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Q2235851 Português
A TOMADA DA LIBERDADE EM TERMOS GRAMATICAIS

(1º§) Na correspondência dos jesuítas eram frequentes as referências à dificuldade que certos padres tinham com a gramática no seu trabalho de catequese, nas Missões. Frequentes e obscuras: não se sabia se a dificuldade tão citada era com a gramática que os próprios padres ensinavam ou se era com a gramática dos nativos. Até descobrirem que “gramática” era um código para castidade.
(2º) Todos sabemos que o problema de alguns padres era definitivamente manter seus votos de abstinência em meio aos índios. Ou no caso, às índias.
(3º§) Conscientemente ou não, o código foi bem escolhido. Pecar contra a castidade, se aceitar que a correção gramatical é uma norma de boa conduta e as regras da língua equivalem a parâmetros morais. Fala-se na “pureza” do vernáculo e na sua poluição, ou violentação, vinda de fora e de um jeito ou de outro todo o vocabulário da perdição da língua (seu abastardamento, sua vulgarização, sua entrega a estrangeirismos como prostitutas do cais) tem conotações sexuais.
 (4º§) Tomar liberdade com a língua é uma atividade tão mal vista pelos guardiões da sua virtude como seria tomar liberdade com suas filhas. Que o povo peque contra a linguagem é aceitável, para a moral gramatical, já que ele vive na promiscuidade mesmo.
(5º§) Mas pessoas educadas, que conhecem as regras, dedicarem-se a neologismos exibicionistas, à introdução de pronomes em lugares impróprios e ao uso de academicismos para fins antinaturais é visto como devassidão imperdoável. De escritores profissionais, principalmente, se espera que se mantenham carretos e castos a qualquer custo.
(6º§) Mas vivemos com relação à gramática como viviam os jesuítas com relação à “gramática”, esforçando-nos para cumprir nossa missão – que não deixa de ser uma catequese, mesmo que só se dê o exemplo de como botar uma palavra depois da outra e viver disso com alguma dignidade – sem sucumbir às tentações à nossa volta. Também não conseguimos. O ambiente nos domina, a libertinagem nos chama, e pecamos o tempo todo.
(7º§) Deve-se ter cuidado com o estudo da gramática normativa da língua portuguesa, pois seus preceitos são padronizados. Pense nisso!
(8º§) Estude, valorize sua língua pátria! Imponha-se pela correção dos seus atos comunicativos e vá tomando liberdade de usar corretamente os aspectos linguísticos gramaticais da língua oficial de sua pátria!

(...)
(VERÍSSIMO, Luís Fernando). - (Texto adaptado)
Marque as palavras que se relacionam com melhor propriedade ao sentido temático /contextual do teor discursivo.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito comentado – Interpretação de Texto

Tema central: Interpretação de texto – identificação do sentido global e dos termos-chave que expressam o conteúdo temático principal.

O texto trabalha um paralelo simbólico entre a gramática e a castidade no contexto das missões jesuíticas, utilizando a correspondência dos jesuítas e as dificuldades dos padres no trabalho de catequese como fio condutor de sua argumentação.

Segundo a norma-padrão e as principais gramáticas (Bechara; Cunha & Cintra), a interpretação textual baseia-se na identificação da tese e dos elementos que mais lhe conferem sentido de unidade, coerência e relevância temática.

Análise da alternativa correta:

E) Jesuítas, padres, catequese.

Esses termos centralizam a “história interna” do texto, pois:

  • “Jesuítas” são os autores das cartas mencionadas;
  • “Padres” são aqueles enfrentando a questão ambígua da “gramática” (castidade);
  • “Catequese” é a missão diretamente ligada ao trabalho deles junto aos nativos.

Portanto, essas palavras definem o núcleo temático e são as que melhor representam o sentido discursivo central do texto.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Problema, votos, índios: Apesar de citados, “índios” e “votos” são secundários; não traduzem o foco temático central. “Problema” é genérico.
  • B) Conduta, vernáculo, castidade: Embora os conceitos estejam presentes, perdem-se do contexto “institucional” (jesuítas, padres, catequese) do texto.
  • C) Correspondência, padres, trabalho: Faltou elemento-chave: “catequese”, essencial como missão.
  • D) Povos, moral, atos: Termos amplos demais, pouco conectados à especificidade do texto analisado.

Estratégias para provas: Sempre foque nos personagens e ações centrais do texto: pergunte-se “quem faz o quê, onde e por quê?”. Palavras-chave devem ser únicas do texto, não genéricas.

Segundo Celso Cunha: “A compreensão do texto depende da relação lógica entre as ideias e da identificação dos elementos temáticos mais relevantes.”

Resposta: E) Jesuítas, padres, catequese

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Comentários

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gabarito E

O texto passa 6 parágrafos falando da língua portuguesa, mas o teor do discurso é catequese.

Piada mesmo.

Que questão ridícula.

não entendi nada

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