Texto 1Já era tarde. Augusto amava deveras, e pela primeira ...
Texto 1
Já era tarde. Augusto amava deveras, e pela primeira vez em sua vida; e o amor, mais forte que seu espírito, exercia nele um poder absoluto e invencível. Ora, não há ideias mais livres que as do preso; e, pois, o nosso encarcerado estudante soltou as velas da barquinha de sua alma, que voou, atrevida, por esse mar imenso da imaginação; então começou a criar mil sublimes quadros e em todos eles lá aparecia a encantadora Moreninha, toda cheia de encantos e graças. Viu-a, com seu vestido branco, esperando-o em cima do rochedo, viu-a chorar, por ver que ele não chegava, e suas lágrimas queimavam-lhe o coração. (Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha. São Paulo: Ática, 1997, p. 125. )
Texto 2
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.
(Carlos Drummond de Andrade. Reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973, p. 19.)
Nos textos 1 e 2, uma mesma temática é
trabalhada, com tratamentos diversos, no entanto. Em
relação à percepção de amor evidente nos textos de Joaquim Manuel de Macedo e de Carlos Drummond de
Andrade relacionam-se todas as assertivas, exceto :
Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de textos literários, com foco em análise comparativa de linguagem, figuras de linguagem e caracterização do amor em contextos distintos (Romantismo e Modernismo).
A questão avalia sua capacidade de reconhecer elementos formais e temáticos em obras de diferentes épocas, além de identificar como autores utilizam recursos estilísticos como idealização e ironia.
Comentário da alternativa correta (A):
A alternativa A está INCORRETA, pois inverte o tratamento do amor nos textos. “A Moreninha” (Texto 1), de Joaquim Manuel de Macedo, é expressão máxima do Romantismo: ressalta sentimentalismo, idealização do amor e dos personagens. Não há tom crítico ou irônico, mas sim um enaltecimento dos sentimentos e da fantasia, conforme aponta Celso Cunha e Lindley Cintra ao tratarem das características do Romantismo. Já “Quadrilha” (Texto 2), de Carlos Drummond de Andrade, adota postura moderna, destacando os desencontros amorosos e empregando tom irônico no relato de destinos cruzados e frustrados.
Análise das alternativas incorretas:
B: Correta ao reconhecer ironia e frustrações em “Quadrilha”, alinhando-se à leitura semântica e crítica do poema.
C: Correta na associação de “A Moreninha” ao amor idealizado, atmosfera de sonho e obstáculos românticos. Essa leitura é reforçada por Bechara quando aborda os traços da literatura romântica.
D: Correta ao explorar a metáfora da dança de quadrilha e a sucessão dos “pares” nos versos do poema, ressaltando a aleatoriedade e o descompasso.
E: Correta ao perceber o protagonismo idealizado das personagens em “A Moreninha”, conforme os padrões do Romantismo.
Estratégia de resolução e orientações:
Em questões como esta, observe termos que invertam características dos textos (pegadinha comum em provas). Busque expressões-chaves como “tom irônico”, “idealização”, “desencanto” e associe ao conteúdo real da obra. Apoie-se nos conceitos clássicos da literatura brasileira e no reconhecimento das escolas literárias apontados por autores como Rocha Lima e Pasquale Cipro Neto.
Gabarito: A
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