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Q4070867 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão.


As universidades e o desafio da desigualdade social


Cesar Martins

Vice-reitor da Unesp (Universidade Estadual Paulista)


    Desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos, a desigualdade tem sido uma marca das sociedades. Embora hoje esteja entre as prioridades de ação de muitos governos, ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas. Poucas nações encontraram caminhos capazes de construir sociedades mais igualitárias e com baixa vulnerabilidade socioeconômica.


    Atualmente, a desigualdade é tema de debate em universidades de várias partes do mundo. No entanto, durante boa parte de sua história, essas instituições atenderam a um segmento específico da população, a elite econômica, contribuindo para a estratificação social. No Brasil, não foi diferente. As universidades chegaram tardiamente ao país. A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurgia da Bahia, surgiu em 1808, e o acesso ao ensino superior permaneceu, por muito tempo, restrito às elites.


     Embora tardio, o Brasil adotou relativamente cedo o modelo de universidades públicas, em princípio abertas a todos. Na prática, porém, essas instituições continuaram acessíveis a uma parcela reduzida da sociedade, formada por jovens com boa escolarização básica, o que não correspondia à realidade da maior parte da população. Até meados do século 21, as universidades públicas eram poucas, e os cursos noturnos, quase inexistentes, dificultavam o acesso de pessoas de baixa renda que precisavam trabalhar.


    Embora o sistema público de ensino superior tenha crescido na segunda metade do século 20, o padrão elitizado permaneceu. Foi apenas a partir da primeira década do século 21, com políticas como Sisu, Prouni, Fies e a Lei de Cotas, que houve ampliação do acesso de estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e egressos de escolas públicas, especialmente nas universidades públicas.


    Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.


    Apesar dos avanços, persistem barreiras importantes: a menor presença de estudantes socialmente vulneráveis nos cursos mais concorridos, como medicina, direito e engenharias; a limitação de recursos para políticas de permanência, como moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos; e as dificuldades adicionais de acesso e permanência em universidades de maior prestígio.


    Embora ainda haja muito a avançar, as universidades públicas brasileiras têm sido referência, em escala global, na democratização do ensino superior e do conhecimento científico. Ainda assim, é momento de olhar com mais atenção para a estrutura acadêmica. Cursos e disciplinas precisam ser revistos e reinventados em diálogo com as políticas públicas, as novas tecnologias, a sustentabilidade e, sobretudo, a equidade social.


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/as-

universidades-e-o-desafio-da-desigualdade-social.shtml. 

Analise o trecho a seguir:


“Desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos, a desigualdade tem sido uma marca das sociedades. Embora hoje esteja entre as prioridades de ação de muitos governos, ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas.”.


Sobre o elemento conector destacado no trecho, é correto afirmar que: 

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho "ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas", o "que" retoma "um paradoxo" e introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva; nessa oração, o relativo exerce a função sintática de sujeito do verbo "alimenta".

Tema central: Pronome relativo "que"
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa acerta ao classificar "que" como pronome relativo, mas erra a função sintática. No trecho, o relativo é sujeito de "alimenta"; o objeto direto é "a concentração de riquezas".
B
Certa
A alternativa B está correta porque o "que" retoma o antecedente nominal "um paradoxo", o que o classifica como pronome relativo. Na oração "que alimenta a concentração de riquezas", esse relativo desempenha a função de sujeito do verbo "alimenta".
C
Errada
A função de sujeito está correta, mas a classificação morfológica está errada. "Que" não é conjunção subordinativa, porque retoma o antecedente expresso "um paradoxo" e exerce função sintática na oração.
D
Errada
A alternativa erra nos dois pontos. "Que" não é conjunção subordinativa, mas pronome relativo, e também não exerce função de objeto indireto: o verbo "alimentar" exige complemento sem preposição, isto é, objeto direto.
E
Errada
"Que" não introduz oração subordinada substantiva completiva, mas oração subordinada adjetiva ligada ao antecedente "um paradoxo". Por isso, não é conjunção integrante. Além disso, "complemento transposto" não corresponde à função sintática do termo no trecho.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre pronome relativo e conjunção pelo simples fato de "que" introduzir oração, além de misturar classificação morfológica e função sintática no item C.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o "que" retoma um termo anterior expresso; se retoma, trata-se de pronome relativo.
  • Depois, identifique a função de "que" dentro da oração que ele introduz, conforme o papel que exerce junto ao verbo.
  • Se a oração introduzida por "que" caracteriza um nome anterior, o valor é adjetivo, não substantivo.

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Comentários

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A alternativa correta é:

B) é um pronome relativo e exerce função sintática de sujeito.

Análise

No trecho: "...ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas."

A palavra que retoma o antecedente "um paradoxo", portanto é um pronome relativo.

Substituindo o pronome pelo antecedente: O paradoxo alimenta a concentração de riquezas.

Perguntando ao verbo alimenta: Quem alimenta a concentração de riquezas?

O paradoxo (representado por que).

Logo, que desempenha a função de sujeito do verbo alimenta.

✅ Resposta: B.

Macete

Quando aparecer que, faça a substituição pelo termo anterior:

o livro que comprei → comprei o livro → objeto direto.

o livro que caiu → o livro caiu → sujeito.

A alternativa correta é:

✅ B) é um pronome relativo e exerce função sintática de sujeito.

Explicação:

No trecho:

"...ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas."

O termo "que" retoma o antecedente "paradoxo", portanto é um pronome relativo.

Se substituirmos o pronome pelo antecedente, temos:

O paradoxo alimenta a concentração de riquezas.

Observe que "paradoxo" é o sujeito do verbo "alimenta". Logo, o pronome relativo "que" exerce a função sintática de sujeito da oração subordinada adjetiva.

Gabarito: ✅ B.

GAB: B

Troque o QUE pelo termo que ele resgata (um paradoxo) e leia a frase isolada.

"Um paradoxo alimenta a concentração de riquezas."

Pergunta ao verbo: Quem alimenta? Um paradoxo. Logo, a função é Sujeito.

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