“Mudanças culturais e jurídicas eliminaram restrições ...
É justo que as mulheres se aposentem mais cedo?
A questão acerca da aposentadoria das mulheres em condições mais benéficas que aquelas concedidas aos homens suscita acalorados debates com posições não somente técnicas, mas também com muito juízo de valor de cada lado.
Um fato é certo: as mulheres intensificaram sua participação no mercado de trabalho desde a segunda metade do século 20.
Há várias razões para isso. Mudanças culturais e jurídicas eliminaram restrições sem sentido no mundo contemporâneo: um dos maiores e mais antigos bancos do Brasil contratou sua primeira escriturária em 1969 e teve sua primeira gerente em 1984.
Avanços no planejamento familiar e a disseminação de métodos contraceptivos permitiram a redução do número de filhos e liberaram tempo para a mulher se dedicar ao mercado de
trabalho.
Filhos estudam por mais tempo e se mantêm fora do mercado de trabalho até o início da vida adulta. Com isso, o custo de manter a família cresce e cria a necessidade de a mulher ter fonte de renda para o sustento da casa.
A tecnologia também colaborou: máquinas de lavar roupa, fornos micro-ondas, casas menores e outras parafernálias da vida moderna reduziram a necessidade de algumas horas nos afazeres domésticos e liberaram tempo para o trabalho fora de casa.
A inserção feminina no mercado de trabalho ocorreu, mas com limitações. Em relação aos homens, mulheres têm menor taxa de participação no mercado de trabalho, recebem salários
mais baixos e ainda há a dupla jornada de trabalho. Quando voltam para a casa, ainda têm que se dedicar à família e ao lar.
Essas dificuldades levam algumas pessoas a defender formas de compensação para as mulheres por meio de tratamento previdenciário diferenciado. Já que as mulheres enfrentam
dificuldades de inserção no mercado de trabalho, há de compensá-las por meio de uma aposentadoria em idade mais jovem.
A legislação brasileira incorpora essa ideia. Homens precisam de 35 anos de contribuição para se aposentar no INSS; mulheres, de 30.
No serviço público, que exige idade mínima, as mulheres podem se aposentar com cinco anos a menos de idade e tempo de contribuição que os homens.
(Marcelo Abi-Ramia Caetano, Folha de São Paulo, 21/12/2014.)
Os exemplos citados nesse segmento do texto
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Tema central: Interpretação de Texto — Relação entre afirmação e exemplos
Esta questão exige compreender se os exemplos citados pelo autor realmente comprovam ou refutam a afirmação anterior do texto. Essa leitura exige atenção à coesão referencial: identificar a ligação entre uma ideia geral apresentada e os exemplos concretos que a sustentam.
No trecho analisado, o autor afirma que mudanças culturais e jurídicas eliminaram restrições. Imediatamente após, cita como prova a contratação da primeira escriturária e da primeira gerente em um importante banco brasileiro em datas específicas. Esses fatos ilustram a afirmação, funcionando como evidência objetiva das transformações no cenário jurídico e social da época.
Alternativa correta: A) comprovam as mudanças citadas.
Justificativa: O texto estrutura-se de forma lógica: uma afirmação geral é seguida por exemplos que servem para comprovar tal afirmação. Trata-se de um mecanismo clássico de coesão e coerência textual, previsto por gramáticos como Evanildo Bechara, que destaca o uso de exemplos para dar solidez argumentativa ao texto.
Análise das alternativas incorretas:
B) contrariam as modificações culturais e jurídicas.
Errada. Os exemplos comprovam, não contradizem a afirmação do texto.
C) demonstram o atraso cultural das mulheres.
Errada. O texto mostra avanços, e não atribui demora ou atraso às mulheres, e sim ao contexto anterior da sociedade.
D) indicam a permanência de determinadas restrições.
Errada. Apesar de terem ocorrido tardiamente, os fatos indicam mudanças e não permanência das restrições.
E) provam o despreparo das mulheres para o mercado de trabalho masculino.
Errada. O texto, em nenhum momento, sugere despreparo; ao contrário, evidencia avanços de inclusão.
Estratégia para questões semelhantes: Sempre localize qual afirmação geral está sendo ilustrada no texto. Em seguida, relacione os exemplos concretos apresentados, perguntando-se: eles sustentam, negam ou são neutros em relação ao que se afirmou? Assim, você evitará distrações e “pegadinhas”.
Referência normativa: Estruturas argumentativas que interligam afirmação-exemplo são fundamentais na norma padrão e indicadas em gramáticas como as de Celso Cunha & Lindley Cintra.
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Comentários
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muitíssimo cuidado com as questões de interpretação da FGV, se formos fazer uma análise crítica do texto, a "b" e a "c" estariam certas, mas como são duas com o mesmo sentido podemos eliminar e fazer a analise contextual, que de forma muito simples e aparentemente irónica relata a alternativa "a". Digo isso porque se houvesse apenas uma alternativa contrariando a afirmação, eu a teria marcado.
Correta letra A. Nas questões de interpretação de texto, devemos nos atentar para o dispositivo da questão para não respondermos algo que é certo no nosso íntimo, mas não é aquilo que está sendo pedido na questão.
Não, não, a reposta desta é "a", sem dúvida, sem celeumas...
questão dada é questão acertada
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