. Até descobrirem que “gramática” era um código para castidade.
(2º) Todos sabemos que o problema de alguns padres era definitivamente manter seus votos de abstinência em meio aos índios. Ou no caso, às índias.
(3º§) Conscientemente ou não, o código foi bem escolhido. Pecar contra a castidade, se aceitar que a correção gramatical é uma norma de boa conduta e as regras da língua equivalem a parâmetros morais. Fala-se na “pureza” do vernáculo e na sua poluição, ou violentação, vinda de fora e de um jeito ou de outro todo o vocabulário da perdição da língua (seu abastardamento, sua vulgarização, sua entrega a estrangeirismos como prostitutas do cais) tem conotações sexuais.
 (4º§) Tomar liberdade com a língua é uma atividade tão mal vista pelos guardiões da sua virtude como seria tomar liberdade com suas filhas. Que o povo peque contra a linguagem é aceitável, para a moral gramatical, já que ele vive na promiscuidade mesmo.
(5º§) Mas pessoas educadas, que conhecem as regras, dedicarem-se a neologismos exibicionistas, à introdução de pronomes em lugares impróprios e ao uso de academicismos para fins antinaturais é visto como devassidão imperdoável. De escritores profissionais, principalmente, se espera que se mantenham carretos e castos a qualquer custo.
(6º§) Mas vivemos com relação à gramática como viviam os jesuítas com relação à “gramática”, esforçando-nos para cumprir nossa missão – que não deixa de ser uma catequese, mesmo que só se dê o exemplo de como botar uma palavra depois da outra e viver disso com alguma dignidade – sem sucumbir às tentações à nossa volta. Também não conseguimos. O ambiente nos domina, a libertinagem nos chama, e pecamos o tempo todo.
(7º§) Deve-se ter cuidado com o estudo da gramática normativa da língua portuguesa, pois seus preceitos são padronizados. Pense nisso!
(8º§) Estude, valorize sua língua pátria! Imponha-se pela correção dos seus atos comunicativos e vá tomando liberdade de usar corretamente os aspectos linguísticos gramaticais da língua oficial de sua pátria!

(...)
(VERÍSSIMO, Luís Fernando). - (Texto adaptado)
Se o verbo da oração: “Pense nisso!” for conjugado na segunda pessoa do plural do mesmo modo imperativo afirmativo, obtém-se corretamente:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Morfologia verbal, especificamente formação e conjugação do modo imperativo afirmativo para a segunda pessoa do plural (vós). A banca explora o conhecimento sobre conjugação verbal correta na norma-padrão, aptidão essencial para candidatos de concursos públicos.

Regra fundamental: O imperativo afirmativo tem formação própria. Para “tu” e “vós”, deriva-se do presente do indicativo (retirando o “-s” final). Para os outros pronomes (você, nós, vocês), usa-se o presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo: vós pensais
Imperativo afirmativo: pensai (vós)

Aplicação à questão: O enunciado traz “Pense nisso!” (imperativo afirmativo, terceira pessoa do singular) e pede a conjugação na segunda pessoa do plural. Substituindo, segundo a regra:

Forma correta: Pensai nisso!

Análise das alternativas:

A) Penses nisso!Errado: presente do subjuntivo para “tu”.
B) Penseis nisso!Errado: subjuntivo para “vós”, utilizado no imperativo negativo (“Não penseis!”).
C) Pensas nisso!Errado: presente do indicativo para “tu”.
D) Pensai nisso!Correto: Imperativo afirmativo, “vós”.
E) Pensa nisso!Errado: imperativo afirmativo para “tu”.

Dica de prova: Atenção: o imperativo afirmativo para “tu/vós” não utiliza o subjuntivo! Reduza o "-s" das terminações (“vós pensais” → “pensai”). Evite confundir com o negativo (“Não penseis!”), sempre do subjuntivo.

Referência essencial: Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), que estabelecem a regra aqui aplicada.

Resumo: O correto é “Pensai nisso!”, pois respeita a conjugação do imperativo afirmativo para a segunda pessoa do plural, conforme a norma-padrão.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Imperativo afirmativo é o mesmo presente do subjuntivo. Mudam o TU e o VOS que vêm do presente do indicativo sem o S

pensa tu

pense você

pensemos nós

pensai vós

pensem vocês

Esta foi de lascar

Lembrei do "Tomai todos e bebei".

Imperativo afirmativo

eu - não tem

tu - vem do presente do indicativo + sem "s"

ele - vira você + tempo no presente do subjuntivo

nós - tempo no presente do subjuntivo

vós - vem do presente do indicativo + sem "s"

eles - vira vocês + vem do presente do indicativo + sem "s"

imperativo negativo

eu - não tem

resto - NÃO na frente + vem do presente do subjuntivo

diaxo kkkkok

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo