Qual é a frase que melhor assinala a diferença entre as mãe...

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Leia o texto abaixo transcrito e, em seguida, responda às questões a ele referentes:


Do Magnum .357 para Harvard


Roland Fryer morava com a avó quando alguns parentes foram presos e condenados por fabricar e distribuir crack. Viu o pai estuprar uma mulher e pagou a sua fiança quando ele foi preso. Aos 15 anos, vendia maconha e não saía de casa sem seu revólver Magnum .357. Dos seus dez parentes mais próximos, oito foram assassinados ou presos.

Por pouco não participou de um assalto no qual seus amigos foram presos. Assustou-se e decidiu mudar de vida. Entrou para a Universidade do Texas, formando-se, em economia, em dois anos e meio. Doutorou-se em três anos e meio na Universidade da Pensilvânia. Hoje é professor em Harvard. O homem é irrequieto e curioso. Com dois economistas da Universidade de Chicago, criou uma escola, para aplicar ideias novas que flutuam por aí.

B. Hart e T. Risley pesquisaram longamente como os bebês aprendem a falar. Amostra, pesquisa de campo, gravadores e tudo o mais. Grandes surpresas! Ao chegar aos três anos, uma criança de classe alta ouviu 30 milhões de palavras a mais do que uma pobre. Mais ainda, ouviu muitas palavras de encorajamento, enquanto a pobre ouviu mais frases curtas do tipo “cala a boca”, “não mexe nisso” ou “fica quieto”. E tem mais, as mães educadas perguntam e esperam respostas. As pobres, além de falar pouco com as crianças, apenas dão ordens, com pouca interação.

Como resultado, o desenvolvimento linguístico dos dois grupos se distancia. Isso afeta a inteligência e a capacidade de aprender na escola, já que as crianças dependem do número de palavras conhecidas e da competência para emendá-las, umas às outras. Como disse Wittgenstein, pensamos com palavras, e quem não as sabe usar corretamente não pode pensar bem.

A professora Dana Suskind foi uma das precursoras dos implantes cocleares, na Universidade de Chicago. Essa cirurgia permite que certas crianças nascidas surdas passem a ouvir. Ao longo de seu trabalho, ela notou um fato surpreendente. As crianças submetidas ao procedimento logo ao nascer têm um desenvolvimento normal da fala. Em contraste, nas que somente recebem o implante após alguns anos de vida, a aquisição da fala é morosa ou nula. Ou seja, quem perdeu o bonde de uma interação linguística precoce estará prejudicado para o resto da vida escolar. Na idade de mais prodigioso desenvolvimento do cérebro é que se aprendem as palavras e seus usos.

O terceiro fato que chamou a atenção dos três economistas foram os estudos de James Heckman que mostram com números a importância do que hoje se chama de traços socioemocionais, tais como a autoconfiança, a persistência e a organização. Sem isso, nada feito.

Com esses achados em mãos, eles conseguiram um dinheirinho de uma fundação e criaram uma escola. Seu raciocínio foi simples: se esses são os eixos do sucesso, é preciso enfiá-los na escola.

Chama muita atenção no programa a estratégia de educar os pais para que passem mais tempo conversando com os filhos, desde muito jovens. Para que estimulem o diálogo. Para que turbinem sua autoestima e evitem dizer “não pode”. Para que promovam os bons traços do socioemocional. Em linha com experimentos prévios de Fryer, o programa deu prêmios em dinheiro aos pais para que cumprissem a terapia prescrita. Educadores costumam ter faniquitos diante dessa “mercantilização” da paternidade. Mas, na linha da Educação Baseada em Evidência, é experimentar para ver se dá certo. A conversa sobre filosofia fica para depois.

Deu certo? No todo, espetacularmente. O programa aumenta o rendimento escolar de forma muito significativa. Com custos baixos, consegue o mesmo que outros programas caríssimos. Mas deu também uma zebra. O programa melhora o aprendizado dos pobres hispânicos e brancos. Em contraste com Vila Sésamo, não melhora em nada o rendimento dos negros, embora Roland Fryer seja negro!

Lições? 1. Vivas para um país que consegue pescar talentos no fundo do tacho. 2. A educação evolui nas mãos de gente imaginativa e corajosa, que tenta novas soluções. 3. Mas e os negros? Pesquisa é assim. Acerta aqui, erra acolá. Deve-se consertar o programa, mas sempre com experimentos rigorosos, avançando passo a passo.


Artigo escrito por Cláudio de Moura Castro, publicado na revista Veja, edição 2468, ano 49 – número 10, de 09 de março de 2016.

Qual é a frase que melhor assinala a diferença entre as mães ricas e as pobres, de acordo com a pesquisa evidenciada no texto?

Alternativas

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Comentário da questão — Interpretação de Texto

Tema central: A questão aborda interpretação de texto, com ênfase na coerência textual e compreensão semântica. O candidato precisa identificar, a partir do texto, qual alternativa melhor resume a diferença entre mães ricas e pobres no desenvolvimento dos filhos.

Justificativa da alternativa correta (E):

O texto apresenta pesquisas indicando que mães de classe alta proporcionam mais interação verbal com seus filhos, o que estimula o desenvolvimento linguístico e cognitivo das crianças, ao contrário do que ocorre nos lares de baixa renda. Exemplo do texto: “As mães educadas perguntam e esperam respostas. As pobres apenas dão ordens, com pouca interação.”

Aplicando a estratégia da leitura atenta e o princípio da coerência textual (Koch & Elias), percebe-se que a alternativa E traduz, de forma sintética e fiel, o que foi explicitado: mães ricas interagem melhor com as crianças, estimulando habilidades expressivas desde cedo.

Análise das alternativas incorretas:

A) Generaliza e atribui o desenvolvimento linguístico exclusivamente à condição de riqueza, o que não é defendido pelo texto, que prioriza a interação.

B) Apresenta como causa a subnutrição, fator não mencionado no texto.

C) Menciona “paciência” sem fundamentação textual. O poder aquisitivo não foi relacionado à paciência materna, mas sim à interação verbal.

D) Associa a diferença ao acesso a escolas, porém o texto enfatiza interação familiar, não infraestrutura escolar.

Pontos-chave e estratégias de prova:

Foco em palavras-chave do texto: “ouviu muitas palavras de encorajamento”, “as pobres apenas dão ordens”, “mães educadas perguntam e esperam respostas”. Evite ser induzido por alternativas que trazem generalizações ou informações não presentes no texto. Nas provas, busque respostas diretamente ligadas ao conteúdo apresentado.

Referências: Moderna Gramática Portuguesa (Evanildo Bechara); Coesão e Coerência Textuais (Koch & Elias).

Alternativa correta: E

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