Para Nélida Piñon, a Literatura

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Q1051505 Português

Uma invenção humana

       Vejo a literatura como um instrumento excepcional da nossa civilização. Ela ajuda a esclarecer o mundo. Quem nós somos? Quem nós fomos? Lendo a Ilíada, você pode imaginar quais foram os sentimentos de Aquiles ou de Príamo. Você se pergunta: “Por que esse fervor pela narrativa?”. Porque o ser humano precisou narrar, para que os fatos da vida, da poética do cotidiano, não desaparecessem. Enquanto o ser humano forjava a sua civilização, dava combate aos deuses e procurava entender em que caos estava imerso, ele contava histórias. Para que nada se perdesse. Não havia bibliotecas. No caso de Homero, os aedos – e quase podíamos intitulá-los os poetas da memória – memorizavam tudo para que os fatos humanos não se perdessem. E, assim, a angústia em relação à apreensão da vida real, o real humano, visível, intangível, esteve presente em todas as civilizações. Nas nossas Américas, por exemplo, houve entre os incas uma categoria social, a dos amautas, que tinha por finalidade única memorizar. Memorizar para que os povos não se esquecessem das suas próprias histórias. Quer dizer, a literatura não foi uma invenção dos escritores, gosto muito de enfatizar isso. Foi uma invenção humana.

       Milhões de pessoas já leram Dom Quixote. Milhões, em diferentes línguas. Mas é o mesmo livro para diferentes leitores. Isso prova que a literatura dá visibilidade a quem somos, a nossos sentimentos mais secretos, mais obscuros, mais desesperados, às esperanças mais condicionais do ser humano. E a literatura conta histórias porque os sentimentos precisam de uma história para que você se dê conta deles. Então, a literatura pensou em dar conta de quem somos, dessa nossa complexidade extraordinária. Porque somos seres fundamentalmente singulares. E, por isso, a literatura é singular.


(Nélida PIÑON. Uma invenção humana – depoimento ao escritor e jornalista José Castello. Rascunho n° 110. Curitiba: 2009. In http://rascunho.com.br/wp-content/uploads/2012/02/ Book_Rascunho_110.pdf. Acesso em 15.11.18. Adaptado)

Para Nélida Piñon, a Literatura
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito comentado – Interpretação de Texto

Alternativa correta: E) possui a capacidade de registrar a identidade da espécie.

1. Tema central: A questão explora interpretação de texto com foco em identificar a tese principal do autor e compreender a relação entre literatura e a civilização humana. Essa habilidade exige reconhecer sentidos explícitos e implícitos do texto – competência cobrada em concursos, especialmente para cargos que demandam atenção a detalhes e compreensão semântica.

2. Justificativa da alternativa correta: O texto explicita que a literatura “ajuda a esclarecer o mundo”, permite entender “quem nós somos”, preserva a memória e as histórias humanas, e que “foi uma invenção humana”. Assim, a literatura, segundo Nélida Piñon, tem papel de registro da identidade da espécie humana. A autora afirma que “a literatura dá visibilidade a quem somos”, registrando sentimentos, experiências e vivências que nos definem.

Regra de interpretação aplicada: Como destaca Evanildo Bechara em Moderna Gramática Portuguesa, a interpretação textual exige recuperar informações chave, considerando não apenas frases soltas, mas a lógica textual como um todo e a intenção do autor. Palavras como “memória”, “identidade”, “visibilidade” são pistas semânticas que fundamentam a resposta.

3. Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. O texto afirma que a literatura esclarece o mundo, não que o contradiz.

B) Errada. Não há menção à explicação de períodos anteriores à civilização; o foco é o registro dos feitos humanos.

C) Errada. O texto não atribui à literatura o papel de “tramar” a civilização, e sim de documentar e explicar vivências.

D) Errada. Não se afirma que a literatura acentua diferenças, mas sim que revela a pluralidade e singularidade humana.

Estratégia para provas: Ao interpretar textos, busque sempre o nexo central – ideias frequentes, repetições de termos, síntese dos parágrafos. Atenção a alternativas com verbos absolutos ("contradiz", "acentua") ou generalizações não sustentadas pelo texto.

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Comentários

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GABARITO: LETRA E

? Segundo o texto, no começo do primeiro parágrafo, observa-se que a literatura registra a identidade dos povos, toda a história: Vejo a literatura como um instrumento excepcional da nossa civilização. Ela ajuda a esclarecer o mundo. Quem nós somos? Quem nós fomos?

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FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

 "Isso prova que a literatura dá visibilidade a quem somos, a nossos sentimentos mais secretos, mais obscuros, mais desesperados, às esperanças mais condicionais do ser humano. E a literatura conta histórias porque os sentimentos precisam de uma história para que você se dê conta deles. Então, a literatura pensou em dar conta de quem somos, dessa nossa complexidade extraordinária."

Gabarito: Letra E

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