Os primeiros fundamentos éticos do Serviço Social foram de ...

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Q3543229 Serviço Social
Os primeiros fundamentos éticos do Serviço Social foram de inspiração neotomista, positivista e demais referências tradicionais que acentuavam uma análise da realidade e intervenção profissional na perspectiva conservadora. Ao longo da trajetória da profissão, valores democráticos-liberais e princípios do pluralismo introduziram pequenas mudanças na formação e no posicionamento ético-profissional dos assistentes sociais. Mas, a ruptura com o conservadorismo ético, de tendência legalista, conforme afirma Barroco (2012), só foi evidenciada com o Código de Ética de 1986 que, como produto de um processo coletivo de deliberação, colocou-se como parte de um projeto profissional articulado a
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Alternativa correta: B - um projeto de sociedade.

1. Tema central da questão

Esta questão aborda a evolução dos fundamentos éticos do Serviço Social no Brasil, especialmente o rompimento com o conservadorismo e a adoção de princípios voltados para a transformação social, refletidos no Código de Ética de 1986.

2. Resumo teórico

Historicamente, o Serviço Social no Brasil esteve atrelado a uma perspectiva conservadora, marcada pelo neotomismo e positivismo, defendendo uma atuação legalista e adaptada aos interesses das classes dominantes. Com o Código de Ética de 1986, houve uma ruptura significativa: o Serviço Social passou a defender princípios como liberdade, justiça social e democracia, inserindo-se em um projeto de sociedade mais justo e igualitário.

Segundo Barroco (2012), essa mudança não foi apenas formal, mas expressou o compromisso coletivo da categoria com a transformação social e com direitos humanos, alinhando o projeto profissional ao projeto ético-político da profissão.

3. Justificativa da alternativa correta

A alternativa B está correta porque o Código de Ética de 1986 representa um marco de ruptura com o conservadorismo, vinculando o Serviço Social a um projeto de sociedade democrática e emancipada, e não apenas a normas técnicas. Isso está em conformidade com o que defendem autores como Barroco e as diretrizes do próprio CFESS (Conselho Federal de Serviço Social).

4. Análise das alternativas incorretas

A"Ideologia consensual": Errado, pois a profissão passou a defender posições críticas, não buscando consenso, mas justiça social.

C"Princípios sistêmicos": Não corresponde ao foco do Código de 1986, que vai além de questões sistêmicas para abarcar transformação social.

D"Dimensão tecnológica": O Código de Ética não tem proposta tecnicista, mas política e social.

E"Interesses dominantes": Pelo contrário, buscou-se romper com o atendimento a interesses das classes dominantes.

5. Estratégia para interpretação

Atente-se sempre para palavras-chave no enunciado (como "ruptura", "processo coletivo" e "projeto profissional") e descarte opções que remetem ao conservadorismo ou à tecnicidade. O conhecimento da história e princípios do Serviço Social é fundamental para diferenciar alternativas próximas, mas conceitualmente distintas.

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Comentários

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Errei, fui seco na alternativa c-princípios sistêmicos.

A alternativa correta é a B: um projeto de sociedade.

Conforme a análise de Maria Lúcia Barroco (2012) e a historiografia do Serviço Social brasileiro, a virada ética iniciada com o Código de Ética Profissional de 1986 — e consolidada no Código de 1993 — marca a ruptura teórica, política e prática com o conservadorismo tradicional e a perspectiva positivista/neotomista.

O Código de 1986 foi fruto do Movimento de Reconceituação e da construção do Projeto Ético-Político Profissional, o qual articula a prática do assistente social ao compromisso com as lutas da classe trabalhadora e com um projeto de sociedade fundado na democratização, nos direitos humanos, na justiça social e na superação da ordem capitalista.

Por que as outras estão incorretas?

  • A (ideologia consensual): O projeto rompe com a ideia de "harmonia/consenso social", pautando-se pelo reconhecimento dos conflitos de classe.
  • C (princípios sistêmicos): Visões sistêmicas e funcionalistas pertencem às matrizes conservadoras e positivistas com as quais o Código rompeu.
  • D (dimensão tecnológica): Trata-se de uma dimensão ético-política e teórica, e não de um mero instrumentalismo técnico ou tecnológico.
  • E (interesses dominantes): O novo projeto ético opõe-se explicitamente aos interesses da classe dominante, alinhando-se aos interesses dos trabalhadores.

O Código de Ética de 1986 rompeu com a tradição conservadora do Serviço Social e vinculou a profissão à defesa da democracia, dos direitos e da transformação social ao lado das classes trabalhadoras.

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