No manejo farmacológico em odontologia, recomendase cautela ...
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Tema central: Uso racional de antimicrobianos em infecções odontogênicas. Em odontologia, o pilar é o controle do foco (drenagem, remoção da causa) e só então considerar antibiótico quando houver sinais sistêmicos ou disseminação. Diretrizes ADA (2019) e OMS/WHO reforçam prescrição criteriosa, espectro estreito, dose e tempo adequados.
Alternativa correta: C — Está alinhada ao stewardship: selecionar o fármaco pelo patógeno provável (flora mista, predominância de anaeróbios e estreptococos orais), respeitar duração adequada e considerar alergias, prevenindo superdosagem e resistência. Exemplos práticos: amoxicilina como primeira linha; considerar amoxicilina-clavulanato ou associação com metronidazol em casos selecionados; em alergia verdadeira à penicilina, clindamicina ou azitromicina com cautela. Reavaliar em 48–72h. Base: ADA (2019, Antibióticos para condições pulpares e periapicais), OMS AWaRe, Ministério da Saúde (Uso Racional de Antimicrobianos).
Como interpretar na prova: procure palavras-chave. Expressões como “qualquer infecção”, “ausência de efeitos adversos”, “interromper quando a dor regride” e “combinar sem avaliação” costumam sinalizar erro. A resposta correta costuma mencionar patógeno provável, duração, alergias e resistência.
Por que as demais estão incorretas?
A. “Interromper quando a dor regride” é inadequado. A dor não é marcador confiável de erradicação bacteriana. Diretrizes recomendam manter o esquema prescrito e só ajustar/encurtar com reavaliação clínica. Suspender precocemente favorece recidiva e resistência (ADA 2019; OMS).
B. “Cefalosporinas em qualquer infecção” e “sem efeitos adversos” é falso. Não se usa antibiótico de amplo espectro indiscriminadamente; há risco de eventos adversos (hipersensibilidade, C. difficile), custo e pressão seletiva. Stewardship preconiza o fármaco mais estreito eficaz para o patógeno provável (ADA/OMS).
D. Combinar dois antimicrobianos com o mesmo espectro não aumenta eficácia e eleva toxicidade e resistência. Associações só se justificam por espectros complementares ou sinergia em cenários específicos e com avaliação clínica (ex.: necessidade de cobertura anaeróbia) — nunca “às cegas”.
Dicas práticas: priorize drenagem e procedimento odontológico; prescreva antibiótico apenas se houver celulite, febre, linfadenite, disseminação ou imunossupressão; escolha espectro estreito, dose correta, tempo curto com reavaliação; documente alergias e interações. Referências: ADA 2019; OMS AWaRe; Ministério da Saúde – Uso Racional de Antimicrobianos.
Gabarito: C.
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