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Q3546145 Odontologia
A insuficiência renal crônica (IRC) é uma condição clínica comum e acompanhada de diversas doenças associadas. Devido ao aumento da sobrevida, com o advento da terapia renal substitutiva e dos transplantes renais, os pacientes com IRC são, cada vez mais, submetidos a procedimentos cirúrgicos e odontológicos, com necessidade de terapia analgésica eficaz no período pós-operatório. Dentre as opções abaixo, quais analgésicos não podem ser administrados em pacientes portadores de IRC?
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Tema central: manejo analgésico no paciente com insuficiência renal crônica (IRC), especialmente no pós-operatório odontológico. O ponto-chave é reconhecer quais fármacos reduzem a perfusão renal e podem precipitar lesão renal ou complicações metabólicas.

Alternativa correta: B – Ibuprofeno

O ibuprofeno é um AINE que inibe COX-1/COX-2, reduzindo prostaglandinas vasodilatadoras (PGE2/PGI2) no rim. Isso causa vasoconstrição da arteríola aferente, queda do TFG, retenção hidrossalina, hipertensão e hipercalemia, além de risco de nefrite intersticial e piora da hemostasia em pacientes urêmicos. Por isso, AINEs devem ser evitados/contraindicados em IRC, sobretudo moderada a grave e em hemodiálise. Referências: KDIGO CKD Guideline (2024), UpToDate – Pain management in CKD, Harrison’s.

Análise das demais alternativas

A – Paracetamol (correta como “pode usar”): Analgésico de 1ª linha na IRC por não afetar hemodinâmica renal. Usar com segurança até 3 g/dia (preferir 2–3 g/dia em IRC avançada). Atenção à hepatotoxicidade e a combinações ocultas. Diretrizes: UpToDate, Harrison’s, KDIGO.

C – Codeína: Não é absolutamente proibida, mas requer cautela. Metabólitos ativos são renais e podem se acumular (sedação/depressões). Se necessária, usar dose reduzida e maior intervalo; idealmente evitar em TFG < 30 mL/min e em metabolizadores ultrarrápidos de CYP2D6. Em provas, lembre: “não é a principal contraindicada, apenas exige ajuste/evitar em IRC avançada”.

D – Tramadol: Pode ser utilizado com ajuste (evitar formulação de liberação prolongada; em TFG < 30 mL/min, aumentar intervalo, p.ex., 50–100 mg a cada 12 h; dose total diária menor). Vigiar risco de convulsões e síndrome serotoninérgica com ISRS/ISRSN. Não é “proibido”.

E – Morfina: Metabólitos (M3G/M6G) acumulam em IRC, elevando risco de sedação e depressão respiratória. Idealmente evitar em IRC avançada, mas não é universalmente “não pode”; quando não houver alternativa, usar doses menores, intervalos maiores e monitorização. Preferências em IRC: fentanil e hidromorfona quando disponíveis. Em exames, a “proibição” clássica recai sobre AINEs.

Estrategia para a prova: Diante de IRC, marque como contraindicados os AINEs. Paracetamol é seguro. Opioides exigem ajuste e vigilância, não são a primeira escolha, mas não entram na categoria “não pode” de forma absoluta.

Referências essenciais: KDIGO 2024 CKD Guideline; UpToDate: Pain management in patients with chronic kidney disease; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: B

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