🎯 Saiba o que estudar

Avançado com Treinador a partir de R$ 0,76/dia

No trecho: “A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurg...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4070868 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão.


As universidades e o desafio da desigualdade social


Cesar Martins

Vice-reitor da Unesp (Universidade Estadual Paulista)


    Desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos, a desigualdade tem sido uma marca das sociedades. Embora hoje esteja entre as prioridades de ação de muitos governos, ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas. Poucas nações encontraram caminhos capazes de construir sociedades mais igualitárias e com baixa vulnerabilidade socioeconômica.


    Atualmente, a desigualdade é tema de debate em universidades de várias partes do mundo. No entanto, durante boa parte de sua história, essas instituições atenderam a um segmento específico da população, a elite econômica, contribuindo para a estratificação social. No Brasil, não foi diferente. As universidades chegaram tardiamente ao país. A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurgia da Bahia, surgiu em 1808, e o acesso ao ensino superior permaneceu, por muito tempo, restrito às elites.


     Embora tardio, o Brasil adotou relativamente cedo o modelo de universidades públicas, em princípio abertas a todos. Na prática, porém, essas instituições continuaram acessíveis a uma parcela reduzida da sociedade, formada por jovens com boa escolarização básica, o que não correspondia à realidade da maior parte da população. Até meados do século 21, as universidades públicas eram poucas, e os cursos noturnos, quase inexistentes, dificultavam o acesso de pessoas de baixa renda que precisavam trabalhar.


    Embora o sistema público de ensino superior tenha crescido na segunda metade do século 20, o padrão elitizado permaneceu. Foi apenas a partir da primeira década do século 21, com políticas como Sisu, Prouni, Fies e a Lei de Cotas, que houve ampliação do acesso de estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e egressos de escolas públicas, especialmente nas universidades públicas.


    Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.


    Apesar dos avanços, persistem barreiras importantes: a menor presença de estudantes socialmente vulneráveis nos cursos mais concorridos, como medicina, direito e engenharias; a limitação de recursos para políticas de permanência, como moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos; e as dificuldades adicionais de acesso e permanência em universidades de maior prestígio.


    Embora ainda haja muito a avançar, as universidades públicas brasileiras têm sido referência, em escala global, na democratização do ensino superior e do conhecimento científico. Ainda assim, é momento de olhar com mais atenção para a estrutura acadêmica. Cursos e disciplinas precisam ser revistos e reinventados em diálogo com as políticas públicas, as novas tecnologias, a sustentabilidade e, sobretudo, a equidade social.


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/as-

universidades-e-o-desafio-da-desigualdade-social.shtml. 

No trecho: “A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurgia da Bahia, surgiu em 1808, e o acesso ao ensino superior permaneceu, por muito tempo, restrito às elites.”, o acento grave indicador de crase em “às elites” se justifica por:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: A crase em “às elites” se justifica porque o adjetivo “restrito” rege a preposição “a”; diante de “as elites”, há a contração “a + as = às”.

Tema central: regência nominal e crase
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque “às elites” não inicia complemento verbal. No trecho, o verbo “permaneceu” não é o núcleo que exige esse termo; quem pede a preposição é o adjetivo “restrito”. Logo, o caso é de regência nominal, não de regência verbal.
B
Errada
Está errada porque “às elites” não é locução adverbial. O segmento não expressa circunstância de tempo, lugar, modo ou semelhante; ele completa o sentido de “restrito”, indicando a quem o acesso ficou limitado.
C
Errada
Está errada porque concordância verbal não explica ocorrência de crase. A flexão de “permaneceu” não produz o acento grave; a crase resulta da preposição exigida por “restrito” somada ao artigo feminino plural.
D
Errada
Está errada porque concordância nominal também não é a causa da crase. Mesmo havendo relação de concordância entre “restrito” e “o acesso”, o acento grave em “às” se explica pela regência nominal de “restrito” e pela presença do artigo “as” em “as elites”.
E
Certa
A alternativa E está correta porque a justificativa do acento grave não vem do verbo nem de uma locução, mas do nome de valor adjetivo “restrito”. Esse adjetivo rege a preposição “a”, e, diante de “as elites”, forma-se a contração “às”. Além disso, “às elites” completa o sentido de “restrito”, portanto exerce função de complemento nominal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre observar o verbo da oração e identificar o núcleo que realmente exige a preposição. Aqui, o decisivo não é “permaneceu”, mas “restrito”; por isso “às elites” é complemento nominal, não complemento verbal nem locução adverbial.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de explicar a crase, identifique qual palavra exige a preposição: verbo ou nome/adjetivo.
  • Se o termo preposicionado completa o sentido de um nome ou adjetivo, o caso é de regência nominal.
  • Não associe crase automaticamente a locução adverbial; confirme a função sintática do segmento.
  • A presença de palavra feminina, sozinha, não basta: a crase exige preposição mais artigo.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo